A ectopia tireoidiana na criança com hipotireoidismo congênito: a etiologia de 1997-2007 em Minas Gerais, Brasil

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Tipo

Monografia de especialização

Título alternativo

Primeiro orientador

Membros da banca

Rafael Machado Mantovani
Antonio Jose das Chagas

Resumo

Introdução- O hipotireoidismo congênito (HC), resultado da deficiência ou ausência da produção ou ação dos hormônios tireoidianos, faz parte da triagem neonatal em Minas Gerais, desde 1994. A ectopia tireoidiana, uma forma de disgenesia, é, isoladamente, sua causa mais prevalente. A fisiopatologia do distúrbio é pouco esclarecida e decorre da parada prematura na migração da glândula desde sua origem (faringe primitiva), tanto no trajeto até seu sítio fisiológico, como após este, nas formas extra-cervicais. No geral, a forma lingual representa 90% dos casos descritos, em que 70-75% dos casos cursarão com hipotireoidismo, sendo a forma predominante no HC. Isto se atribui à predominância de ectopia isolada nessa forma, já que, quando existe um tecido ortotópico associado, sugere-se que o risco de hipotireoidismo é menor. Apesar disso, são descritas crianças com ectopia pura que evoluem de forma semelhante, sem necessidade de reposição hormonal. Além do risco de resultados falso-negativos na triagem neonatal, com desenvolvimento posterior de hipotireoidismo, a ectopia apresenta outras complicações relacionadas a queixas locais, tireoidite auto-imune, hipertireoidismo e, inclusive, risco de malignização, o que a coloca a parte das demais etiologias do HC. Objetivos- O presente trabalho tem como objetivos o estudo da prevalência e características da ectopia tireoidiana infantil, incluindo suas formas de apresentação, em análise de 10 anos dos exames etiológicos das crianças triadas e diagnosticadas com HC, em Minas Gerais, Brasil. Materiais e métodos- Foram selecionadas as crianças triadas e diagnosticadas com formas permanentes do HC, entre 1º de janeiro de 1997 a 31 de julho de 2007, e revisados os exames etiológicos realizados aos 3 anos de vida: cintilografia, ultrassonografia, teste de descarga do perclorato e tireoglobulina. Destas, reunimos os casos de ectopia em dois grupos: ectopia com tecido ortotópico associado e ectopia pura, para compará-los quanto à gravidade do HC, com base em: dosagem de TSH da triagem (papel filtro), TSH e T4 livre séricos confirmatórios e dose de levotiroxina (por kg de peso corporal) que primeiro normalizou o TSH. Resultados- Dos 865 casos confirmados de HC, 680 foram de formas permanentes. Destes, 118 crianças (17,3%) tinham ectopia tireoidiana, sendo 74,5% do sexo feminino, com uma relação de 1:3 meninas. A mediana da idade para 1ª consulta (e início de tratamento) foi 25 dias, com apenas 7,7% destas atendidas antes dos 15 dias de vida. Separados por apresentação, 67 (56,8%) tinham glândula ortotópica e tecido ectópico e 51(43,2%) tinham ectopia pura. Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os níveis de TSH de triagem, TSH e T4 livre séricos. Entretanto, a dose de levotiroxina necessária para normalizar o TSH pela primeira vez, teve diferença estatística significativa (p=0,0172), sendo maior no primeiro grupo. Todas as glândulas ortotópicas foram vistas somente à US, mostrando um tecido tireoidiano gisgenético em todos os casos. Nenhuma delas foi vista à CT (não houve captação de radioiodo). Discussão- Verificamos que a cobertura da triagem neonatal para HC em MG foi de 92,2%, com prevalência de 1:3370 casos. Destes, a ectopia tireoidiana foi responsável por 17,3% das formas permanentes. Nossos dados contrastaram com a literatura, verificando predominância da ectopia e glândula ortotópica sobre a ectopia pura. Além disso, verificamos que o primeiro grupo necessitou de doses mais altas de LT4 para normalizar o TSH, o que sugere uma maior gravidade do HC neste grupo. Ademais, nestas crianças, o tecido ortotópico, ao contrário do sugerido nas revisões recentes sobre o assunto, não se associou a vantagens quanto á gravidade do HC, além de apresentar características disgenéticas em todas as US, com captação nula de iodo em 100% das CT, demonstrando seu grau displásico e disfuncional. Acreditamos que mais estudos sobre a etiologia do HC e o avanço da biologia celular e molecular são necessários para compreender melhor a diversidade de suas formas de apresentação e perfis hormonais. Desta forma, futuramente, poderemos aprimorar a abordagem desses casos e seus resultados, além de prevenir, suas potenciais complicações.

Abstract

Assunto

Sistema endócrino

Palavras-chave

Disgenesia tireoidiana, Triagem neonatal, Hipotireoidismo congênito, Ectopia tireoidiana, Etiologia

Citação

Departamento

Curso

Endereço externo

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por