Um território (re)apropriado?: a dinâmica territorial da cozinha em meio a relações sociais de gênero e raça

dc.creatorFelipe Gouvêa Pena
dc.date.accessioned2019-08-09T15:39:19Z
dc.date.accessioned2025-09-08T23:47:40Z
dc.date.available2019-08-09T15:39:19Z
dc.date.issued2017-03-07
dc.description.abstractThis dissertation aimed to understand how the domestic kitchen is territorialized in the middle of social relations of gender and race. In a qualitative approach, the study was based on a combination of three data gathering techniques: the semi-structured interview, the word evocation test and the photoelicitation technique. The collected material was organized and categorized according to French discourse analysis, with a series of procedures that consider the explicit, implicit and silenced aspects in the discourses (FARIA, 2009). There was considered as a research subjects: housewives, maids and employers, starting from the assumption that in different ways these individuals contribute to the established problematization. Domestic cooking, as a territory, perhaps is the clearest example of gender division in the household, because it has always been considered a feminine "place." Historically located in the back of the houses, the kitchen was the work place of the cooks, usually black, and the housewife, and therefore, without value. The organization of this space does not only refer to a stronghold in which the materialization of social interactions occurs, but also it own tends to structure such interactions (LEFEBVRE, 1991). Therefore, it is not possible to speak in neutrality, at the material and symbolic levels, in this or any other space, since it is demarcated politically and ideologically, stage of coercions of a group of dominant in relation to a group dominated in different instances. The current "gastronomization" movement of daily food values domestic cuisine in the media, in a process of endogenous of the aesthetics of daily life (BARBOSA, 2012). The argument was defended that such valorization of the kitchen and, consequently, of the act of cooking, it reaffirms territorially, but hide issues of gender and race. Men, historically associated with public space, has appropriated the domestic cooking in the midst of media discourses of the gourmet movement, which value, exalt and give it the title of "owner" of the kitchen. The results of the research strengthen the idea that the territorial dynamics of this domestic space is permeated by the social relations of gender and race and that, in fact, there is a process of (re)appropriation of this territory, mainly from the symbolic point of view.
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/BUOS-APPQ2K
dc.languagePortuguês
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectRede de relações sociais
dc.subjectAdministração
dc.subjectRelações de gênero
dc.subjectCulinária
dc.subject.otherRelações Sociais
dc.subject.otherTerritorialidade
dc.subject.otherGênero
dc.subject.otherCozinha Doméstica
dc.subject.otherRaça
dc.titleUm território (re)apropriado?: a dinâmica territorial da cozinha em meio a relações sociais de gênero e raça
dc.typeDissertação de mestrado
local.contributor.advisor1Luiz Alex Silva Saraiva
local.contributor.referee1Alexandre de Padua Carrieri
local.contributor.referee1Magda Maria Bello de Almeida Neves
local.description.resumoEsta dissertação teve como objetivo compreender como a cozinha doméstica é territorializada em meio a relações sociais de gênero e raça. Em uma abordagem qualitativa, o estudo se valeu de uma combinação de três técnicas de coleta de dados: a entrevista semiestruturada, o teste de evocação de palavras e a técnica de fotoelicitação. O material coletado foi organizado e categorizado de acordo com a análise de discurso na vertente francesa, com uma série de procedimentos que consideram os aspectos explícitos, implícitos e silenciados nos discursos (FARIA, 2009). Foram considerados como sujeitos de pesquisa: donas de casa, empregadas domésticas, patroas e patrões, partindo-se do pressuposto de que de diferentes formas esses indivíduos contribuem para a problematização estabelecida. A cozinha doméstica, enquanto um território, talvez seja o exemplo mais claro da divisão por gênero na casa, pelo fato de ter sido sempre considerada um lugar feminino. Historicamente localizada no fundo das casas, a cozinha era o lugar de trabalho da cozinheira, normalmente negra, e da dona de casa, e, por isso, sem valor. A organização desse espaço não se refere apenas a um reduto em que ocorre a materialização das interações sociais, como também ela própria tende a estruturar tais interações (LEFEBVRE, 1991). Logo, não é possível falar em neutralidade, nos níveis material e simbólico, nesse ou em qualquer outro espaço, uma vez que ele é demarcado política e ideologicamente, palco de coerções de um grupo de dominante em relação a um grupo dominado em diferentes instâncias. O atual movimento de gastronomização do cotidiano alimentar valoriza a cozinha doméstica na mídia, em um processo de endogenia da estética da vida cotidiana (BARBOSA, 2012). Defendeu-se o argumento de que tal valorização da cozinha e, por consequência, do ato de cozinhar, a ressignifica territorialmente, mas oculta questões de gênero e raça. Os homens, historicamente associados ao espaço público, vêm se apropriando da cozinha doméstica em meio a discursos midiáticos do movimento gourmet, que o valorizam, exaltam e lhe concedem o título de dono da cozinha. Os resultados da pesquisa fortalecem a ideia de que a dinâmica territorial desse espaço doméstico é permeada pelas relações sociais de gênero e raça e que, de fato, há um processo de (re)apropriação desse território, principalmente sob a ótica simbólica.
local.publisher.initialsUFMG

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