Pedagogia da Carta: escrevivências, afeto e sentimento na implementação da Lei n. 10.639/2023 - a experiência de troca de correspondências entre estudantes de Ribeirão das Neves/MG e de Búzi/Moçambique
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tese indicada pela banca para concorrer ao Prêmio Capes e ao Prêmio UFMG de Teses e Dissertações
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Henrique Rodrigues Leroy
Otávio Henrique da Silva
Telma Borges da Silva
Otávio Henrique da Silva
Telma Borges da Silva
Resumo
Em 2025, a Lei Federal nº 10.639/2003, que, em resposta às demandas e reivindicações do Movimento Social Negro (Gomes, 2018), tornou obrigatório o ensino da História e da Cultura Africana e Afro-brasileira em escolas públicas e privadas, completou 22 anos, impulsionando a revisão de currículos, como também a elaboração de práticas educativas focadas no combate e na superação do racismo nos espaços de conhecimento. Tomando como eixo orientador o conceito de Escrevivência (Evaristo, 2020), a presente tese busca refletir a respeito da Pedagogia da Carta, metodologia de ensino-aprendizagem antirracista, sustentada na escrita autobiográfica, na sensibilização, no afeto e no sentimento como caminhos para a efetivação da referida lei. Nesta tese, reflito sobre o processo de implementação desta pedagogia, em 2013, por meio da produção e da troca de correspondências entre estudantes de Ribeirão das Neves/MG e de Búzi/Moçambique. Por meio de uma escrita atravessada pelo meu pertencimento racial, aliado a referenciais teóricos concernentes aos campos da Educação das Relações Étnico-raciais e da Formação de Professores, busco destacar os modos pelos quais minha condição de mulher negra e educadora estejam presentes na elaboração e na implementação da Pedagogia da Carta e na maneira como exerço a docência. Busco ainda apresentar os desafios encontrados no processo de enfrentamento da discriminação racial no cotidiano escolar, reflexo de uma sociedade que se acostumou a naturalizar a persistência do racismo. Por intermédio da análise de planos de ensino, vídeos, e-mails, entrevistas e, sobretudo, das 116 cartas trocadas entre os estudantes envolvidos nesta “travessia”, pretendo apresentar os limites e as possibilidades da Pedagogia da Carta na construção de novas perspectivas e novos saberes em relação ao continente africano e à população negra, conforme determinam as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais (Brasil, 2004). Neste percurso, a exemplo de Conceição Evaristo e Nilma Lino Gomes, intelectuais como Muniz Sodré (2017, 2023), Achille Mbembe (2019), Paulo Freire (2002, 2023), Patricia Hill Collins (2019), Kabengele Munanga (2020), Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (2007) e Michel Foucault (2004) tiveram papel destacado.
Abstract
In 2025, Federal Law No. 10.639/2003, in response to the Black Social Movement’s (GOMES, 2018) demands and claims, became mandatory the teaching of African and Afro-Brazilian History and Culture in public and private schools, completed twenty-two years, promoting curriculum reviews, and also the elaboration of educational practices focused on the combat and overcoming of racism in spaces of knowledge. Considering as a guiding axis the concept of Escrevivência (EVARISTO, 2020), the present thesis seeks to reflect on the Pedagogy of The Letter, an anti-racist teaching-learning methodology, based on the autobiographical writing, sensibility, affection, and feelings as paths for the previously mentioned law’s effectiveness. In this thesis, I reflect on the process of this pedagogy implementation, in 2013, through production and the exchange of letters between students from Ribeirão das Neves/MG and the Búzi/Mozambique. Through a writing permeated by my racial belonging, combined with theoretical references concerning the fields of Ethnic-racial Relations Education and Teacher’s Training Process, I seek to highlight the ways that my condition as a black woman and educator was present during the Pedagogy of The Letter elaboration and implementation and the manner how I practice my teaching. I also seek to present the challenges found in the process of facing racial discrimination in the school routine, a reflection of a society that is accustomed to naturalizing racism’s persistence. Through the analysis of lesson plans, videos, e-mails, interviews, and, above all, the 116 letters exchanged between the students involved in this “crossing”, I intend to present the limits and the possibilities of the letter-pedagogy in the construction of new perspectives and new knowledge about the African continent and the black population, as the National Curricular Guidelines for Education on Ethnic-Racial Relations determine. This path, by the example of Conceição Evaristo and Nilma Lino Gomes, intellectuals as Muniz Sodré (2017, 2023), Achille Mbembe (2019), Paulo Freire (2002, 2023), Patricia Hill Collins (2019), Kabengele Munanga (2020), Petronilha Beatriz Gonçalves and Silva (2007) and Michel Foucault (2004), has a prominent role.
Assunto
Educação - Relações étnicas, Cultura afro-brasileira - Estudo e ensino, Autobiografia, Professores - Formação, Discriminação na educação, Racismo, Moçambique - Educação
Palavras-chave
Pedagogia da Carta, Lei nº 10.639/2003, Escrevivência, Escrita autobiográfica, Formação de professores