O trabalho empático na assistência tardia ao abortamento ilegal : um estudo sobre a empatia e seu impacto na saúde mental do trabalhador
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Claudia Maria Figueiras Penido
Sonia Maria Guedes Gondim
Sonia Maria Guedes Gondim
Resumo
A empatia é um fenômeno multidimensional e multideterminado. No campo do trabalho em saúde materna as políticas públicas ministeriais instigam o desenvolvimento da empatia por parte dos trabalhadores, reconhecendo nela a possibilidade para reverter o cenário de violações dentro dos serviços de saúde. As violências obstétricas nos serviços de saúde revelam a falência das relações entre os atores sociais, especialmente entre os profissionais de saúde e o grupo de mulheres que buscam assistência clínica e cirúrgica tardiamente após complicações decorrentes da realização ilegal do aborto. O desenvolvimento da empatia, que, nesse contexto, traz condições para melhoria da qualidade da assistência, por outro lado poderá impactar a saúde mental dos trabalhadores. A fadiga e satisfação por compaixão são respostas ao trabalho empático, que evidenciam o caráter ambíguo que a empatia assume na saúde mental dos trabalhadores. Dito isso, questionamos: Afinal, qual o impacto da empatia na saúde mental dos profissionais que atuam no cuidado tardio às mulheres que realizaram um aborto ilegalmente? Para responder essa questão essa pesquisa de mestrado teve como objetivo principal identificar a relação entre a empatia e a saúde mental dos profissionais de saúde atuantes no contexto em questão. Para alcançar esse objetivo foi realizado um estudo exploratório qualitativo sustentado por seis entrevistas episódicas realizadas com profissionais da obstetrícia e da perinatalidade. Essas entrevistas foram analisadas e interpretadas a partir da Teoria Fundamentada. Verificamos que a empatia é instrumento de trabalho no campo da saúde, uma vez que através dela faz-se possível acessar a dor e o sofrimento das pacientes. O desenvolvimento da empatia no cuidado tardio das mulheres que induziram o aborto potencialmente é inibido pelos indutores sociais, pela atribuição de causalidade, pelas condições de trabalho e pela história psicossocial dos trabalhadores. Apesar desses inibidores, os profissionais de saúde despendem esforços cognitivos internos para regular suas emoções no trabalho e acessarem a dor e o sofrimento dessas mulheres. Esses esforços impactam a saúde mental dos trabalhadores, gerando, sobretudo, desgaste emocional. Concluímos que a oferta de condições dignas de trabalho que favoreçam o prolongamento do tempo despendido ao cuidado dessas mulheres e que contribuam para a integralidade do cuidado, bem como a reformulação curricular na formação em saúde poderão contribuir para o desenvolvimento da empatia. Essa contribuição para o desenvolvimento da empatia traz subsídio para melhoria da qualidade da assistência às mulheres que decidem interromper espontaneamente a gestação e para a promoção de experiências gratificantes no trabalho.
Abstract
Assunto
Psicologia - Teses, Empatia - Teses, Trabalho - Teses, Aborto - Teses, Saúde mental - Teses
Palavras-chave
Empatia, Fadiga por compaixão, Satisfação por compaixão, Saúde do trabalhador, Abortamento induzido
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