Papel dos receptores nicotínicos no relaxamento vascular

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Maristela de Oliveira Polentini
Rosaria Dias Aires
Rita de Cássia Aleixo Tostes Passaglia
Stêfany Bruno de Assis Cau

Resumo

Os receptores colinérgicos são basicamente de dois tipos: nicotínicos (nAChRs), que formam canais iônicos ativados por ligante e os muscarínicos (mAChRs), que são acoplados à proteína G. Até o momento, é bem aceito que o relaxamento vascular induzido pela acetilcolina (ACh) é mediado pela ativação de mAChRs, presentes no endotélio vascular, principalmente do subtipo M3. Alguns estudos têm demonstrado a presença dos componentes de síntese, transporte e degradação da ACh em vários tecidos não-neuronais. Dados bastante consistentes do nosso grupo, em aorta de camundongos, apontam para um importante papel dos nAChRs α7 na vasodilatação dependente do endotélio mediada pela ACh. No entanto, a existência dos componentes do sistema colinérgico não neuronal em vasos, o mecanismo pelo qual o nAChR participa da resposta vasodilatadora e se esses receptores são funcionais em vasos humanos, ainda não são conhecidos. Portanto, este trabalho propôs estudar a presença do sistema colinérgico não-neuronal em vasos humanos, bem como, avaliar a participação dos nAChRs no relaxamento vascular dependente de endotélio e a sinalização intracelular desencadeada por essa resposta. Foram utilizados segmentos de artéria mamária e veia safena humana de pacientes, de ambos os sexos, submetidos a cirurgias de revascularização cardíaca . Para avaliar a expressão gênica dos componentes do sistema colinérgico foi utilizada a técnica de RT-PCR. A expressão proteica dos receptores mAChR M3 e nAChR α7 foi avaliada por Western blot. Co-imunoprecipitação, seguida de Western blot foi utilizada para avaliar a possibilidade de uma interação física entre os nAChRs e mAChRs. A participação dos nAChRs na resposta vasodilatadora induzida pela ACh foi avaliada utilizando um sistema de banho de órgãos. Para avaliar o mecanismo envolvido na resposta vasodilatadora foi utilizada aorta de camundongo. A determinação da [Ca+2]i foi feita na linhagem de célula endotelial humana EA-hy926 por microscopia de fluorescência. Foi identificado a expressão gênica do transportador de colina de alta eficiência (SLC5A7), das enzimas butirilcolinesterase (BChE) e acetilcolinesterase (AChE), responsáveis pela degradação da ACh, da enzima colina acetil-transferase (CHAT), que realiza a síntese de ACh, além de mAChRs M3 e nAchRs α7. Foi demonstrada também a expressão proteica dos mAChRs M3 e nAChRs α7 no endotélio. Esses dados são consistentes com a presença de um sistema colinérgico não-neuronal (SCNN) em artéria mamária e veia safena de humanos. A ACh induziu um efeito vasodilatador concentração-dependente que foi dependente da presença de um 16 endotélio funcional e abolido pela atropina, um antagonista dos receptores muscarínicos, tanto na artéria mamária como na veia safena de humanos. A estimulação direta dos nAChRs, com um agonista não-seletivo (DMPP) e um agonista seletivo dos nAChRs α7 (PNU-282987), não induziu efeito vasodilatador. Curiosamente, o bloqueio farmacológico com dois antagonistas dos nAChRs mecamilamina e D-tubocurarina, reduziu a resposta vasodilatadora em cerca de 40%. Nossos dados sugerem que o efeito vasodilatador mediado pela estimulação dos mAChRs é, em parte, dependente da ativação dos receptores nAChRs, já que o bloqueio desses receptores diminuiu a resposta vasodilatadora. No entanto, a ativação dos nAChRs é dependente da ativação prévia dos mAChRs. Foi demonstrado a formação de um imunocomplexo ou uma proximidade muito grande entre o mAChRs M3 e o nAChRs α7. Foi possível observar que já na condição basal, esses receptores parecem estar ligados fisicamente no endotélio vascular de aorta de camundongos, e que após estímulo com ACh ou muscarina, na presença e na ausência de atropina, a formação do complexo não é alterada. O mesmo acontece na condição basal em humanos. Esses dados sugerem que o mAChRs M3 e o nAChRs α7 parecem estar ligados fisicamente e/ou muito próximos para co-imuprecipitarem juntos. O bloqueio da pequena proteína G Rho-A com Rhosin (inibidor do domínio de ligação Rho GEF de Rho-A), diminuiu a resposta vasodilatadora induzida pela muscarina na aorta de camundongo. Ainda, o bloqueio farmacológico dos receptores de potencial transitório (TRPs) com bloqueadores não seletivos e seletivos para o subtipo do receptor de potencial transitório vanilóide 4 (TRPV-4), a resposta vasodilatadora foi reduzida em 40%. Esses achados indicam que Rho-A e os TRPs também estar envolvidos na resposta vasodilatadora da ACh. Dessa forma, os dados deste trabalho, em conjunto, mostram que existe um sistema colinérgico não-neuronal na veia safena e na artéria mamária de humanos. Mais importante, estes dados sugerem que os nAChRs α7 participam da resposta vasodilatadora dependente de endotélio mediada pela ACh. O mecanismo parece não envolver uma ativação direta dos nAChR α7, mas sim a ativação do mAChRs M3 que fariam parte de um complexo formado pela heterodimerização com os nAChR α7.

Abstract

Assunto

Farmacologia, Receptores nicotínicos, Acetilcolina, Vasodilatação

Palavras-chave

Receptores nicotínicos, Relaxamento vascular, Acetilcolina

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