Para além de uma questão feminina: a opressão das mulheres na sociabilidade do capital

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

Título alternativo

Beyond a feminine issue: the oppression of women in the sociability of capital

Primeiro orientador

Membros da banca

Silvana Mara de Morais dos Santos
Ana Elisa Correa Cruz
Verônica Maria Ferreira
Janaynna de Moura Ferraz

Resumo

Defendemos a tese de que, a opressão à mulher no capitalismo é determinada pela relação de divisão sexual do trabalho subsumida ao processo de produção e valorização do valor. Nesse ínterim, variações na forma e intensidade dessa relação são verificadas em função das necessidades assumidas pelo capital em distintos contextos históricos e do momento em que se encontra a acumulação capitalista (Saffioti, 1976), o que se expressa em um movimento não linear de avanço na alteração da realidade de subjulgação das mulheres, mas um movimento contraditório de avanços e retrocessos. Nesse sentido, consideremos que, em momentos de crise do Capital a necessidade de intensificação da exploração demanda um processo de rebaixamento mais intenso do valor da força de trabalho e a intensificação das relações de opressão em geral e da opressão à mulher em particular, pode ser um aspecto acionado pelo sistema capitalista para auxiliar nesse movimento em pelo menos dois aspectos: no movimento de retração das forças de trabalho e aumento do exército industrial; na maior demanda de trabalho reprodutivo, a qual engendra uma maior disponibilidade das mulheres trabalhadoras para realizar tais atividades de forma gratuíta para a classe trabalhadora. Assim, buscamos analisar os impactos da última grande crise econômica mundial, a qual começou a ser sentida de forma mais intensa no Brasil especialmente a partir de 2013, nas condições materiais de vida e trabalho das mulheres trabalhadoras brasileiras. Foi possível analisar que o impacto decorrente da crise econômica e política atinge de forma ainda mais intensa as mulheres trabalhadoras que vivenciam maiores taxas de desocupação, informalidade e diminuição significativa dos salários médios além de um aumento expressivo de todas as formas de violência contra a mulher a partir de 2013, em especial da violência doméstica (IPEA,2022; IBGE, 2022). Verifica-se ainda, um recuo do Estado no provimento de políticas públicas direcionadas para a autonomia econômica e social da mulher, e o direionamento das políticas para um fortalecimento do repasse das atividades reprdutivas para a instância da família, portanto, verificamos um fortalecimento da instituição familiar e da divisão sexual do trabalho mediada pelo que se convencionou chamar “moral conservadora”. Por meio das análises e dados apresentados concluímos que apesar de importantes, os avanços alcançados, por um lado não têm garantido alterações concretas nas relações de subjugação da mulher pelo homem, por outro lado, que não são conquistas fixas, mas se constituem em um movimento de avanços e retrocessos, como verificados na última década. Nesse sentido, acreditamos que somente a libertação da mulher trabalhadora e do homem trabalhador da auto-alienação do trabalho liberta o ser humano das condições de exploração e opressão existente, por superar a cisão colocada pela propriedade privada dos meios de produção que constituíram as novas bases concretas para a opressão.

Abstract

We defend the thesis that the oppression of women in capitalism is determined by the relationship of sexual division of labor subsumed in the process of production and valorization of value. In the meantime, variations in the form and intensity of this relationship are verified depending on the needs assumed by capital in different historical contexts and the moment in which capitalist accumulation is found (Saffioti, 1976), which is expressed in a non-linear movement of advancement in changing the reality of women's subjugation, but a contradictory movement of advances and setbacks. In this sense, let us consider that, in times of capital crisis, the need to intensify exploitation demands a process of more intense lowering of the value of labor power and the intensification of relations of oppression in general and the oppression of women in particular, can be an aspect activated by the capitalist system to assist in this movement in at least two aspects: in the movement of retraction of labor forces and increase of the industrial army; in the greater demand for reproductive work, which engenders greater availability of working women to carry out such activities free of charge for the working class. Thus, we seek to analyze the impacts of the last major global economic crisis, which began to be felt more intensely in Brazil, especially from 2013, on the material living and working conditions of Brazilian women workers. It was possible to analyze that the impact resulting from the economic and political crisis hits women workers even more intensely, who experience higher rates of unemployment, informality and a significant decrease in average wages, in addition to a significant increase in all forms of violence against women. from 2013, especially domestic violence (IPEA, 2022; IBGE, 2022). There is also a retreat by the State in the provision of public policies aimed at women's economic and social autonomy, and the direction of policies towards strengthening the transfer of reproductive activities to the family, therefore, we see a strengthening of the institution family and the sexual division of labor mediated by what is conventionally called “conservative morality”. Through the analyzes and data presented, we conclude that, despite being important, the advances achieved, on the one hand, have not guaranteed concrete changes in the relations of subjugation of women by men, on the other hand, that they are not fixed achievements, but constitute a movement of advances and setbacks, as seen in the last decade. In this sense, we believe that only the liberation of working women and working men from the self-alienation of work frees human beings from the existing conditions of exploitation and oppression, by overcoming the split posed by private ownership of the means of production that constituted the new bases concrete means of oppression.

Assunto

Direitos das mulheres, Mulheres, Capitalismo, Conflito social

Palavras-chave

Opressão Feminina, Exploração, Crise, Capitalismo, Emancipação, Mulheres, Reprodução Social

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