Parasitos de canídeos domésticos e silvestres da região do Parque Nacional da Serra do Cipó - Minas Gerais, Brasil
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Joziana Muniz de Paiva Barçante
Flavio Henrique Guimaraes Rodrigues
Flavio Henrique Guimaraes Rodrigues
Resumo
Nas últimas décadas doenças vêm ganhando papel de destaque entre os fatores que são causadores de extinção entre espécies silvestres, e maior enfoque tem sido dado àquelas transmitidas por animais domésticos, os quais crescem em número à medida que populações humanas aumentam em áreas naturais. OParque Nacional da Serra do Cipó (PARNA Serra do Cipó) e a Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira (APA Morro da Pedreira) abrigam populações de três canídeos silvestres: lobo-guará (Chrysocyon brachyurus,), raposinha-do-campo (Lycalopex vetulus) e cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) e apresentam em seus limites comunidades humanas que criam animais domésticos, entre eles o cão. O presente estudo objetivou verificar a ocorrência de endo e ectoparasitos de cães pertencentes a moradores de algumas localidades da APA Morro da Pedreira e de enteroparasitos de canídeos silvestres do PARNA Serra do Cipó. Para isso foram realizadas: coletas de sangue de 56 cães pertencentes a moradores do entorno do Parque, fezes de 45 entre estes e ectoparasitos de 33 deles; necropsias de setecães doados por esses moradores, sendo que desses foram também obtidos sangue e ectoparasitos; coletas, nas trilhas do Parque, de 38 amostras fecais de canídeos silvestres e entrevista com proprietários dos cães. Nas amostras fecais foram identificados os seguintes táxons: Ancylostomidae, Trichuridae, Toxocara sp., Spirocerca sp., Physaloptera sp., Strongyloides sp., Cestoda, Dipylidium caninum, Diphyllobothriidae, Hymenolepidae, Anoplocephalidae, Trematoda, Acanthocephala, Isospora sp., sendo predominante entre cães domésticos e cachorro-do-mato a família Ancylostomidae (42,2% e 60,0%, respectivamente) e em lobo-guará, Tichuridae (75,8%). Como achados de necropsia destacaram-se Ancylostoma caninum (57,1%), Dipylidium caninum (57,1%), Spirocerca lupi (42,8%), Toxocara canis (14,3%), Physaloptera sp. (14,3%) e Acanthocephala (14,3%). Dois cães (3,57%) apresentaram-se reativos aos testes sorológicos para leishmaniose e 41 (73,2%), para Babesia canis. Entre os ectoparasitos, foram encontrados Rhipicephalus sanguineus em 29 (87,9%) dos cães e Amblyomma cajennense em 27 (81,8%). Ctenocephalides felis felis esteve presente em 33 (100%) dos animais amostrados, sendo que, dentre essas, exemplares híbridos, os quais apresentaram variação na quetotaxia do metepisterno, exibindo características de Ctenocephalides felis felis e Cthenocephalides canis, foram encontrados em 15 (45,5%) dos cães, sendo este o primeiro relato de tal variação no Brasil. Provavelmente a sobreposição de áreas de canídeos domésticos e silvestres se dê com maior freqüência no entorno do Parque. Entretanto, são necessários estudos mais detalhados para determinar se ocorre transmissão de patógenos entre esses canídeos na área de estudo. É importante também que se conheça a ecologia dos cães que vivem em áreas de conservação, visando prever e evitar possíveis impactos causados por eles na vida silvestre, bem como a educação de populações locais, elucidando o significado de se manter seus animais sadios e com acesso limitado ao ambiente doméstico.
Abstract
Assunto
Parasitologia, Lobo-guará, Cão Parasito, Cipó, Serra do (MG)
Palavras-chave
CANÍDEOS, PARASITOS