Avaliação e caracterização da atividade anti-Toxoplasma gondii de peptídeos bioativos
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Érika Martins Braga
Thiago de Castro Gomes
Mariana Torquado Quezado de Magalhães
Érica dos Santos Martins Duarte
Thiago de Castro Gomes
Mariana Torquado Quezado de Magalhães
Érica dos Santos Martins Duarte
Resumo
O protozoário zoonótico Toxoplasma gondii é o agente etiológico da toxoplasmose, uma doença cosmopolita que atinge um terço da população mundial. Para a maioria dos indivíduos imunocompetentes a toxoplasmose se manifesta de forma variável. Neste grupo, as manifestações clínicas quando presentes, pode ocorrer um quadro polissintomático, como febre, linfadenoparia, comprometimento ganglionar, mialgia, uveíte e coriorretinite, onde a gravidade das manifestações dependerão principalmente da imunidade protetora do hospedeiro e do tipo de cepa do parasito. Dentro do grupo de risco, a forma mais grave é encontrada em crianças recém-nascidas, sendo caracterizada por lesões necróticas e inflamatórias que podem levar a sequelas neurológicas podendo causar corioretinite, encefalite e hidrocefalia. Além disso, a toxoplasmose apresenta quadro grave de evolução em indivíduos com o sistema imune comprometido (receptores de órgãos, indivíduos em tratamento quimioterápico e portadores de HIV). As terapias atualmente disponíveis para o tratamento da toxoplasmose apresentam eficácia limitada, exigem cursos prolongados e demonstram toxicidade significativa com graves efeitos colaterais nos indivíduos. Neste aspecto, torna-se indispensável a concentração de esforços para a busca de novas terapias que sejam mais eficazes contra o T. gondii e menos tóxicas ao hospedeiro. Pensando nessa perspectiva surgem os peptídeos antimicrobianos (AMPs). Tratam-se de moléculas constituintes da imunidade inata ou como produtos do metabolismo secundário de diferentes organismos (bactérias, fungos, plantas, insetos, peixes, anfíbios, aracnídeos e mamíferos) ou unicelulares, podendo ser expressos de forma constitutiva ou induzida. Os AMPs não dependem da interação com um receptor específico, tornando-os opções terapêuticas alternativas com relação aos antibióticos encontrados disponíveis comercialmente. Neste contexto, este trabalho abordou o uso potencial de diferentes peptídeos bioativos pertencentes a família das fenilseptinas, licotoxicina e surfactina como nova fonte terapêutica contra o T. gondii. Para tanto, foram realizados testes de citotoxicidade celular utilizando fibroblastos neonatais humanos NDHF, pelo método colorimétrico do MTS. A atividade anti-T. gondii foi avaliada por meio de ensaios de invasão, proliferação e de pré-tratamento de células NDHF utilizando parasitos da cepa RH de T. gondii. Em primeiro momento realizado o ensaio de citotoxicidade em células NDHF. Demonstraram toxicidade significativa concentrações superiores a 100 μg/ml de D-Phes e L-Phes, enquanto que para LyeTx e Surfactina concentrações acima de 12 μg/ml e 57,4 μg/ml, respectivamente, já foram tóxicas. As maiores concentrações não tóxicas dos peptídeos foram então utilizadas nas etapas subsequentes: Resultados obtidos após o tratamento de taquizoítos de T. gondii intracelulares com as maiores concentrações não tóxicas testadas mostraram que 100 μg/ml de D-Phes e L-Phes inibiram a proliferação em 36,56% e 28,1%, respectivamente; Já 3 μg/ml de LyeTx e 28,7 μg/ml de Surfactina inibiram a proliferação em 75,48% e 80,4%, respectivamente. Os ensaios do efeito do tratamento na invasão de parasitos pela célula hospedeira mostraram redução de 43,24 %, 50,8 %, 23,8 % e 53,3 % na invasão após incubação com 100 μg/ml de D-Phes e L-Phes, 3 μg/ml de LyeTx1 e 28,7 μg/ml de surfactina, respectivamente. Análises por microscopia óptica novamente mostraram que o tratamento com 100 μg/ml de D-Phes inibiu de forma significativa a invasão de T. gondii, reduzindo em cerca de 70 % o número de células infectadas em relação ao controle. Nossos resultados mostram que os AMPs podem ser alternativas promissoras ao desenvolvimento de novas terapias para a toxoplasmose.
Abstract
The zoonotic protozoan Toxoplasma gondii is the etiologic agent of toxoplasmosis, a
cosmopolitan disease that affects one third of the world population. For most
immunocompetent individuals, toxoplasmosis manifests itself in a variable way. In this
group, the clinical manifestations, when present, may show a polysymptomatic condition,
with fever, lymphadenopathy, ganglion involvement, myalgia, uveitis and chorioretinitis,
where the severity of the manifestations will depend mainly on the host's protective
immunity and the type of parasite strain. Within the risk group, the most severe form is
found in newborn children, being characterized by necrotic and inflammatory lesions that
can lead to neurological sequelae and can cause chorioretinitis, encephalitis and
hydrocephalus. In addition, toxoplasmosis has a severe evolution in individuals with
compromised immune systems (organ recipients, individuals undergoing chemotherapy
and HIV). The therapies currently available for the treatment of toxoplasmosis have
limited efficacy, require prolonged courses and demonstrate significant toxicity with
serious side effects in individuals. In this regard, it is essential to concentrate efforts to
search for new therapies that are more effective against T. gondii and less toxic to the host.
Thinking about this perspective, antimicrobial peptides (AMPs) appear. These are
molecules that make up the innate immunity of multicellular organisms (fungi, plants,
insects, fish, amphibians, arachnids and mammals) and can be expressed constitutively,
induced or as products of secondary metabolism. AMPs do not depend on interaction with
a specific receptor, making them alternative therapeutic options with respect to antibiotics
found commercially available. In this context, this work addressed the potential use of
different bioactive peptides belonging to the family of phenylseptins, lycotoxin and
surfactin as a new therapeutic source against T. gondii. For this purpose, cell cytotoxicity
tests were carried out in NDHF neonatal human fibroblasts using the MTS colorimetric
method. Activity Anti-T gondii was evaluated by means of invasion, proliferation and
pretreatment tests of NDHF cells using parasites of the RH strain of T. gondii. Firstly, the
cytotoxicity test was performed on NDHF cells. Concentrations greater than 100 μg /ml of
D-Phes and L-Phes have shown significant toxicity, whereas for LyeTx and Surfactina
concentrations above 12 μg/ml and 57.4 μg/ml, respectively, have already been toxic. The
highest non-toxic concentrations of the peptides were then used in the subsequent steps:
Results obtained after the treatment of intracellular T. gondii tachyzoites with the highest
tested non-toxic concentrations showed that 100 μg/ml of D-Phes and L-Phes inhibited
proliferation in 36.56 % and 28.1 %, respectively; 3 μg/ml LyeTx and 28.7 μg/ml Surfactin
inhibited proliferation by 75.48 % and 80.4 %, respectively. The tests of the effect of the
treatment on the invasion of parasites by the host cell showed a reduction of 43.24%, 50.8
%, 23.8 % and 53.3% in the invasion after incubation with 100 μg/ml of D-Phes and L-
Phes, 3 μg/ml of LyeTx and 28.7 μg/ml of surfactin, respectively. Analyzes by optical
microscopy again showed that treatment with 100 μg/ml of D-Phes significantly inhibited
the invasion of T. gondii, reducing the number of infected cells by about 70% compared to
the control. Our results show that AMPs could be an alternative to developing new
therapies for toxoplasmosis.
Assunto
Parasitologia, Toxoplasmoso/terapia, Peptídeos catiônicos, Antimicrobianos
Palavras-chave
Toxoplasma gondii, Peptídeos antimicrobianos, Tratamento