Percepção das pessoas idosas sobre as alterações cognitivas e funcionais na COVID longa
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Perception of the elderly about cognitive and functional changes in long COVID
Primeiro orientador
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Pricila Cristina Correa Ribeiro
Danielle Aparecida Gomes Pereira
Danielle Aparecida Gomes Pereira
Resumo
O envelhecimento populacional é um fenômeno que tem ganhado destaque em discussões acadêmicas e de políticas públicas. A expectativa é que, até 2030, um sexto da população mundial será composto por indivíduos com 60 anos ou mais. Durante a pandemia, os idosos formaram o grupo mais vulnerável à COVID-19, pois com o aumento da longevidade, há também um aumento das comorbidades e dos fatores de risco que afetam as condições de saúde. A COVID longa, termo usado para descrever os sintomas persistentes além da fase aguda, tornou-se um tema de crescente preocupação. Ainda sem definição consensual, é geralmente descrita como a persistência ou surgimento de novos sintomas três meses após a infecção inicial. Entre os sintomas mais comuns estão a fadiga, dificuldades respiratórias, dores musculares e articulares, distúrbios do sono e sintomas neurológicos, como o comprometimento cognitivo, que tem sido observado frequentemente entre os idosos, possivelmente devido às alterações neurológicas causadas pela infecção. O objetivo deste estudo foi compreender e discutir as alterações cognitivas e funcionais na percepção das pessoas idosas que tiveram COVID longa. Foi realizada uma investigação qualitativa pautada no método da história oral temática. Os três participantes eram idosos com 60 anos ou mais, residentes na cidade de Belo Horizonte, estado de Minas Gerais, Brasil. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas e questionários. Os dados foram analisados utilizando a técnica de análise temática reflexiva. Após a análise, os resultados foram agrupados em dois temas: “Como foi a doença?” e “Desafios da COVID longa: disfunções cognitivas e diminuição da funcionalidade”. Os idosos perceberam que a COVID longa pode levar a uma variedade de déficits cognitivos, incluindo memória de curto prazo, linguagem, atenção e funções executivas. A memória de curto prazo, frequentemente afetada, interfere na capacidade de reter informações recentes e na execução de tarefas cotidianas. Lentidão no processamento cognitivo, alterações na nomeação e fluência verbal, dificuldades em manter a atenção e comprometimento das funções executivas foram os acometimentos mais relatados entre os idosos, impactando negativamente sua independência e funcionalidade. Além disso, alterações comportamentais, como depressão e ansiedade foram mencionadas. A pandemia de COVID-19 expôs e ampliou as limitações existentes na assistência à saúde dos idosos e este estudo ressaltou a relevância de programas de reabilitação para cognição, além de uma atuação multiprofissional para que os indivíduos afetados possam se adaptar a novas situações e manter a independência em atividades mais complexas. Por fim, estes resultados poderão contribuir para o aprimoramento da prática dos profissionais de saúde para que atuem nos efeitos da COVID longa, visando o desenvolvimento de intervenções terapêuticas eficazes, além de ajudar na formulação de políticas públicas voltadas para a promoção do bem-estar das pessoas idosas.
Abstract
Population aging is a phenomenon that has gained prominence in academic and public policy discussions. It is expected that by 2030, one-sixth of the world's population will be composed of individuals aged 60 years or older. During the pandemic, the elderly formed the most vulnerable group to COVID-19, as increased longevity is accompanied by a rise in comorbidities and risk factors that affect health conditions. Long COVID, a term used to describe persistent symptoms beyond the acute phase, has become a growing concern. Although there is no consensus definition, it is generally described as the persistence or emergence of new symptoms three months after the initial infection. Among the most common symptoms are fatigue, respiratory difficulties, muscle and joint pain, sleep disturbances, and neurological symptoms such as cognitive impairment, which has been frequently observed among the elderly, possibly due to the neurological alterations caused by the infection. The aim of this study was to understand and discuss the cognitive and functional changes perceived by elderly individuals who experienced long COVID. A qualitative investigation was conducted based on the thematic oral history method. The three participants were elderly individuals aged 60 years or older, residing in the city of Belo Horizonte, in the state of Minas Gerais, Brazil. Data collection was carried out through semi-structured interviews and questionnaires. The data were analyzed using the technique of reflexive thematic analysis. After analysis, the results were grouped into two themes: "What was the illness like?" and "Challenges of long COVID: cognitive dysfunctions and decreased functionality." The elderly perceived that long COVID can lead to a variety of cognitive deficits, including short-term memory, language, attention, and executive functions. Short-term memory, often affected, interferes with the ability to retain recent information and perform daily tasks. Cognitive processing speed, changes in naming and verbal fluency, difficulties in maintaining attention, and impairment of executive functions were the most reported among the elderly, negatively impacting their independence and functionality. Additionally, behavioral changes such as depression and anxiety were mentioned. The COVID-19 pandemic exposed and amplified existing limitations in elderly healthcare, and this study highlighted the relevance of cognitive rehabilitation programs, in addition to a multidisciplinary approach to help affected individuals adapt to new situations and maintain independence in more complex activities. Finally, these results may contribute to improving the practice of healthcare professionals in addressing the effects of long COVID, aiming at the development of effective therapeutic interventions, as well as helping to formulate public policies aimed at promoting the well-being of the elderly.
Assunto
Idosos - Saúde e higiene, COVID-19 (Doença), Cognição
Palavras-chave
Pessoa idosa, Cognição, Covid-19, Pesquisa qualitativa
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