Dispensação ambulatorial de opioides pelo sistema único de saúde no Brasil e em Minas Gerais

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Tipo

Dissertação de mestrado

Título alternativo

Outpatient dispensation of opioids by the unified health system in Brazil and in Minas Gerais

Primeiro orientador

Membros da banca

Michelle dos Santos Severino Costa
Helian Nunes de Oliveira
Mirna Bastos Marques

Resumo

A dor é uma experiência pessoal e subjetiva, influenciada por aspectos sensitivos e culturais, os quais podem ser modificados por variáveis socioeconômicas e psíquicas individuais e ambientais. A dor geralmente está associada ao sofrimento e frequentemente ligada a limitações no trabalho e na vida social, impactando negativamente a qualidade de vida e a situação financeira. A intensidade da dor está diretamente relacionada à idade, sexo, etnia, renda familiar e duração do sintoma. Estudos indicam que aproximadamente 50% da população brasileira experimenta algum tipo de dor, muitas vezes sub tratada mesmo com medicamentos opioides. Esses medicamentos devem ser prescritos conforme as orientações de organizações como a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Sociedade Brasileira de Estudo da Dor (SBED) e o Protocolo de Dor Crônica (PCDT). Apesar da importância dos opioides, no Brasil, há uma subutilização desses fármacos, devido a obstáculos sociais, legais, burocráticos e à "opiofobia". Comparativamente a países da Europa e América, o Brasil apresenta um baixo consumo de opioides, embora tenha experimentado um aumento nas prescrições nos últimos anos, entre 2009 e 2015, especialmente destacando-se o opioide codeína. Objetivos: O objetivo deste estudo é descrever quantitativamente a evolução da dispensação dos opioides codeína, morfina e metadona de liberação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil em Minas Gerais, no período de 2018 a 2023.Métodos: Com dados obtidos do DATASUS , analisou-se o consumo dos opioides codeína, morfina e metadona, sendo os resultados expressos em Dose Diária Definida (DDD) por milhão de habitantes, adaptado a 72% da população que usa o SUS, consumidos no Brasil e em Minas Gerais, em cada ano estudado.Resultados: Durante o período deste estudo, os opioides mais consumidos tanto no Brasil quanto em Minas Gerais foram a codeína e a metadona. Observou-se um aumento progressivo no consumo geral de todos os opioides analisados, expresso em DDD por milhão de habitantes, em ambas as localidades. Houve variações significativas no consumo dessas substâncias ao longo do período estudado, com picos e reduções. A codeína de 30mg registrou um aumento de 71% no Brasil e 5% em Minas Gerais, enquanto a metadona de 10mg apresentou aumentos de 105% e 115%, respectivamente, refletindo flutuações frequentes relacionadas aos tipos de apresentação, liberação rápida ou controlada, e concentrações de opioides. Nota-se um declínio na liberação dos opioides em Minas Gerais ocorrido em 2019. Observou-se um consumo abaixo do recomendado por organizações internacionais, que gera preocupações sobre o potencial sofrimento da população.Conclusões: Em relação ao consumo dos opioides estudados, observou- se um consumo reduzido, considerado “muito inadequado” pela OMS. Houve uma tendência de crescimento anual de 5,36% no consumo de opioides no Brasil e de 56% ao ano em Minas Gerais. Os resultados revelam um cenário preocupante de flutuações e baixo consumo dessas substâncias opioides. Esses resultados sublinham a complexidade do uso de opioides no Brasil e destacam a necessidade de políticas de saúde pública que promovam um equilíbrio entre o acesso adequado ao tratamento da dor e a mitigação dos potenciais riscos associados ao uso indevido dessas substâncias.

Abstract

Pain is a personal and subjective experience, influenced by sensitive and cultural aspects, which can be modified by individual and environmental socioeconomic and psychological variables. Pain is generally associated with suffering and often linked to limitations in work and social life, negatively impacting quality of life and financial situation. The intensity of pain is directly related to age, sex, ethnicity, family income and duration of the symptom. Studies indicate that approximately 50% of the Brazilian population experiences some type of pain, often undertreated even with opioid medications. These medications must be prescribed according to the guidelines of organizations such as the World Health Organization (WHO), the Brazilian Society for the Study of Pain (SBED) and the Chronic Pain Protocol (PCDT). Despite the importance of opioids, in Brazil, there is an underuse of these drugs, due to social, legal and bureaucratic obstacles and "opiophobia". Compared to countries in Europe and America, Brazil has a low consumption of opioids, although it has experienced an increase in prescriptions in recent years, between 2009 and 2015, especially the opioid codeine. Objectives: The objective of this study is quantitatively describe the evolution of opioid analgesic dispensation of codeine, morphine, and methadone released by the Pharmacy of the Health Department of Minas Gerais and Brazil, from 2018 to 2023. Methods: The consumption of codeine, morphine, and methadone opioids was analyzed, with results expressed in DDD per million inhabitants, adjusted for 72% of the population using the SUS, consumed in Minas Gerais and Brazil, in each year studied. Results: This dissertation investigated opioid medication consumption in Brazil and the state of Minas Gerais, emphasizing significant variations in their distribution. During the study period, the most consumed opioids in both Brazil and Minas Gerais were codeine and methadone. There was a progressive increase in the overall consumption of all opioids analyzed, expressed in DDD per million inhabitants, in both locations. There were significant variations in the consumption of these substances over the study period, with peaks of elevation and periods of reduction. Codeine 30mg showed an increase of 71% in Brazil and 5% in Minas Gerais, while methadone 10mg saw increases of 105% and 115%, respectively, reflecting frequent fluctuations related to presentation types, fast or controlled release, and opioid concentrations. A decline in opioid release in Minas Gerais occurred in 2019, as per the analyzed data. Consumption was considerably below international recommendations, raising concerns about its potential impact on population health. Conclusions: Regarding the consumption of the opioids studied, consumption was observed to be significantly below the recommended levels by international organizations, deemed highly inadequate by WHO. There was an annual growth trend of 5.36% in opioid consumption in Brazil and 56% per year in Minas Gerais. The results reveal a concerning scenario of fluctuations and low consumption of these opioid substances. These findings underline the complexity of opioid use in Brazil and emphasize the need for public health policies that promote a balance between adequate access to pain treatment and mitigation of potential risks associated with misuse of these substances.

Assunto

Dor Crônica, Alcaloides Opiáceos, Transtornos Relacionados ao Uso de Opioides, Liberação Controlada de Fármacos

Palavras-chave

Dor crônica, Opioides, Consumo, Liberação de opioides

Citação

Endereço externo

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por