A carga dos transtornos de ansiedade no Brasil pelo estudo Carga Global de Doenças, 2018-2021.

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Carlos Eduardo Menezes Amaral
Cecília Costa Silva Bonadiman
Daisy Maria Xavier de Abreu
Hugo André da Rocha
Mariangela Leal Cherchiglia

Resumo

Introdução: Transtornos de ansiedade apresentam início precoce, alta prevalência e importante contribuição para aumento da morbidade na população mundial. Em 2019 afetaram 301 milhões de pessoas, sendo que 58 milhões eram crianças e adolescentes. Para o Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), em 2020, 15% mais pessoas apresentaram transtornos de ansiedade como consequência da pandemia de COVID-19 em comparação com 2019. A metodologia utilizada pelo estudo Carga Global de Doenças (GBD) visa medir o estado de saúde de uma população ao considerar tanto a incapacidade quanto a mortalidade associada à determinada doença. O presente estudo teve como objetivo descrever e analisar as estimativas da carga dos transtornos de ansiedade no Brasil e em suas Unidades Federativas, bem como comparar as estimativas do Brasil com as de outros países da América do Sul e México nos anos pré-pandêmicos (2018 - 2019) e nos anos da pandemia de COVID-19 (2020 - 2021). Métodos: Realizou-se um estudo descritivo com dados do estudo GBD 2021 utilizando a métrica: Anos de Vida Saudáveis Perdidos (DALY) cujo cálculo é a soma dos anos de vida perdidos por morte prematura (YLL) e anos vividos com incapacidade (YLD). Como os transtornos de ansiedade não são causa de morte, o YLL não é considerado para transtornos de ansiedade, o DALY é igual ao YLD. Para cálculo do YLD foi realizado multiplicação da prevalência dos transtornos de ansiedade ao seu peso da incapacidade (disability weight). Modelos estatísticos foram utilizados no estudo GBD 2021 para produção das estimativas. Resultados: O período da pandemia da COVID-19 (2020 - 2021) representou um período de aumentos tanto na prevalência em valores absolutos, quanto na taxa de prevalência padronizada por idade e da taxa DALY padronizada por idade. Em 2021, o Brasil apresentou 21.248.815 (II95%: 18.160.824 - 24.695.181) casos prevalentes dos transtornos de ansiedade, comparado a 2018 quando o número de casos foi de 16.883.600 (II95%: 14.552.196 - 19.427.966) casos, houve aumento na prevalência do número de casos de 25,8%. Durante a pandemia, o número de casos prevalentes apresentou aumentos de 18,2%, no primeiro ano (2020), e de 5,2%, no segundo ano (2021). A prevalência padronizada por idade apresentou entre 2018 e 2021 aumento de 22,9%, sendo que no primeiro ano da pandemia (2020) o aumento foi de 17,6%, e de 4,4% no segundo ano (2021). O aumento na taxa DALY padronizada por idade entre 2018 e 2021 foi de 22,7%. A taxa DALY no primeiro ano da pandemia (2020) apresentou aumento de 17,6% e, no segundo ano (2021), de 4,3%. No primeiro ano da pandemia (2020), todas as unidades subnacionais apresentaram aumentos. No segundo ano (2021), os estados que apresentaram maiores aumentos foram: Minas Gerais (8,0%), Goiás (8,4%), Rondônia (9,8%) e Paraná (10,1%). Em relação à idade e sexo, em 2021, a taxa de DALY dos transtornos de ansiedade apresentou início na infância com valores ascendentes até a faixa etária de 35 a 39 anos nas mulheres e de 40 a 44 anos nos homens. As mulheres apresentaram taxas maiores que as dos homens, no entanto foi possível observar que os aumentos foram proporcionais em ambos os sexos. Os transtornos de ansiedade ocuparam, no Brasil em 2021, o 1º e o 7º lugar como principais causas de YLD e DALY, respectivamente. Globalmente ocupam a 23ª posição de DALY e a 5ª posição de YLD. Na América do Sul e México, o DALY varia da 6ª posição no Peru até a 18ª posição na Guiana, e o YLD varia da 1ª posição na Bolívia, Equador, Paraguai e Peru até a 6ª posição no México e Venezuela. Considerações finais: A pandemia de COVID-19 foi responsável por aumentos dos transtornos de ansiedade no Brasil e no mundo. As mulheres, crianças e os adolescentes foram os grupos mais vulneráveis aos transtornos de ansiedade. Portanto, compreendemos que a utilização dos resultados do estudo GBD podem contribuir para efetivação dos cuidados às pessoas com transtornos de ansiedade e melhor direcionamento das políticas públicas.

Abstract

Introduction: Anxiety disorders have an early onset, high prevalence, and a significant contribution to increased morbidity in the global population. In 2019, they affected 301 million people, 58 million of whom were children and adolescents. According to the Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), in 2020, 15% more people developed anxiety disorders as a result of the COVID-19 pandemic compared to 2019. The methodology used by the Global Burden of Disease (GBD) study aims to measure the health status of a population by considering both disability and mortality associated with a given disease. This study aimed to describe and analyze estimates of the burden of anxiety disorders in Brazil and its Federative Units, as well as in other South American countries and Mexico, in the pre-pandemic years (2018-2019) and during the COVID-19 pandemic (2020-2021). Methods: A descriptive study was conducted with data from the GBD 2021 study using the metric Healthy Life Years Lost (DALY), calculated as the sum of years of life lost due to premature death (YLL) and years lived with disability (YLD). Since anxiety disorders are not a cause of death, YLL is not considered for anxiety disorders; DALY is equal to YLD. To calculate YLD, the prevalence of anxiety disorders was multiplied by their disability weight. Statistical models were used in the GBD 2021 study to produce the estimates. Results: The COVID-19 pandemic period (2020 - 2021) represented a period of increases in both absolute prevalence, age-standardized prevalence rate, and age-standardized DALY rate. In 2021, Brazil had 21,248,815 (95% UI: 18,160,824 - 24,695,181) prevalent cases of anxiety disorders, compared to 2018 when the number of cases was 16,883,600 (95% UI: 14,552,196 - 19,427,966) cases, there was an increase in the prevalence of cases of 25.8%. During the pandemic, the number of prevalent cases increased by 18.2% in the first year (2020) and by 5.2% in the second year (2021). The age-standardized prevalence increased by 22.9% between 2018 and 2021, with an increase of 17.6% in the first year of the pandemic (2020) and 4.4% in the second year (2021). The increase in the age-standardized DALY rate between 2018 and 2021 was 22.7%. The DALY rate in the first year of the pandemic (2020) increased by 17.6% and, in the second year (2021), by 4.3%. In the first year of the pandemic (2020), all subnational units showed increases. In the second year (2021), the states that showed the largest increases were: Minas Gerais (8.0%), Goiás (8.4%), Rondônia (9.8%), and Paraná (10.1%). Regarding age and sex, in 2021, the DALY rate for anxiety disorders began in childhood with increasing values up to the age group of 35 to 39 years in women and 40 to 44 years in men. Women had higher rates than men; however, it was possible to observe that the increases were proportional in both sexes. In Brazil in 2021, anxiety disorders ranked first and seventh as the leading causes of YLDs and DALYs, respectively. Globally, they rank 23rd in DALYs and fifth in YLDs. In South America and Mexico, DALYs range from sixth in Peru to eighteenth in Guyana, and YLDs range from first in Bolivia, Ecuador, Paraguay, and Peru to sixth in Mexico and Venezuela. Final considerations: The COVID-19 pandemic has led to an increase in anxiety disorders in Brazil and worldwide. Women, children, and adolescents were the groups most vulnerable to anxiety disorders. Therefore, we believe that using the results of the GBD study can contribute to effective care for people with anxiety disorders and better targeting of public policies.

Assunto

Prevalência, COVID-19, Pandemias, Anos de Vida Ajustados por Qualidade de Vida, Transtornos de Ansiedade, SARS-CoV-2, Expectativa de Vida, Fatores Sexuais, Infecções por Coronavirus, Pneumonia Viral

Palavras-chave

Transtornos de ansiedade, COVID-19, DALY, Prevalência, Brasil

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