“Cineastas do mundo, uni-vos!” : performatividade e enunciação em As armas e o povo e outras aparições de Glauber Rocha
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Autor(es)
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Paulo Manuel Ferreira da Cunha
Patrícia Furtado Mendes Machado
Elton Antunes
César Geraldo Guimarães
André Guimarães Brasil
Pedro Vaz Perez
Patrícia Furtado Mendes Machado
Elton Antunes
César Geraldo Guimarães
André Guimarães Brasil
Pedro Vaz Perez
Resumo
A partir de As Armas e o Povo (1975), filme produzido pelo Coletivo de Trabalhadores da Atividade Cinematográfica de Portugal sobre a Revolução dos Cravos, que tem a participação de Glauber Rocha nas tomadas de rua do 1º de Maio de 1974 – primeira comemoração popular após a recente queda do regime ditatorial –, o cineasta terceiro-mundista entra decisivamente no campo da imagem para não mais sair. O desafio que se coloca para esta Tese é investigar, partindo inicialmente de um corte sincrônico, como essa intromissão de Glauber Rocha passa a ser um procedimento formal recorrente nas suas produções posteriores à experiência portuguesa (de Claro a Abertura). O olhar diacrônico se estende ainda às produções anteriores, a fim de averiguar se o senso de performatividade que o orienta nessas aparições não seria um dado já prefigurado na sua direção de atores, por exemplo. Considera-se, ainda, as inflexões críticas de Glauber Rocha, que ao longo da sua carreira modulam seu pensamento sobre o fazer cinematográfico. Buscar-se-á, portanto, compreender as modulações que permitem perceber como esse senso de performatividade, que se manifesta e orienta o diretor dentro e fora de campo, aponta para o ensaísmo poético-crítico e o jornalismo inventivo. Procura-se, por fim, mostrar que as afirmativas, proposições e reflexividade do pensamento – lançando mão de recursos residuais da ironia e do metadiscurso – nos ajudam a compreender como a entrada para o campo da imagem passa a fazer parte do projeto estético e político de Glauber Rocha e ampara seus experimentos com uma nova audiovisualidade.
Abstract
Since As Armas e o Povo (1975), a film produced by Coletivo Trabalhadores da Atividade Cinematográfica de Portugal about the Carnation Revolution, the filmmaker Glauber Rocha, who collaborates interviewing people in the street demonstration of May 1, 1974 – the first popular celebration after the recent fall of the dictatorial regime –, decisively enters into onscreen space and never leaves it. This PhD Dissertation aims to investigate, firstly from a synchronic perspective, how Glauber Rocha's intrusion becomes a recurring formal procedure to be found in all his productions following his Portuguese experience (from Claro to Abertura). Combining a diachronic perspective, the study considers the previous productions in order to ascertain to what extent the sense of performativity that guides him in these appearances is already prefigured in his actors directing, for instance. We also assess some of Glauber Rocha's critical writings, which communicate his thoughts on filmmaking. Therefore, we will seek to understand the modulations that allow us to see how this sense of performativity, which manifests itself and guides the director on- and offscreen space, points toward poetic-critical essayism and inventive journalism. Finally, it will be shown how statements, propositions, and reflexivity of thought – making use of residual resources of irony and metadiscourse – help us understanding how entry into onscreen space becomes part of Glauber Rocha's aesthetic and political project and supports his exercising of a new audiovisuality.
Assunto
Comunicação - Teses, Rocha, Glauber, 1939-1981, As Armas e o Povo (Filme), Cinema brasileiro - Teses
Palavras-chave
Glauber Rocha, As Armas e o Povo, Cinema brasileiro, Tricontinentalismo, Revolução dos cravos, Audiovisual