Implantação do centro de transplante de microbiota fecal do instituto alfa de gastroenterologia do hospital das clínicas da UFMG e análise dos primeiros resultados em pacientes com infecção recorrente ou refratária pelo Clostridioides difficile

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Dissertação de mestrado

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Resumo

Introdução: O Transplante de Microbiota Fecal (TMF) é uma importante opção terapêutica para a infecção recorrente ou refratária pelo Clostridioides difficile, sendo método seguro e eficaz. Resultados iniciais sugerem que o TMF também desempenha um papel relevante em outras afecções cuja patogênese envolve a alteração da microbiota intestinal. No entanto, seu uso sistematizado é pouco difundido, especialmente no Brasil. Na última década, surgiram múltiplos relatos e séries de casos utilizando diferentes protocolos para o TMF, sem padronização de métodos e com taxas de resposta variáveis. No Brasil, foram relatados poucos casos isolados de TMF, com taxa de sucesso em torno de 90%, realizados de forma experimental, sem a implantação de um Centro de Transplante de Microbiota Fecal (CTMF). É objetivo principal desse estudo descrever o processo envolvido na implantação de um Centro de Transplante de Microbiota Fecal (CTMF) no Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG/EBSERH (IAG-HC/UFMG) para o tratamento de infecção recorrente e refratária pelo C. difficile e analisar prospectivamente os resultados do tratamento a curto e longo prazo. Métodos: O CTMF foi estruturado dentro dos critérios exigidos e aprovados por organismos internacionais como o FDA (Food and Drug Administration), Grupo Europeu de Transplante de Microbiota Fecal e em consonância com os aspectos epidemiológicos e regulatórios nacionais. Resultados: Foi estabelecida plataforma que define todas as etapas envolvidas na seleção de doadores universais, processamento e armazenamento de amostras, uniformização de vias de administração do substrato fecal e seguimento a curto e longo prazo dos pacientes transplantados. A seleção de doadores foi realizada em três etapas: pré-triagem, avaliação clínica e triagem laboratorial. A maioria dos candidatos foi excluída na primeira (75,4%) e segunda etapa (72,7%). Os principais critérios clínicos de exclusão foram: diarreia aguda recente, excesso de peso (índice de massa corporal ≥ 25 kg / m²) e distúrbios gastrointestinais crônicos. Apenas quatro dos 134 candidatos foram selecionados como doadores após rastreio completo, com taxa de detecção de doadores habilitados de 3%. Ao todo foram realizados 11 transplantes em 10 pacientes com ICD recorrente. A taxa de resolução primária, com apenas um procedimento, foi de 80% e a taxa de remissão geral, após segundo TFM, foi de 90%. A ocorrência de eventos adversos foi semelhante à observada em outros estudos. A maioria dos eventos adversos foram autolimitados e de resolução espontânea. Conclusão: A implantação de um centro de transplante, inédito no nosso país, permitiu o acesso de pacientes com infecção recorrente pelo C. difficile a tratamento inovador, seguro e efetivo. A seleção adequada de doadores qualificados é vital no processo de implantação de um CTMF. A rigorosa avaliação clínica dos doadores permitiu o uso racional de recursos. Um centro de transplante de microbiota possibilita oferecer um tratamento sob demanda, menos personalizado, com mais segurança e rastreabilidade. Mesmo em países emergentes, onde há preocupação com doenças tropicais e infecciosas, o TMF parece ser uma estratégia segura e efetiva no tratamento de ICD recorrente.

Abstract

Assunto

Transplante de Microbiota Fecal, Clostridioides difficile, Fezes, Infecções por Clostridium, Dissertação Acadêmica

Palavras-chave

transplante de microbiota fecal, Clostridioides difficile, fezes, infecções por Clostridium

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