Aderência à dietary approaches to stop hypertension (dash) e risco de hipertensão arterial: resultados do estudo longitudinal de saúde do adulto (ELSA-Brasil)
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
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Aline Cristina Lopes
Gustavo Velasques Melendez
Gustavo Velasques Melendez
Resumo
INTRODUÇÃO: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um dos principais fatores de risco para carga global de doenças crônicas não transmissíveis. Estudos experimentais mostraram que adesão ao padrão dietético Abordagens Dietéticas para Parar a Hipertensão (DASH) reduz os níveis pressóricos, porém os estudos observacionais, especialmente os longitudinais, ainda são escassos e os resultados inconsistentes.
OBJETIVO: Investigar se alta aderência à dieta DASH está associada à menor incidência de hipertensão arterial sistêmica (HAS) e verificar se essa associação é mediada pelo índice de massa corporal (IMC).
MÉTODOS: Foram elegíveis para esta análise longitudinal 7.961 livres de hipertensão na linha de base (2008 a 2010) que participaram da segunda visita de exames e entrevistas (2012 a 2014) do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). O ELSA-Brasil é uma coorte multicêntrica, composta por 15.105 servidores públicos ativos ou aposentados com idade entre 35 e 74 anos pertencentes a seis instituições de ensino superior e pesquisa localizadas em seis capitais de estados brasileiros (Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória). A aderência à dieta DASH na linha de base foi mensurada por meio de uma pontuação baseada em 8 itens alimentares categorizada em decis e agrupadas em baixa, média (categoria de referência) e alta aderência. A HAS foi definida por pressão arterial sistólica >140mmHg ou pressão arterial diastólica >90mmHg ou uso de medicamento anti-hipertensivo. Associação independente entre aderência à dieta DASH e incidência de HAS foi estimada por modelos de regressão de Cox Estratificados, sendo garantidos os pressupostos de proporcionalidade dos riscos em cada estrato, com base na análise de resíduos de Schoenfeld. Foram realizados ajustes sequenciais por idade (transformação quadrática), raça/cor, escolaridade, renda familiar per capita, comportamentos (tabagismo, atividade física no lazer, consumo de álcool, mudança do hábito alimentar nos últimos 6 meses, calorias totais), história familiar de HAS e IMC. Por meio destes modelos foram estimados os Hazard ratio (HR) e intervalos de 95% de confiança da associação entre a maior aderência à dieta DASH e HAS. O nível de significância estatística foi de 5%.
RESULTADOS: Foram observados 1.157 casos novos HAS em 3,8 anos de seguimento, a incidência de HAS padronizada por idade foi menor no grupo de alta aderência à DASH (11.3% IC95%:8.5-13.6). Após ajustamento por características sociodemográficas, comportamentos relacionados à saúde e história familiar de HAS, comparada à média aderência média a dieta DASH, a alta aderência à dieta DASH foi associada à menor risco de hipertensão arterial (HR:0.75 IC95%:0.58-0.96). Essa associação perdeu significância estatística após ajuste por IMC (HR:0.80 IC95%:0.62-1.02). A baixa aderência à dieta DASH não foi associada à incidência de hipertensão arterial.
CONCLUSÃO: Nossos achados sugerem que a maior aderência a DASH foi associada a menor risco de HAS em período de seguimento relativamente curto e a redução do peso corporal parece ser um potencial mecanismo por meio do qual a DASH atua sob os níveis pressóricos.
Abstract
INTRODUCTION: Systemic arterial hypertension (SAH) is one of the main risk factors for the global burden of chronic noncommunicable diseases. Experimental studies have shown that adherence to the Dietary Approaches to Stop Hypertension diet (DASH) reduces blood pressure levels, but observational studies, especially longitudinal ones, are still scarce and the results are inconsistent.
OBJECTIVE: To investigate whether high adherence to the DASH diet is associated with a lower incidence of systemic arterial hypertension (SAH) and to verify if this association is mediated by body mass index (BMI).
METHODS: 7,961 baseline hypertensive participants (2008 to 2010) who participated in the second visit of examinations and interviews (2012 to 2014) of the Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brazil) were eligible for this longitudinal analysis. ELSA-Brazil is a multi-center cohort composed of 15,105 active or retired public servants aged between 35 and 74 years old belonging to six higher education and research institutions located in six capitals of Brazilian states (Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo and Vitória). Adherence to the DASH diet at the baseline was measured by a score based on 8 food items categorized as deciles and grouped into low, medium (reference category) and high adherence. SAH was defined as systolic blood pressure> 140mmHg or diastolic blood pressure> 90mmHg or use of antihypertensive medication. Independent association between adherence to the DASH diet and the incidence of SAH was estimated by Stratified Cox regression models, and the proportionality assumptions of the risks in each stratum were guaranteed, based on the Schoenfeld residue analysis. Sequential adjustments by age (quadratic transformation), race / color, schooling, per capita family income, behaviors (smoking, physical activity in leisure, alcohol consumption, change in eating habits in the last 6 months, total calories), family history of SAH and BMI. Through these models, the Hazard Ratio (HR) and 95% confidence intervals of the association between the higher adherence to the DASH and SAH diet were estimated. The level of statistical significance was 5%.
RESULTS: 1,157 new HBP cases were observed in 3.8 years of follow-up; the incidence of age-standardized HBP was lower in the high adherence group to DASH (11.3% CI95%: 8.5-13.6). After adjusting for sociodemographic characteristics, health related behaviors and family history of hypertension, the DASH diet was associated with a lower risk of hypertension (HR: 0.75 95% CI: 0.58-0.96) . This association lost statistical significance after adjustment for BMI (HR: 0.80 95% CI: 0.62-1.02). Low adherence to the DASH diet was not associated with the incidence of hypertension.
CONCLUSION: Our findings suggest that the greater adherence to DASH was associated with a lower risk of hypertension in a relatively short period of follow-up and the reduction of body weight seems to be a potential mechanism through which DASH acts under pressure levels.
Assunto
Abordagens Dietéticas para Conter a Hipertensão, Hipertensão, Estudos Longitudinais, Incidência, Obesidade, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Dieta DASH, Hipertensão, Incidência, Obesidade, ELSA-Brasil