Fatores determinantes da deambulação comunitária ilimitada em indivíduos após acidente vascular encefálico crônicos
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
Cerca de 70-80% dos indivíduos após o AVE voltam a deambular. Entretanto, apenas cerca de 7-30% das pessoas são capazes de deambular pela comunidade de forma independente. Muitos estudos com o objetivo de definir fatores determinantes da deambulação comunitária ilimitada, representada pela velocidade da marcha superior à 0.8m/s, já foram realizados. Entretanto, nenhum deles levou em consideração a manutenção desta velocidade de marcha por distâncias superiores a dez metros, situação necessária para uma deambulação comunitária ilimitada. Além disso, a maioria dos estudos não investigou a contribuição simultânea de variáveis que representem os níveis de estrutura e função corporal, limitação de atividade e participação e fatores pessoais, para a determinação da deambulação comunitária ilimitada. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi de investigar se deficiências motoras (força muscular de membros inferiores (MMII), equilíbrio dinâmico, coordenação motora de MMII), limitações de atividades [medidas de capacidade (velocidade de marcha) e desempenho (autopercepção da habilidade de deambular)] e fatores pessoais (autoeficácia na deambulação) caracterizam-se como fatores determinantes da deambulação comunitária ilimitada em indivíduos após AVE crônicos. Trata-se de um estudo transversal exploratório, aprovado pelo Comitê Institucional de Ética e Pesquisa da UFMG, CAAE: 65765817.3.0000.5149. Amostra foi composta por indivíduos após AVE crônicos. Os seguintes critérios de inclusão foram: possuir idade superior ou igual a 20 anos, apresentar história de AVE, com tempo médio após lesão superior a seis meses, ter capacidade deambulatória de pelo menos 14 metros, de maneira independente, não utilizar dispositivos auxiliares para marcha. As variáveis independentes foram: força muscular de MMII (dinamômetro manual), equilíbrio dinâmico (Four Step Square Test), coordenação motora de MMII (LEMOCOT), velocidade de marcha (teste de velocidade de marcha de 10 metros), autopercepção da habilidade de deambular (ABILOCO) e autoeficácia na deambulação (Modified Gait Efficacy Scale). A deambulação comunitária ilimitada foi definida como variável dependente e mensurada por meio do Teste de Caminhada de Seis Minutos. Indivíduos que caminhassem 288 metros ou mais no teste foram categorizados como deambuladores comunitários ilimitados e aqueles que percorressem menos de 288 metros foram categorizados como deambuladores comunitários limitados e aqueles que percorressem menos de 288 metros como
deambuladores comunitários limitados. Análise de regressão logística binária foi utilizada para identificar quais variáveis poderiam explicar significativamente a deambulação comunitária ilimitada nessa população. Um valor de alfa de 0,05 foi adotado para análise de regressão. 90 participantes foram incluídos no estudo. Desses, 57% eram deambuladores comunitários ilimitados. A média de idade foi de 68 anos (DP13) e tempo médio após AVE de 27 meses (DP17). A análise de regressão logística binária mostrou que velocidade de marcha (p: 0,007; OR=59,09; IC 95%= 3,05–1.144,32) e equilíbrio dinâmico (p:0,008; OR=0,87; IC 95%= 0,78–0,96) são fatores determinantes da deambulação comunitária ilimitada. Juntas, essas variáveis explicaram 84% da variação na deambulação comunitária nesses indivíduos. A velocidade de marcha e equilíbrio dinâmico mostraram-se fatores determinantes da deambulação comunitária ilimitada em indivíduos após AVE crônicos. Estudos futuros devem ser feitos para determinar se intervenções de reabilitação com o objetivo de aumentar a velocidade de marcha e o equilíbrio dinâmico levariam um indivíduo após AVE a se tornar um deambulador comunitário ilimitado.
Abstract
About 70-80% of individuals after stroke recovery to walk. Many studies with the
objective of explaining unlimited community ambulation, represented by a gait speed
greater than 0.8m/s, have already been carried out. However, none of them takes into
account the maintenance of this gait speed for distances greater than ten meters, a
necessary situation for unlimited community walking. Furthermore, most studies did
not investigate the simultaneous contribution of variables that represent levels of body
structure and function, activity and participation limitations, and personal factors to
unlimited community ambulation. To examine which of motor impairments (muscular
strength of the lower limbs, dynamic balance, and motor coordination of the lower
limbs), activity limitations (capacity- and performance-based measures), and personal
factor (self-efficacy) best explain unlimited-community ambulation in chronic stroke
individuals. This was a cross-sectional and exploratory study, approved by the
Institutional Committee of Ethics and Research of the University Federal of Minas
Gerais, CAAE: 65765817.3.0000.5149. The sample was composed of chronic stroke
individuals according to the following inclusion criteria: age ≥ 20 years, were at least
six months after the onset of the stroke; could walk independently, and were not using
any walking devices. The independent variables were: muscle strength of the lower
limbs (hand-held dynamometer), dynamic balance (Four Step Square Test), motor
coordination of the lower limbs (LEMOCOT), walking speed (10-meter walking speed
test), self-perception of locomotion (ABILOCO) and self-efficacy in walking (Modified
Gait Efficacy Scale). Unlimited-community ambulation was defined as the dependent
variable and measured by the Six Minute Walking Test (6MWT). Those individuals who
walked 288 meters or more were categorized as unlimited-community ambulators and
those who walked less than 288 meters were categorized as limited-community
ambulators. Binary logistic regression analysis was carried out to identify which
variables could significantly explain the unlimited-community ambulation. An alpha
value of 0.05 was adopted. 90 participants were included in the study. Of these, 51
(57%) were categorized as unlimited-community ambulators. The mean of age was 68
years (SD13) and mean time after stroke was 27 months (SD17). Binary logistic
regression analysis showed that walking speed (p: 0.007; OR=59.09; 95% CI= 3.05-
1,144.32) and dynamic balance (p:0.008; OR=0.87; 95% CI= 0.78-0.96) best explain
unlimited-community ambulation. Together, these variables explained 84% of the
variation in community ambulation levels. Walking speed and dynamic balance
showed to explain unlimited-community ambulation in chronic stroke individuals.
Future studies are needed to determine whether rehabilitation interventions aiming at
increasing walking speed and dynamic balance would lead to unlimited community
ambulation in chronic stroke individuals.
Assunto
Palavras-chave
Deambulação Comunitária Ilimitada, Acidente Vascular Encefálico, Reabilitação, Acidentes vasculares cerebrais, Marcha