Feminilidades em primeira pessoa: narrativas plurais,vivências singulares de mulheres nos "negócios"
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Autor(es)
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Alexandre de Padua Carrieri
Darcy Mitiko Mori Hanashiro
Marlise Miriam de Matos Almeida
Mônica Carvalho Alves Cappelle
Darcy Mitiko Mori Hanashiro
Marlise Miriam de Matos Almeida
Mônica Carvalho Alves Cappelle
Resumo
O objetivo dessa tese foi analisar a construção de feminilidades de mulheres que atuam, como gestoras em organizações em geral. O construto de feminilidades foi tomado como o de identidades femininas de gênero, as quais entendidas como construções sociais e discursivas.Partindo do arcabouço teórico da Psicodinâmica do Trabalho, considerou-se que, devido à visão androcentrada do trabalho que é vigente na sociedade ocidental, um paradoxo costuma ser referido como inerente à construção de feminilidades e à integração de mulheres no mercado de trabalho, particularmente, nos cargos de gestão. Para além de confirmar ou rechaçar essa visão paradoxal, buscou-se, na literatura dos estudos de genêro, argumentos que explicassem, historicamente, como a dominação e a hierarquização tem legado,às mulheres, os postos de trabalho menos importantes. As explicações vão desde as diferenças físicas, naturalizadas sob a forma de corpos de "homem e mulher", cada qual com suas normas e comportamentos socialmente esperados, até à divisão funcional da sociedade em esferas pública e privada: origem das diferenças políticas entre os gêneros. Concomitante aos fatores "corpo e trabalho", não se pode desconsiderar que as relações sociais de gênero indiquem relações de poder. Assim, considerou-se a influência de três vetores - corpo, trabalho e relações de poder - na forma como se manifestam os discursos "de" e "sobre" mulheres que atuam nos "negócios". Certos simbolismos de gênero, arraigados no imaginário social e difundidos por meio de veículos de comunicação de massa, acabam influenciando a prática social de homens e mulheres envolvidos no campo da gestão; de modo que existiriam, assim, certas expectativas sociais acerca de como cada um deveria se comportar. Por outro lado, o construto de feminilidades, em seu sentido relacional possibilita abarcar as expectativas e desejos individuais, segundo a forma que o indivíduo da à sua subjetividade. Propôs-se, assim, uma investigação que contemplasse tanto o componente "sociocultural" das feminilidades na atualidade, quanto a perspectiva pessoal de mulheres imersas no campo, ocupando algum cargo "de poder" no ambiente organizacional.O componente sociocultural foi tomado a partir de discursos veiculados em revistas segmentadas para o público feminino e de negócios. Para a análise desses discursos midiáticos, considerou-se a revista Claudia, segmentada para o público feminino, e a Revista Exame, voltada para profissionais que atuam no ramo de "negócios". Em uma etapa posterior, foram entrevistadas 26 mulheres, gestoras de organizações de portes e setores variados, em Belo Horizonte - MG. A análise dos dados foi feita por meio de técnicas da Análise de Discurso Crítica, empregando os tipso de significados para análise da dimensão do texto e, depois, realizando a análise da prática discursiva , visando identificar como se articulam os discursos produzidos pela mídia às subjetividades das mulheres entrevistadas. no períod investigado, não há coerência nas reportagen,relacionadas a mulheres e ao trabalho executivo, na revista feminina , uma vez que o seu discurso reforça uma excessiva "corporização" das mulheres (executivas ou não). Já na revista de negócios, os parâmetros para avaliar mulheres, que tem conquistado o "topo" nas grandes organizações, derivam dos padrões americanos de conquistas e meritocracia, sendo o avanço brasileiro, no quesito "desigualdade de gênero", subentendido como uma questão de tempo e de evolução natural. Verificou-se que as mulheres entrevistadas buscam estratégias variadas para se identificarem como mulheres e profissionais. Entretanto, não produzem uma síntese acerca dos significados de manterem suas feminilidades no trabalho, e pouco tÊm feito no sentido de recriarem formas de atuar, nos "negócios", mantendo suas identidades de gênero.
Abstract
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Assunto
Palavras-chave
Psicodinâmica do trabalho, Mulheres nos "negócios", Feminilidades, Identidades de gênero, Análise de discurso crítica