Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://hdl.handle.net/1843/68116
Tipo: Dissertação
Título: Representação social do corpo : um estudo sobre a construção e reconstrução social do corpo para mães e filhas negras
Autor(es): Camila Patrocínio Luiz da Silva
Primeiro Orientador: Adriano Roberto Afonso Nascimento
Primeiro membro da banca : Flaviane da Costa Oliveira
Segundo membro da banca: Jaíza Pollyanna Dias da Cruz Rocha
Resumo: O corpo foi, por muito tempo, entendido como simplesmente um conjunto de órgãos. Atualmente, para além dos seus componentes físicos/biológicos, admite-se que ele é também uma construção social na qual se misturam significados que os indivíduos constroem consigo mesmos, com os outros e com o mundo, sempre considerando elementos históricos, políticos e culturais da sociedade. O presente estudo teve como objetivo principal analisar as representações sociais de corpo para mulheres negras. Para atender a esse objetivo, a pesquisa, de caráter qualitativo e exploratório, contou com procedimento de coleta de dados por meio de roteiro semiestruturado. Foram entrevistadas 11 mulheres negras (mães e filhas), todas moradoras da cidade de Belo Horizonte/MG. As entrevistas foram gravadas, transcritas e submetidas à Análise de Conteúdo. Os resultados foram organizados em dois blocos: respostas das mães e respostas das filhas. Esse conjunto de resultados, analisados com o suporte da Teoria das Representações Sociais, indicou que todas as entrevistadas buscam se inserir no padrão de beleza imposto socialmente, sendo que a principal característica desse padrão, segundo elas, é a magreza. Além da magreza, manchas na pele, envelhecimento e cabelo crespo também são características corporais que impedem as mulheres de se adequarem ao padrão estético de beleza. Como estratégias para tentar alcançar esse padrão, as entrevistadas utilizam dietas, atividades físicas e procedimentos de cuidados com a pele e com o cabelo. Tanto o grupo das mães quanto o das filhas mostraram insatisfação com o corpo. Sobre o aprendizado de cuidados com o próprio corpo, mães e filhas indicaram a mãe como fonte privilegiada de ensino. A maior parte das entrevistadas afirmou haver diferenças entre os corpos de mulheres brancas e negras, sendo que a principal diferença apontada foi a imagem social, pois, segundo elas, a imagem social da mulher negra é sexualizada. Outras diferenças apontadas foram: cabelo, percebido o da mulher branca como “bom” e o da mulher negra como “ruim”, e pele, considerados aspectos de tonalidade e exigências específicas nos cuidados. Os resultados mostraram também que as relações com outras mulheres (amigas, outros familiares, colegas de trabalho) são importantes para que as entrevistadas construam as representações sociais de corpo. Por fim, a pesquisa trouxe contribuições para a área da Psicologia Social, principalmente para as representações sociais sobre o corpo, assim como para ampliar o diálogo sobre as diferenças entre o corpo da mulher negra e o corpo da mulher branca.
Abstract: The body was, for a long time, understood as simply a set of organs. Currently, in addition to its physical/biological components, it is accepted that it is also a social construction in which meanings that individuals construct with themselves, with others and with the world are mixed, always considering historical, political and cultural elements of the society. society. The main objective of this study was to analyze the social representations of the body for black women. To meet this objective, the research, of a qualitative and exploratory nature, had a data collection procedure through a semi-structured script. Eleven black women (mothers and daughters) were interviewed, all living in the city of Belo Horizonte/MG. The interviews were recorded, transcribed and submitted to Content Analysis. The results were organized into two blocks: responses from mothers and responses from daughters. This set of results, analyzed with the support of the Theory of Social Representations, indicated that all the interviewees seek to fit into the socially imposed standard of beauty, and the main characteristic of this standard, according to them, is thinness. In addition to thinness, skin blemishes, aging and frizzy hair are also body characteristics that prevent women from adapting to the aesthetic standard of beauty. As strategies to try to achieve this standard, the interviewees use diets, physical activities and skin and hair care procedures. Both the mothers' and daughters' groups showed dissatisfaction with their bodies. Regarding learning to care for their own bodies, mothers and daughters indicated the mother as a privileged source of teaching. Most of the interviewees stated that there were differences between the bodies of white and black women, and the main difference pointed out was the social image, because, according to them, the social image of black women is sexualized. Other differences pointed out were: hair, perceived by white women as “good” and black women as “bad”, and skin, considered aspects of tone and specific requirements in care. The results also showed that relationships with other women (friends, other family members, co-workers) are important for the interviewees to build social representations of the body. Finally, the research brought contributions to the area of Social Psychology, mainly for the social representations about the body, as well as to expand the dialogue about the differences between the body of the black woman and the body of the white woman.
Assunto: Psicologia - Teses
Representações sociais - Teses
Corpo - Teses
Negras - Teses
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal de Minas Gerais
Sigla da Instituição: UFMG
Departamento: FAF - DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
Curso: Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: http://hdl.handle.net/1843/68116
Data do documento: 29-Jun-2022
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