Insegurança alimentar e nutricional sob a perspectiva da interseccionalidade no município de Belo Horizonte – MG

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Luana Giatti Gonçalves
João Luiz Dornelles Bastos

Resumo

A associação entre Insegurança Alimentar (IA) e chefe da família, renda, escolaridade e raça autodeclarada já é conhecida. Entretanto, apesar da abordagem interseccional estar cada vez mais referenciada em pesquisas na área da saúde no Brasil, os estudos ainda apresentam limitações, especialmente no que diz respeito à operacionalização da abordagem e na interpretação dos resultados sob a perspectiva da interseccionalidade. Desta forma, muitas vezes, prevalece uma adição mecânica de distintos fatores sociais assim como uma oposição entre categorias, que levam ao esvaziamento teórico e uma desconsideração da relacionalidade entre domínios de poder, do contexto social e finalmente também da complexidade que análises interseccionais podem revelar para compreender os processos de determinação social das iniquidades em saúde e aqui, mais especificamente, da Insegurança Alimentar. Esta dissertação tem como objetivo analisar os padrões e a prevalência da Insegurança Alimentar sob uma perspectiva da interseccionalidade no município de Belo Horizonte. O estudo ainda traz elementos para avançar na operacionalização de uma abordagem da interseccionalidade a partir de proposições metodológicas. Dados do projeto BH-Viva, e mais especificamente dados do inquérito domiciliar realizado entre 2017 e 2018, nas vilas do Aglomerado da Serra, do Cabana Pai Thomás e seus entornos, foram utilizados. A Insegurança Alimentar foi definida através de uma adaptação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar e os indicadores utilizados para refletir as dimensões e eixos de marginalização (e previlégio) foram obtidos a partir do cruzamento entre gênero, raça/cor e vulnerabilidade socioeconômica (por meio de um Índice de Vulnerabilidade Socioeconômica sensível à Insegurança Alimentar (IVSIA) criado para este estudo através de 3 domínios - trabalho e renda, escolaridade e condições de domicílio). As associações entre a IA e as exposições foram estimadas através de modelos de regressão logística. Autodeclarados negros e pessoas em condições socioeconômicas desfavoráveis, segundo o IVSIA, apresentaram maior chance de IA, que brancos e aqueles em condições socioeconômicas mais favoráveis (OR = 2,38, IC95% = 1,56-3,64, OR = 2,85, IC95% = 1,86-4,38, respectivamente). Homens autodeclarados negros (OR = 2,16, IC95%=1,09-4,30) e mulheres autodeclaradas negras (OR = 3,11, IC95%= 1,61-6,01) tiveram maior chance de IA do que homens brancos. Assim como pessoas autodeclaradas negras em situação socioeconômica favorável (OR = 2,14, IC95%=1,34-3,40) estavam mais vulneráveis à IA do que pessoas brancas nas mesmas condições. Contudo, foram as mulheres negras em condições desfavoráveis que tiveram as maiores chances de apresentar IA (OR = 7,50, IC95% = 3,20-17,58). Os resultados revelam que a IA é marcada por iniquidades que envolvem interações interseccionais e trazem elementos para repensar pesquisas na área, assim como, as políticas públicas que visam garantir a Segurança Alimentar e Nutricional.

Abstract

Assunto

Insegurança Alimentar, Enquadramento Interseccional, Fatores Socioeconômicos, Desigualdades de Saúde, Segurança Alimentar, Vulnerabilidade em Saúde, Acessibilidade aos Serviços de Saúde, Disparidades nos Níveis de Saúde

Palavras-chave

Insegurança alimentar, Interseccionalidade, Iniquidades sociais, Iniquidades em saúde

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