Análise temporal, espacial e fatores relacionados às incidências por sífilis adquirida, gestacional e congênita em Minas Gerais, 2007-2021
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Resumo
A sífilis representa um desafio significativo para a saúde pública do Brasil, com taxas crescentes
nos últimos anos. Trata-se de uma infecção curável que pode ser dividida em adquirida,
gestacional ou congênita. Este estudo tem como objetivo analisar a distribuição espacial e
temporal das taxas de incidência e mortalidade da Sífilis Adquirida (SA), Sífilis Gestacional
(SG) e Sífilis Congênita (SC) em Minas Gerais (MG), entre 2007 e 2021, além de investigar
indicadores socioeconômicos e de acesso à saúde associados à distribuição espacial, com ênfase
no coeficiente de mortalidade por sífilis congênita. Foi conduzido um estudo ecológico de base
populacional utilizando dados do Portal da Vigilância em Saúde de Minas Gerais, considerando
os 853 municípios e as 10 Regiões de Planejamento de MG. A dependência espacial foi
analisada por meio dos Índices de Moran Global e Local (LISA), enquanto a tendência temporal
das taxas de incidência foi estimada por Modelos Aditivos Generalizados (GAM). Também
foram identificados clusters espaciais de alto risco por meio da estatística Scan e os riscos de
ocorrência em cada município foram estimados utilizando Modelos Autorregressivos
Condicionais (CAR). Os indicadores socioeconômicos considerados incluíram o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de Gini, e os de acesso foram a cobertura da
Estratégia de Saúde da Família (ESF) e a Cobertura de consultas de pré-natal, considerando um
mínimo de sete consultas. Foram notificados 83.432 casos confirmados de sífilis adquirida, com
taxa de incidência média, com base no período, de 36,02 por 100.000 habitantes, para sífilis em
gestante foram 36.517 casos com taxa de detecção média de 9,5 por 1.000 nascidos vivos (NV)
e para sífilis congênita foram 21.483 casos com taxa de detecção média de 5,58 por 1.000 NV.
Em relação a SC, foram 141 óbitos em menores de um ano no estado, com coeficiente de
mortalidade médio de 3,63 por 100.000 NV. Para todas as formas de sífilis, houve uma
diminuição da detecção no ano de 2020, com retomada ascendente no ano subsequente. O risco
de ocorrência das doenças foi crescente e positivo para para SG e SC a partir de 2014, e para
SA a partir de 2015. Houve clusters espaciais de alto risco para SG e SC nas regiões Central,
Norte, Rio Doce, Mata e Jequitinhonha–Mucuri, enquanto para SA um cluster envolveu as
regiões Central, Mata, Rio Doce e Centro-Oeste. Houve associação espacial entre ter um
mínimo de 7 consultas de pré- natal e menor coeficiente de mortalidade por SC (Índice de
Moran= -0,0412, p-valor < 0,05). E correlação significativa entre maior cobertura de ESF e
menor incidência de SA (rho=-0,250, p<0,0001). O estudo demonstra a relevância do uso de
Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e de modelos espaço-temporais para análises em
saúde, contribuindo para a compreensão da dinâmica epidemiológica da sífilis em Minas, e
fornecendo subsídios para o aprimoramento das estratégias de controle e prevenção,
considerando as diferentes RP. Visando-se evitar óbitos por SC, é essencial a ampliação do
número de consultas de pré-natal, especialmente nas regiões mais vulneráveis do estado.
Abstract
Syphilis represents a significant challenge for public health in Brazil, with increasing rates in
recent years. It is a curable infection categorized into acquired, gestational, or congenital forms.
This study aims to analyze the spatial and temporal distribution of incidence and mortality rates
of Acquired Syphilis (AS), Gestational Syphilis (GS), and Congenital Syphilis (CS) in Minas
Gerais (MG), from 2007 to 2021. It also investigates socioeconomic and healthcare access
indicators associated with spatial distribution, focusing especially on congenital syphilis
mortality. A population-based ecological study was conducted using data from the Minas Gerais
Health Surveillance Portal, considering municipalities and the 10 Planning Regions (PR) of MG.
Spatial dependence was analyzed through Global and Local Moran’s Index (LISA), while
temporal trends in incidence rates were estimated using Generalized Additive Models (GAM).
High-risk spatial clusters were identified using Scan statistics, and municipal risks were
estimated using Conditional Autoregressive (CAR) models. Socioeconomic indicators included
the Human Development Index (HDI) and Gini Index; healthcare access indicators were
coverage of the Family Health Strategy (FHS) and prenatal care coverage, considering a
minimum of seven consultations. 83,432 confirmed cases of acquired syphilis were reported,
with an average incidence rate, based on the period, of 36.02 per 100,000 inhabitants, for
syphilis in pregnant women there were 36,517 cases with an average detection rate of 9.5 per
1,000 live births (LB) and for congenital syphilis there were 21,483 cases with a detection rate
average of 5.58 per 1,000 NV. In relation to CS, there were 141 deaths in children under one
year of age in the state, with an average mortality coefficient of 3.63 per 100,000 LB.For all
forms of syphilis, detection decreased in 2020 but increased again in the subsequent year.
Disease occurrence risk was rising and positive for GS and CS from 2014 and for AS from 2015
onwards. Spatial high-risk clusters for GS and CS were identified in the Central, North, Rio
Doce, Mata, and Jequitinhonha-Mucuri regions, while AS had a cluster encompassing Central,
Mata, Rio Doce, and Midwest regions. Spatial analysis showed an association between having
at least seven prenatal consultations and a lower CS mortality coefficient (Moran’s Index =
0.0412, p-value < 0.05). A significant correlation was also observed between higher FHS
coverage and lower AS incidence (rho = -0.250, p < 0.0001). The study highlights the importance
of Geographic Information Systems (GIS) and spatiotemporal models for health analysis,
contributing to the understanding of syphilis epidemiology dynamics in Minas Gerais and
providing insights to enhance control and prevention strategies across different PRs. To prevent
deaths from CS, it is crucial to expand prenatal consultations, especially in the most vulnerable
regions of the state.
Assunto
Sífilis, Sífilis Congênita, Políticas, Planejamento e Administração em Saúde, Análise Espaço-Temporal, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Sífilis Adquirida, Sífilis Gestacional, Sífilis Congênita, Regiões de Planejamento, Análises Espaço-Temporais, Minas Gerais