Violência sofrida por pacientes mulheres sob a perspectiva de profissionais farmacêuticos.
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Cristiane de Paula Rezende
Kirla Barbosa Detoni
Kirla Barbosa Detoni
Resumo
A violência contra a mulher constitui uma violação dos direitos humanos e um problema
de saúde pública histórico. Tendo em vista a capilaridade e acessibilidade que os
ambientes de atuação dos farmacêuticos proporcionam, estes profissionais podem
desempenhar um papel essencial na identificação, no apoio às mulheres em situação de
violência e no enfrentamento da violência. Diante do exposto, o objetivo deste trabalho
foi analisar as perspectivas de profissionais farmacêuticos no tocante ao atendimento de
situações de violência contra pacientes mulheres, em seus ambientes de trabalho. Para
tal, foi realizada uma pesquisa com métodos mistos, a partir dos dados de uma survey
online realizada entre setembro de 2021 e março de 2022, com profissionais inscritos no
Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais. Foram exploradas respostas dadas às
questões: "Você já identificou uma situação de violência à mulher com alguma paciente
que frequenta seu ambiente de trabalho?";"Explique uma situação de violência que mais
chamou sua atenção." Adotou-se análises descritivas da frequência da identificação de
violência e avaliação de fatores associados por regressão logística. Para análises
qualitativas, utilizou-se a análise de conteúdo com identificação de temas, construção de
narrativas e de nuvem de palavras. Dos 139 respondentes, 30,6% identificaram
situações de violência em seus ambientes de trabalho, sendo as violências psicológica
(47,6%) e física (22,8%) as mais frequentes. Na nuvem de palavras construída,
prevaleceram as palavras “violência”, "medo” e o conjunto de termos referentes ao
“agressor”. Quatro categorias emergiram da análise de conteúdo: “Violência psicológica,
patrimonial e física sob a ótica farmacêutica”, “Do domínio sobre o corpo à violência
sexual”, “O apagamento da violência” e “Da vivência à busca da superação da violência”.
Os resultados demonstraram que a violência está presente no ambiente de trabalho
farmacêutico. Os profissionais reconheceram situações diversificadas de violência, e,
mesmo tipos mais invisibilizados, como violência psicológica e patrimonial, foram
exemplificados. Evidencia-se o potencial do profissional farmacêutico e de seus
ambientes de trabalho para o apoio em situações de violência, apesar da necessidade
de sua qualificação para tal.
Abstract
Violence against women constitutes a violation of human rights and a historic public
health problem. Given the capillarity and accessibility that the work environments of
pharmacists obtain, these professionals can play an essential role in identifying and
supporting women in situations of violence and in confronting violence. In view of the
above, the objective of this study was to analyze the experiences of pharmaceutical
professionals in dealing with situations of violence against female patients in their work
environments. To this end, a mixed methods research was carried out, based on data
from an online survey carried out between September 2021 and March 2022, with
professionals registered with the Minas Gerais Regional Pharmacy Council. Answers to
the questions were explored: "Have you ever identified a situation of violence against
women with a patient who frequents your work environment?"; "Explain a situation of
violence that caught your attention the most." Descriptive analysis of the frequency of
identification of violence and assessment of associated factors using logistic regression
were adopted. For qualitative analyses, content analysis was used with identification of
themes, construction of narratives and word clouds. Of the 139 respondents, 30.6%
identified situations of violence in their work environments, with psychological (47.6%)
and physical (22.8%) violence being the most frequent. In the constructed word cloud,
the words “violence”, “fear” and the set of terms referring to the “aggressor” prevailed.
Four categories emerged from the content analysis: “Psychological, patrimonial and
physical violence from a pharmaceutical perspective”, “From domination over the body to
sexual violence”, “The erasure of violence” and “From the experience to the search for
overcoming violence”. The results demonstrated that violence is present in the
pharmaceutical work environment. Professionals recognized diverse situations of
violence, and even more invisible types, such as psychological and property violence,
were exemplified. The potential of pharmaceutical professionals and their work
environments to provide support in situations of violence is evident, despite the need for
their qualifications to do so.
Assunto
Palavras-chave
Farmacêuticos, Saúde da mulher, Violência contra a mulher, Violência de gênero