Transplantes de orgãos no Brasil: uma análise à luz da biopolítica

dc.creatorElisângela Domingues Michelatto Natt
dc.date.accessioned2019-08-10T22:13:53Z
dc.date.accessioned2025-09-09T01:17:37Z
dc.date.available2019-08-10T22:13:53Z
dc.date.issued2017-07-12
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/BUOS-AWPM99
dc.languagePortuguês
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectTransplante de órgãos e tecidos, etc Aspectos sociais Brasil
dc.subjectPolíticas públicas Brasil
dc.subjectBiopolítica
dc.subject.otherTransplantes
dc.subject.otherControle
dc.subject.otherBiopolítica
dc.subject.otherFoucault
dc.titleTransplantes de orgãos no Brasil: uma análise à luz da biopolítica
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor1Alexandre de Padua Carrieri
local.contributor.referee1Meiriele Tavares de Araújo
local.contributor.referee1Amon Narciso de Barros
local.contributor.referee1Dimitri Augusto da Cunha Toledo
local.contributor.referee1Elisa Yoshie Ichikawa
local.description.resumoO objetivo desse trabalho foi o desvelar dos elementos que conciliam a biopolítica em torno dos temas relacionados aos transplantes de órgãos no Brasil, por meio de uma contextualização em torno do tema transplantes de órgãos, a fim de conhecer as possibilidades tecnológicas e legais que essa inovação científica incita na sociedade. Para isso, foram realizadas a coleta e a análise de materiais que continham informações sobre o tema, tais como a mídia impressa e eletrônica, processos judiciais, documentos oficiais e sites do governo e de associações de transplantes. Esse material, atrelado ao conceito de biopolítica, permitiu que alguns aspectos fossem discutidos, bem como contribuiu para a construção de um corpus de conhecimento para a área da Administração, mais especificamente para a área dos Estudos Organizacionais. Para as análises foram abordados os conceitos de biopolítica e governamentalidade trabalhados por Foucault (1979; 2000a; 2008a; 2008b). Associados ao conceito de biopolítica foram trazidos alguns elementos sobre o cuidado de si (FOUCAULT, 2014c), que complementaram o entendimento do processo vivenciado pelos indivíduos que estão sujeitos às normalizações do mundo dos transplantados. O conceito de biopolítica se refere à mudança nas formas de poder que perpassam a sociedade desde o final do século XIX. Essas mudanças fizeram emergir formas de poder mais elaboradas, e instrumentos mais sutis que fizeram da sociedade, uma sociedade de controle. A partir de uma perspectiva liberal, os governos passaram a gerir a vida, segmentando populações e fazendo com que os sujeitos se submetessem voluntariamente aos instrumentos de controle. A biopolítica é esse gerir da vida pelo Estado. É a política da vida. Sob esse conceito, o presente trabalho trata das políticas de transplantes de órgãos no Brasil, apontando seus principais aspectos, sua relação com o mercado, os elementos que a escapam e que, ao mesmo tempo são o seu resultado, e as implicações que ela tem para a sociedade e para os indivíduos. Em uma sociedade de controle, percebeu-se que os transplantes de órgãos figuram uma estratégia biopolítica sofisticada, que traz os elementos de um liberalismo econômico aplicado à vida (em seu sentido biológico), permite o desenvolvimento de dispositivos eficazes no controle das populações e corroboram para um senso-consenso que é fundamental à governamentalidade no mundo moderno. Ao concluir essa tese foi possível compreender as implicações de uma política da vida que se apoia nos interesses individuais para segmentar populações e controlar territórios. Os transplantes de órgãos representam os esforços de imunizar a sociedade contra os perigos que possam suscitar uma instabilidade econômica, para o governo e para o mercado. Aliás, esse trabalho demonstra a apropriação dos instrumentos de gestão para o controle da vida. Uma inovação como a dos transplantes permitiu não apenas prolongar a vida e mudar o sentido da morte, mas também ocasionou novas formas para aplacar os indivíduos em um mundo indexado à empresa. O duplo sentido da biopolítica (PELBART, 2007), onde o poder sobre a vida alcança dimensões intangíveis a partir da própria potência individual, é observado no mundo dos transplantes na medida em que alcança o sentido em suas condições mais primitivas e lhes permite elaborar novos sentidos e resistências, apropriando-se, também, dessas resistências num ciclo interminável, ao menos enquanto as formas de poder exigirem estratégias biopolíticas para o controle da sociedade.
local.publisher.initialsUFMG

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