Avaliação da plasticidade do tecido adiposo em camundongos magros ou moderadamente obesos submetidos ao jejum e realimentação
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Evaluation of adipose tissue plasticity in lean or mildly obese mice after fasting and refeeding
Primeiro orientador
Membros da banca
Daniella Bonaventura
Jacqueline Isaura Alvarez Leite
Jacqueline Isaura Alvarez Leite
Resumo
INTRODUÇÃO: Evidências têm demonstrado que o jejum pode ser uma estratégia para redução de adiposidade. Entretanto, ainda existem poucos trabalhos que investiguem a biologia do tecido adiposo após período de jejum e realimentação. OBJETIVO: Avaliar o efeito da realimentação após período de jejum no remodelamento e inflamação do tecido adiposo de animais magros e moderadamente obesos. METODOLOGIA: Camundongos machos BALB/c com 12 semanas de idade foram divididos em dois grupos experimentais e ambos alimentados durante 8 semanas com dieta padrão (LABINA, magros) ou dieta rica em carboidratos refinados (HC, moderadamente obesos). Na vigésima semana de vida, foram submetidos aos protocolos de jejum por 3h, 24h ou 48h. Os animais submetidos ao jejum de 48h foram posteriormente realimentados por 24h com as dietas padrão ou HC. Em seguida, os camundongos foram anestesiados e posteriormente eutanasiados. O soro, fígado e os tecidos adiposos epididimal, retroperitoneal, mesentérico, inguinal e marrom foram coletados. Parâmetros bioquímicos séricos, peso dos tecidos adiposos, análises histomorfológicas de diferentes tecidos foram realizadas. O mRNA foi isolado dos tecidos epididimal e inguinal e a expressão de genes lipolíticos, lipogênicos e inflamatórios foram avaliados por qPCR. RESULTADOS: Animais alimentados com dieta HC apresentaram-se moderadamente obesos, i.e com aumento de adiposidade sem alteração de peso. Além disso, apresentaram alteração no metabolismo da glicose e de lipídios, aumento basal da lipólise, adipocinas e mediadores inflamatórios no tecido adiposo epididimal e inguinal. Tanto em animais magros como os moderadamente obesos, o jejum de 24h não foi suficiente para reduzir a adiposidade. Com o prolongamento do jejum para 48h, os animais magros apresentaram redução da adiposidade acompanhada pelo aumento de fibrose intersticial, da expressão de genes lipolíticos e citocinas inflamatórias no tecido adiposo epididimal e inguinal. Em contrapartida, os animais moderadamente obesos não foram responsivos a perda de adiposidade, sem alteração na expressão de genes lipolíticos e citocinas inflamatórias no tecido adiposo. Nas análises do fígado, após jejum de 48h, as concentrações hepáticas de triglicérides e colesterol, assim como a quantidade de gotículas macrovesiculares, estavam aumentados nos animais magros. Em contrapartida, apesar dos animais moderadamente obesos não apresentaram alterações nas concentrações de triglicérides e colesterol, ocorreu o aumento de gotículas microvesículares (< 65 μm²) após jejum prolongado, que se manteve no período da realimentação. Após o período da realimentação com dieta padrão por 24h, animais magros apresentaram retorno aos valores basais da adiposidade corporal. Animais moderadamente obesos realimentados com dieta HC apresentaram aumento da inflamação sistêmica, caracterizada por aumento da concentração de leucócitos, linfócitos, granulócitos, e de pentraxina 3. Em contrapartida, quando os animais moderadamente obesos foram realimentados com dieta padrão, apresentaram atenuação dessa inflamação sistêmica. CONCLUSÃO: Animais moderadamente obesos são resistentes à perda de adiposidade sob o estímulo do jejum, caracterizando um estado de inflexibilidade inflamatória, marcado pela falha na lipólise e no aumento de mediadores inflamatórios no tecido adiposo. Quando esses animais são realimentados com dieta padrão, não apresentam diferença na adiposidade visceral e subcutânea. Em contrapartida, quando realimentados com dieta HC, apresentam aumento da inflamação sistêmica. Dessa forma, o padrão alimentar “saudável” na realimentação após jejum, independente da perda de peso, foi importante para evitar a inflamação pós-prandial, que por sua vez é ocasionada pela realimentação com dieta não saudável, ou seja, rica em carboidratos refinados.
Abstract
INTRODUCTION: Evidence has shown that fasting may be a strategy for reducing adiposity.
However, few studies have investigated the biology of adipose tissue after fasting and
refeeding. AIM: To evaluate the effect of refeeding after fasting on the remodeling and
inflammation of adipose tissue in lean and mildly obese mice. METHODS: BALB/c male
mice were divided into two experimental groups and fed for 8 weeks with a standard diet
(LABINA, lean) or a diet high in refined carbohydrates (HC, mildly obese). During the
twentieth week of life, they were subjected to fasting protocols for 3h, 24h or 48h. Mice
subjected to 48h of fasting were subsequently refed for 24h on a standard or HC diet. The mice
were anesthetized and euthanized. Serum and liver, epididymal, retroperitoneal, mesenteric,
inguinal, and brown adipose tissues were collected. Serum biochemical parameters, adipose
tissue weight, and histomorphological analyses of the different tissues were performed. mRNA
was isolated from epididymal and inguinal tissues, and the expression of lipolytic, lipogenic,
and inflammatory genes was evaluated using qPCR. RESULTS: Mice fed the HC diet were
mildly obese, that is, they showed increased adiposity without weight change. Additionally,
they presented alterations in glucose and lipid metabolism, basal increases in lipolysis,
adipokines, and inflammatory mediators in epididymal and inguinal adipose tissue. In both lean
and mildly obese mice, a 24-hour fast was insufficient to reduce adiposity. With the
prolongation of fasting to 48 h, lean mice showed a reduction in adiposity accompanied by an
increase in interstitial fibrosis, expression of lipolytic genes, and inflammatory cytokines in
epididymal and inguinal adipose tissues. In contrast, mildly obese mice were not responsive to
adiposity loss, with no change in the expression of lipolytic genes and inflammatory cytokines
in the adipose tissue. In liver analyses, after 48-hour fasting, hepatic concentrations of
triglycerides and cholesterol, as well as the amount of macrovesicular droplets, were increased
in lean mice. In contrast, although mildly obese mice did not show alterations in triglyceride
and cholesterol concentrations, there was an increase in microvesicular droplets (<65 μm²) after
prolonged fasting, which persisted during the refeeding period. After a 24-hour refeeding
period with a standard diet, lean mice returned to baseline values of body adiposity. Mildly
obese mice fed the HC diet showed an increase in systemic inflammation, characterized by an
increase in leukocyte, lymphocyte, granulocyte, and pentraxin 3 concentrations. However,
when mildly obese mice were fed a standard diet, there was an attenuation of this systemic
inflammation. CONCLUSION: Mildly obese mice are resistant to adiposity loss under fasting
stimulus, characterized by a state of inflammatory inflexibility, marked by failure in lipolysis
and increased inflammatory mediators in adipose tissue. When these animals were fed a
standard diet, there was no difference in visceral or subcutaneous adiposity. In contrast, when
re-fed with an HC diet, they presented with increased systemic inflammation. Therefore, a
"healthy" dietary pattern in re-feeding after fasting, regardless of weight loss, was important to
prevent postprandial inflammation, which is caused by re-feeding with an unhealthy diet, i.e.,
rich in refined carbohydrates.
Assunto
Fisiologia, Obesidade, Jejum, Tecido Adiposo, Metabolismo
Palavras-chave
Obesidade, Jejum, Realimentação, Tecido adiposo, Inflexibilidade metabólica, Inflamação