Cultura organizacional para segurança do paciente em farmácias da atenção primária em Belo Horizonte
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Organizational Culture for patient safety in primary care pharmacies in Belo Horizonte
Primeiro orientador
Membros da banca
Marina Guimarães Lima
Fátima Ferreira Roquete
Fátima Ferreira Roquete
Resumo
Nos últimos anos, a preocupação mundial com a segurança do paciente tem
aumentado e, para que iniciativas que priorizem a segurança do paciente sejam
realizadas, o conhecimento referente ao gerenciamento da segurança relacionado à
cultura organizacional é relevante. Neste sentido, um dos importantes instrumentos
para avaliar a visão individual dos profissionais sobre a segurança em sua
organização, em momento particular do tempo, é a avaliação do clima de segurança.
O objetivo deste trabalho foi analisar as atitudes de segurança no ambiente de
trabalho que evidenciam o clima de segurança do paciente, a partir da visão dos
profissionais que atuam nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde de uma
regional de Belo Horizonte. Trata-se de estudo transversal, com abordagem
qualitativa, cujo método foi o estudo de caso descritivo. A amostra do estudo foi
composta por 94 profissionais de nível médio/técnico e 10 farmacêuticos que atuam
nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde da Regional Nordeste de Belo
Horizonte, que concordaram em participar voluntariamente da pesquisa, após
assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido. Os profissionais de nível
médio/técnico são escalados na farmácia em esquema de rodízio, de acordo com
escala elaborada por enfermeiros, e os farmacêuticos integram o Núcleo de Apoio à
Saúde da Família e possuem atribuições técnico-gerenciais e assistenciais. A coleta
de dados foi realizada através de Questionário de Caracterização Pessoal e
Profissional e Questionário de Atitudes de Segurança (QAS), em sua versão curta,
adaptada e validada para a língua portuguesa, com adequação para a realidade das
farmácias. Esse questionário é composto por seis domínios, que são: (1) Clima de
Trabalho em Equipe; (2) Satisfação no Trabalho; (3) Percepção da Gerência; (4)
Clima de segurança, (5) Condições de Trabalho e (6) Percepção do Estresse.
Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os 10 farmacêuticos
sobre a gestão das farmácias, dificuldades e facilidades para sustentação de uma
cultura de segurança no setor. Os dados coletados por meio dos Questionários de
Caracterização Pessoal e Profissional e QAS foram submetidos à análise estatística
do tipo descritiva, além de análise estatística para correlações entre as variáveis. Foi
realizado o cálculo da média geral do questionário e a média de pontuação por
domínio, com avaliação da confiabilidade pelo Coeficiente Alfa de Cronbach. Foram
correlacionados dados sociodemográficos com os escores do QAS. Os dados
obtidos através das entrevistas com os farmacêuticos foram submetidos à análise de
conteúdo do tipo categorial temática. O grupo pesquisado apresentou predominância
do sexo feminino (94,2%), 71,2% dos participantes foram técnicos de enfermagem,
11,5% auxiliares de enfermagem, 9,6% farmacêuticos, 5,8% técnicos de farmácia e
1,9% outros e o tipo de vínculo predominante foi o contrato administrativo
temporário, que evidencia precarização do trabalho. A avaliação geral do QAS
demonstrou percepção baixa quanto ao clima de segurança das farmácias, com
escore de 74,7. Dos 6 domínios do QAS, apenas 2 foram considerados positivos:
Satisfação no Trabalho (81,7) e Clima de Trabalho em Equipe (77,2). Em
contrapartida, os domínios com pontuações mais baixas foram Condições de
Trabalho (70,1), seguido por Percepção da Gerência (71,7). A média geral do QAS e
de todos os domínios foi menor para o grupo dos farmacêuticos, exceto Percepção
do Estresse. O domínio Satisfação no Trabalho apresentou correlação negativa com
tempo de experiência. Os dados coletados através das entrevistas com
farmacêuticos foram organizados em 5 categorias: Perfil dos profissionais que
trabalham nas farmácias, Dificuldades na gestão das farmácias e sustentação de
uma cultura de segurança no setor; Facilidades na gestão das farmácias e
sustentação de uma cultura de segurança no setor, Compreensão dos participantes
sobre a cultura de segurança do paciente; Sugestões para melhorias no processo de
trabalho e cultura de segurança da farmácia. As dificuldades percebidas pelos
farmacêuticos para sustentação de uma cultura de segurança no setor foram
relacionadas à visão simplista do trabalho desenvolvido na farmácia, que muitas
vezes não é encarado como serviço de saúde, à ausência de equipe fixa e de
profissionais com formação técnica específica no setor, alta rotatividade de
profissionais, sobrecarga de trabalho do farmacêutico e ausência de apoio do
gerente da unidade de saúde. Conclui-se que o clima de segurança das farmácias
das Unidades Básicas de Saúde precisa ser aperfeiçoado e prestar cuidados
seguros significa mudar atitudes e práticas de todos os profissionais envolvidos no
cuidado ao paciente, através do desenvolvimento de uma cultura não punitiva e
investimento em capacitações, reuniões e treinamentos. Como produto técnico deste
estudo foi elaborado um relatório técnico a ser apresentado à Secretaria Municipal
de Saúde de Belo Horizonte, a fim de fomentar o aperfeiçoamento da cultura de
segurança das farmácias.
Abstract
In recent years, worldwide concern about patient safety has increased and, for
initiatives that prioritize patient safety to be carried out, knowledge regarding safety
management related to organizational culture is relevant. In this sense, one of the
important instruments to assess the individual view of professionals about safety in
their organization, at a particular moment in time, is the assessment of the safety
climate. The objective of this work was to analyze the safety attitudes in the work
environment that evidence the patient safety climate, from the perspective of
professionals who work in the pharmacies of the Basic Health Units of a region in
Belo Horizonte. This is a cross-sectional study, with a qualitative approach, whose
method was the descriptive case study. The study sample consisted of 94 high
school/technical professionals and 10 pharmacists who work at the pharmacies of
the Basic Health Units of the Northeast Region of Belo Horizonte, who agreed to
voluntarily participate in the research, after signing the Informed Consent Form. High
school/technical professionals are assigned to a pharmacy on a rotating basis,
according to a schedule prepared by nurses, and pharmacists are part of the Family
Health Support Group and have management, technical and assistance
assignments. Data collection was carried out through the Personal and Professional
Characterization Questionnaire and the Safety Attitudes Questionnaire (SAQ), in its
short version, adapted and validated for the Portuguese language, with adaptation to
the reality of the pharmacies. This questionnaire is composed of six domains, which
are: (1) Teamwork Climate; (2) Job Satisfaction; (3) Management Perception; (4)
Safety climate, (5) Working Conditions and (6) Stress Perception. Semi-structured
interviews were also carried out with the 10 pharmacists about the management of
pharmacies, difficulties and easiness in supporting a safety culture in the department.
Data collected through Personal and Professional Characterization Questionnaires
and SAQ were subjected to descriptive statistical analysis, in addition to statistical
analysis for correlations between variables. The general mean of the questionnaire
and the mean score per domain were calculated, with reliability assessment using
Cronbach's Alpha Coefficient. Sociodemographic data were correlated with SAQ
scores. The data obtained through interviews with pharmacists were submitted to
thematic categorical content analysis. The group studied was predominantly female
(94.2%), 71.2% of the participants were nursing technicians, 11.5% nursing
assistants, 9.6% pharmacists, 5.8% pharmacy technicians and 1, 9% others and the
predominant type of bond was the temporary administrative contract, which shows
precarization of work. The general assessment of the SAQ shows a low perception of
the safety climate in pharmacies, with a score of 74.7. Of the 6 SAQ domains, only 2
were considered positive: Job Satisfaction (81.7) and Teamwork Climate (77.2). In
contrast, the domains with the lowest scores were Working Conditions (70.1),
followed by Management Perception (71.7). The overall mean of the SAQ and of all
domains was lower for the pharmacists group, except for the Perception of Stress.
The Job Satisfaction domain showed a negative correlation with time of experience.
The data collected through interviews with pharmacists were organized into 5
categories: Profile of professionals working in pharmacies, Difficulties in managing
pharmacies and sustaining a safety culture in the department; Easiness in the
management of pharmacies and support of a safety culture in the department,
Participants' understanding of the patient safety culture; Suggestions for
improvements in the work process and safety culture in the pharmacy. The difficulties
perceived by pharmacists in sustaining a safety culture in the department are related
to the simplistic view of the work developed in the pharmacy, which is often not seen
as a health service, the absence of a fixed team and professionals with specific
technical training in the department, high turnover of professionals, pharmacist's
workload and lack of support from the health unit manager. We concluded that the
safety climate of pharmacies in basic health units needs to be improved and
providing safe care means changing attitudes and practices of all professionals
involved in patient care, through the development of a non-punitive culture and
investment in instruction, meetings and training. As a technical product of this study,
a technical report was prepared to be presented to the Municipal Health Department
of Belo Horizonte in order to promote the improvement of the safety culture of
pharmacies.
Assunto
Segurança do Paciente, Cultura Organizacional, Assistência Farmacêutica, Atenção Primária à Saúde
Palavras-chave
Segurança do paciente, Cultura de segurança, Cultura organizacional, Assistência Farmacêutica, Atenção Primária à Saúde