Por que os pacientes não seguem adequadamente as orientaçõesMédicas? Estudo dos fatores envolvidos com a má-adesão à profilaxiasecundária da febre reumática com a penicilina-G-benzatina
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Maria da Glória Cruvinel Horta
Cristina Goncalves Alvim
Cristina Goncalves Alvim
Resumo
1.INTRODUÇÃO:Sabe-se que que a profilaxia secundária feita de forma irregular determina um pior prognóstico da febre reumática. Poucos estudos objetivos foram realizados sobre os possíveis fatores envolvidos com a má-adesão à profilaxia secundária, através da penicilina-G-benzatina.2.OBJETIVOS: Analisar os possíveis fatoresenvolvidos com a má-adesão à profilaxia Secundária. 3. METODOLOGIA: Estudo do tipo transversal, no qual uma amostra de 189 pacientes acompanhados no Ambulatório de Febre Reumática AFR/HC UFMG) foram submetidos a entrevista, utilizando-sequestionário padronizado, e análise dos cartões de controle das injeções e dos prontuários médicos de cada paciente. Foram estudadas 32 variáveis, possivelmente associadas com a má-adesão à profilaxia secundária com a penicilina-G-benzatina. Os pacientes foramconsiderados não-aderentes quando tiveram pelo menos dois atrasos de mais de sete dias na aplicação da penicilina, em relação às datas assinaladas no cartão de controle das injeções. As variáveis associadas à má-adesão, que apresentaram, na análise univariada, p<0,25, foram testadas na análise multivariada, através da regressão logística.Os cálculos foram realizados através do programa Epi-Info. O nível de significância foi estabelecido para valores de p<0,05.4.RESULTADOS: sete variáveis associadas à má-adesão na análise univariada (gênero feminino, controle da data de aplicação da penicilina, faltas às consultas, tempo de profilaxia, idade, nota para a dor da injeção, nível de informação sobre a FR)foram testadas pela análise multivariada. Destas, três mostraram-se como fatores de risco para a má-adesão: a) o gênero feminino(OR=2,20); b) maior número de faltas às consultas(OR=2,47); c) a nota para a dor da injeção(OR=1,16). A associação entre máadesão e a dor da injeção parece ser um achado inédito. Além disso, o acréscimo de anestésico ao frasco da penicilina parece reduzir a dor provocada pela injeção(p=0,007) A variável informação sobre a febre reumática, mostrou-se como fator de proteção contra a má-adesão(OR=0,74, IC=0,59-0,93). Em média, os pacientes não-aderentes tiveram uma chance 2,14 vezes maior de desenvolver recidiva, quando comparados com os aderentes (razão de prevalência=2,14, IC=1,27-3,59). 5.CONCLUSÕES:Além do gênero e idade, as crenças, percepções e atitudes, são os principais fatores associados à má-adesão.Os fatores socioeconômicos aparentemente tiveram menor importância, na amostra analisada. As recidivas e hospitalizações, mais freqüentes entre os não-aderentes, provavelmente são conseqüências da profilaxia irregular.
Abstract
INTRODUCTION: The irregular secondary prophylaxis can determine a worst prognosis of the rheumatic fever.There are few objectives studies that have been dedicated to establish the secondary prophylaxis possible risk factors.OBJECTIVES: To analyze possible factors involved with poor compliance to secondary prophylaxis of rheumatic fever SETTING: Universidade Federal de Minas Gerais, Brazil. STUDY DESIGN: Crosssectional. PATIENTS: A total of 189 patients followed-up in a rheumatic fever outpatient clinic answered a standardized questionnaire, and their injection control cards and medical charts were analyzed. Their age ranged between 8 and 27 years (mean±SD=16.8±4 years).MAIN OUTCOMES: Thirty-two variables likely associated with poor compliance to secondary prophylaxis with penicillin G benzathine were studied. Patients were considered as non-compliant when they delayed the penicillin injection beyond seven days the date scheduled in the card, at least twice. The variables associated with poor compliance with p<0.25 in the univariate analysis were tested in multivariate analysis, by means of logistic regression. RESULTS: Three variables were found to be risk factors for poor compliance: a) female gender (OR=2.20); b) greater number of missed visits (OR=2.47); c) higher injection pain score (OR=1.16). The association between poor compliance and injectionpain was a novel finding. It was also found that the addition of an anesthetic drug to the penicillin flask lowered the injection pain score (p=0.007) The variable information on rheumatic fever was shown as a protective factor against poor compliance (OR=0.74,CI=0.59-0.93). In average, the non-compliant patients had a 2.14-fold greater chance of relapse than the compliant ones (prevalence ratio =2.14, CI=1.27-3.59). CONCLUSIONS: In addition to the female gender, the beliefs, perceptions and attitudes are the main factors associated with poor compliance. The relapses and hospitalizations, more frequent between the non-compliant, probably should be consequences of the irregular prophylaxis.
Assunto
Febre reumática Prevenção, Dor/prevenção & controle, Doenças transmissíveis, Mulheres, Recusa do paciente ao tratamento, Penicilina G benzatina/uso terapêutico, Recidiva/prevenção & controle, Febre reumática/terapia, Adolescente
Palavras-chave
Dor/prevenção & controle, Mulheres, Informação, Febre reumática/terapia, Recusa do paciente ao tratamento, Penicilina G benzatina/uso terapêutico, Recidiva/prevenção & controle, Adolescente