Contar os corpus: memória e arquivo da ditadura

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Elcio Loureiro Cornelsen
Rejane Pivetta de Oliveira

Resumo

Este trabalho tem por objetivo investigar como a literatura brasileira pós-redemocratização deu testemunho da violência das políticas do ditadura em vigor no Brasil de 1964 a 1985, tendo como foco dois romances: As Horas Nuas, de Lygia Fagundes Telles, e Onde Andará Dulce Veiga?, de Caio Fernando Abreu. Buscou-se, primeiramente, uma razão para que estas duas obras fossem pouco abordadas pela crítica por este aspecto, o que se deu através de uma breve revisão da literatura sobre a ditadura desde 1964 e dos fatos históricos envolvendo a redemo-cratização. Em seguida, a partir da constatação feita por teóricos, tais como Jacques Derrida e Shoshana Felman, de que o testemunho envolve não só o relato, mas um corpo ou uma presença em ato, considerou-se como os personagens destes romances relatam a memória do trauma e da violência, mas também como corpos podem dar testemunho, sendo trabalhados portanto os conceitos de testemunho e testemunha de maneira expandida. A partir da noção de testemunha como sobrevivente, conforme desenvolvida por Giorgio Agamben, explorou-se a animalidade em As Horas Nuas, visto que é o gato Rahul o personagem que narra a violência no lugar de seu dono, Gregório, torturado e morto pela ditadura. Ademais, investigou-se a condição dos desaparecidos políticos, situação em que se encontra Ananta, em As Horas Nuas, e a perso-nagem título do romance de Caio Fernando Abreu.

Abstract

This work aims at investigating how Brazilian literature after the countrys redemocratization has given testimony of the violent policies of the dictatorial government in power from 1964 to 1985, with special focus on two novels: As Horas Nuas, by Lygia Fagundes Telles, e Onde Andará Dulce Veiga?, by Caio Fernando Abreu. At first, an effort was made to find the reasons why these works met with such scarce criticism with regard to this aspect, which was obtained through a brief review of the literature with that theme since 1964 and historical fact envolving the redemocratization. Afterwards, departing from the assertion made by theorists such as Jacques Derrida and Shoshana Felman that testimony involves not only narrative, but also a body or a presence in act, it has been considered how the characters from these novels report the memory of trauma and violence but also how bodies can give testimony, thus working the concept in an expanded way. From the notion of witness as being the survivor, as developed by Giorgio Agamben, the animality in As Horas Nuas was explored, given that it is a cat, Rahul, the character that narrates trauma on behalf of his owner, Gregório, who was tortured and killed by the regime. Besides that, the condition of forced disappearance was explored, a situation in which Ananta, from As Horas Nuas, and Dulce Veiga, from Abreus novel, are at.

Assunto

Ficção brasileira Séc XX Crítica e interpretação, Telles, Lygia Fagundes, 1923- Horas nuas Crítica e interpretação, Política e literatura, Abreu, Caio Fernando, 1948-1996 Onde andará Dulce Veiga? Crítica e interpretação, Brasil História 1964-1985, Violência na literatura, Memória na literatura

Palavras-chave

Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles, testemunho, literatura brasileira pós-redemocratização, ditadura civil-militar

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