Impactos de desastre hidrológico durante a pandemia de covid 19 no acesso a serviços de saúde por crianças para prevenção e promoção da saúde
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
Introdução: as mudanças climáticas têm ameaçado avanços de anos das políticas públicas na
saúde infantil. No mundo, bilhões de crianças estão sob alto risco de impactos na sua saúde. No
Brasil, esses riscos são principalmente pelos desastres de origem natural, em sua maioria
associados a chuvas. Mas, apesar dos impactos diretos e indiretos já evidenciados na saúde pode
estar havendo também impactos no acesso a cuidados de prevenção e promoção da saúde, ainda
não suficientemente estudados. Objetivo: estimar impactos de um desastre hidrológico no
acesso a serviços de saúde por crianças para atendimentos de prevenção e promoção da saúde,
considerando a sobreposição desse evento com a pandemia de COVID-19. Método: estudo com
desenho ecológico, descritivo e analítico. Foram estudados os números mensais de
atendimentos de prevenção e promoção da saúde (puericultura) a menores de nove anos nos
serviços públicos de atenção primária de Petrópolis, cidade da região serrana do estado do Rio
de Janeiro, no Brasil, atingida por desastre de origem natural associado a chuvas em 2022. Para
análises comparativas foi adotado um conjunto de municípios controles similares (porte, PIB,
IDH e atenção primária à saúde) ao município atingido. Taxas de atendimentos nos seis meses
após o desastre foram comparadas com durante a pandemia e com antes da pandemia
utilizando o teste Mann-Whitney U e diferenças percentuais. As taxas também foram
comparadas mês a mês adotando a razão entre taxas observadas após o desastre e taxas médias
antes e durante a pandemia analisando Intervalo de Confiança de 95%. Resultados: foram
estudados 130.221 atendimentos, sendo a maioria a crianças menores de um ano. Após o
desastre, comparando com antes da pandemia, no município atingido houve reduções
significativas nas taxas de atendimentos não observadas nos controles. A redução foi de 39%
entre os menores de um ano e de quase 30% entre os de um a quatro anos. Ao comparar com
durante a pandemia de Covid-19, os impactos observados foram no sentido contrário: entre os
menores de um ano, no atingido houve uma pequena redução de 3% enquanto nos controles
houve aumento significativo de 77%. Ao analisar as taxas mês a mês, impactos com reduções
significativas foram observados até o quinto mês após o mês do desastre entre os menores de
um ano. Conclusão: houve impactos de desastre de origem natural associado a chuvas na
utilização de serviços de saúde por crianças para a prevenção e promoção da saúde. Esses
impactos persistiram até cinco meses após o mês do desastre e foram tanto com reduções nos
atendimentos em relação à antes da pandemia quanto com a não retomada dos atendimentos em
relação à pandemia de covid-19.
Abstract
Introduction: Climate change has threatened years of public policy advances in child
health. Billions of children around the world are at high risk of health impacts. In Brazil,
these risks are mainly due to natural disasters, mostly associated with rainfall. However,
despite the direct and indirect impacts on health that have already been shown, there may
also be impacts on access to preventive care and health promotion, which have not yet been
sufficiently studied. Objective: to estimate the impact of a hydrological disaster on
children's access to health services for prevention and health promotion, considering the
overlap between this event and the COVID-19 pandemic. Method: An ecological,
descriptive and analytical study. We studied the monthly number of preventive and health
promotion visits (well-child visit) to children under 9 years old in public primary health
care services of Petrópolis, a city in the mountainous region of the Rio de Janeiro State, in
southeastern Brazil, reached by a natural disaster associated with rainfall in 2022. For
comparative analyses, a set of control municipalities similar (size, GDP, HDI and primary
health care) the reached municipality was adopted. Visit rates in the six months after the
disaster were compared with during the pandemic and with before the pandemic, using the
Mann-Whitney U test and percentage differences. The rates were also compared month by
month using the ratio between the observed rates after the disaster and the average rates
before the pandemic, analyzing the 95% Confidence Interval. Results: 130,221 visits were
studied, most of them involving children less than one year old. After the disaster,
compared to before the pandemic, in the reached municipality there were significant
reductions in the visit rates not observed in the controls. The reduction was 39% among
children under one year old and almost 30% among those between one and four years old
Compared to during the pandemic, the impacts observed were in the opposite direction:
among children under one year old, in the reached municipality there was a small reduction
of 3% while in the controls there was a significant increase of 77%. When analyzing the
rates month by month, impacts with significant reductions were observed up to the fifth
month after the month of the disaster among children under one year old. The closer in
time to the disaster, the more intense the monthly reductions in visits. Conclusion: there
was impacts of a natural disaster associated with rainfall on the use of health services by
children for prevention and health promotion. These impacts persisted for up to five months
after the month of the disaster, with reductions in visits compared to before the pandemic
and no resumption of visits compared to the COVID-19 pandemic period.
Assunto
Criança, Desastres Naturais, Desastre Hidrológico, Atenção Primária à Saúde, Promoção da Saúde, Pandemia por COVID-19, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Criança, Desastres Naturais, Desastre Hidrológico, Atenção Primária à Saúde, Promoção da Saúde, Pandemia por COVID-19