Estudando impressos e seus leitores: cenas da pesquisa e os métodos da investigação sobre as apropriações de Grande Hotel, uma revista para mulheres

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Resumo

Como diferentes indivíduos, em certas condições históricas, atribuem significado para aquilo que leem? De que modo os pesquisadores têm estudado impressos e como buscam apreender seus leitores? Em busca de respostas para essas questões, realizou-se uma pesquisa sobre Grande Hotel, analisando-se o impresso e as práticas de leitura da revista. Para tanto, fundamentou-se a investigação na História Cultural, na História da Leitura e do Livro, em trabalhos da Sociologia e da História Oral. O objetivo do estudo foi explorar a tensão entre os dispositivos que constituem um impresso de ampla circulação, “feminino”, e a apropriação de Grande Hotel por seus leitores, destacando-se neste trabalho os procedimentos metodológicos mobilizados na pesquisa. Para realizar o estudo, utilizaram-se, como fontes principais, números de Grande Hotel, que circularam no Brasil, entre 1947 (ano em que a revista começou a ser publicada no País) e 1961 (ano em que passou a ser, cada vez mais, destinada à publicação de fotonovelas). Também utilizaram-se alguns números da revista francesa Nous Deux e da revista italiana Grand Hôtel, 12 depoimentos orais de leitores do impresso na época e, como fontes complementares, cartas e registros de leitores da revista brasileira, publicados em livros de memórias. Ao se analisar a materialidade de Grande Hotel, concluiu-se que, no fim dos anos 1940, uma parte considerável de seus textos demandava um leitor geral, em quem se produzisse um prazer, pela leitura, continuamente renovado pela compra da revista. Verificou-se que seu “Leitor-Modelo” seria aquele disposto a mergulhar no mundo das relações amorosas, o qual a compõe da capa à quarta capa. Pouco a pouco, a revista passou a pressupor um leitor brasileiro e, a partir de 1950, seus redatores esperavam leitoras brasileiras. A análise dos modos de apropriação do impresso evidenciou que a fotonovela era o gênero textual mais importante do suporte para seus leitores. Embora os produtores de Grande Hotel buscassem ‘educar’ as leitoras projetadas para a revista, para alguns de seus leitores empíricos, a leitura do impresso era uma leitura feita para o lazer. Não se tratava de uma leitura para se formar. De um lado, Grande Hotel dá contornos para o dispositivo que procura conduzir modos de ler, maneiras de se relacionar com o impresso e com outros indivíduos. De outro, as memórias de seus leitores evidenciam que os sujeitos transformavam tal dispositivo, desviando-se do condicionamento que as formas materiais da revista pretendiam na produção de sentido por seus leitores.

Abstract

Assunto

Leitura - Periódicos, Leitores, Metodologia da pesquisa

Palavras-chave

Revista Grande Hotel, Modos de apropriação, Procedimentos metodológicos

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