Avaliação da qualidade da atenção aos pacientes atendidos com infarto agudo do miocárdio na Unidade Coronariana do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Luiz Alberto Piva e Mattos
Graziela Chequer

Resumo

Introdução: A padronização das condutas bem embasadas e o acompanhamento das medidas de qualidade resultaram em um declínio na mortalidade devido a infarto agudo do miocárdio (IAM), nos Estados Unidos. Já no Brasil tem-se observado elevadas taxas de mortalidade por IAM, especialmente no sistema público de saúde. Baixa adesão às medidas de qualidade (definidas pela AHA/ACC) pode contribuir para tal resultado. Em 2010, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) implementou um sistema padronizado de atendimento aos pacientes com IAM. Essa linha de cuidado foi criada conforme as recomendações do consenso da AHA/ACC (2008) e medidas de educação continuada foram realizadas para melhorar a conformidade. Objetivos: Avaliar a qualidade do tratamento ofertado aos pacientes com IAM, utilizando como base as medidas de desempenho propostas pela AHA/ACC, além de detectar os fatores relacionados ao cumprimento dessas medidas. Métodos: Foram avaliadas a adesão às 13 medidas de desempenho préespecificadas pela AHA / ACC em relação aos pacientes admitidos na UCO do HC/UFMG com IAM com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) e com IAM sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST), entre dezembro de 2011 e 2014. A adesão a cada medida de qualidade foi calculada e as variáveis independentemente associadas às taxas de adesão foram avaliadas. Resultados: Ao longo de 36 meses, foram incluídos consecutivamente 1129 pacientes (idade média de 59 ± 13 anos, 68% do sexo masculino, 70% diagnosticados com IAMCSST e 30% com IAMSSST). A mortalidade hospitalar foi de 8,7% (9,1% vs. 7,6%, respectivamente, p=0,49). Houve uma média de 83% [IQR 75/88] no cumprimento das medidas de desempenho aplicáveis AHA/ACC, 82% [IQR 72/88] para IAMCSST e 86% [IQR 83/100] para IAMSSST (p <0,001). Entre os pacientes com IAMCSST, 56% receberam terapia de reperfusão e apenas 13,6% dos pacientes submetidos à trombólise tiveram tempo porta agulha <30min.. Três quartos (75,3%) dos pacientes submetidos à ICP primária tiveram tempo porta balão <90min.. No geral, 67,3% dos pacientes atenderam a 80% das medidas (58,8% IAMCSST vs. 87,1% IAMSSST, p <0,001). Fatores independentes associados com melhor adesão ( a 80% dos critérios aplicáveis ) foram data de admissão (semestre), refletindo o ensino e a formação continuada (OR=1.19, 95%, IC 1.10-1.28, p<0,001), sexo masculino (OR=1.33, 95% IC 1.00- 1.76, p<0,046), Killip I/II na admissão (OR=1.95, 95% IC 1.36-2.80, p<0,001) e diagnóstico de IAMSSST (OR= 5.0, 95% IC 3.51-7.11, p<0.001). Conclusão: O cumprimento das medidas de desempenho AHA/ACC para IAM ainda está abaixo das taxas recomendadas, no Brasil, mas tem apresentado melhoras. A educação continuada, a redução dos atrasos do sistema e a priorização aos grupos de maior risco são necessárias para otimizar os resultados do sistema de cuidados de IAM.

Abstract

Introduction: Standardization of best practices and tracking of quality metrics have resulted in a decline in acute myocardial infarction (AMI) mortality in the United States. In contrast, Brazilian deaths from AMI continue high. Poor adherence to performance measures (defined by the AHA/ACC) may contribute. In 2010, the Federal University of Minas Gerais (UFMG) implemented a standardized AMI system of care, in-line with the AHA/ACC consensus statement (2008), and provided ongoing education to improve compliance. Objectives: To evaluate compliance with AHA/ACC performance measures for AMI at UFMG and to investigate factors associated with compliance. Methods: Compliance with 13 prespecified AHA/ACC AMI performance measures was evaluated for patients with ST-elevation AMI (STEMI) and non ST-elevation AMI (NSTEMI) between December 2011 and 2014. Median compliance was calculated and variables independently associated with compliance rates were evaluated. Results: Over 36 months, 1,129 patients were enrolled (mean age 59±13 yrs., 68% male, STEMI 70% & NSTEMI 30%). Hospital mortality was 8.7% (9.1% STEMI vs. 7.6% NSTEMI, p=0.49). Median compliance with performance measures was 83% [IQR 75/88] (82%[IQR 72/88] STEMI vs. 86%[IQR 83/100] NSTEMI, p<0.001). Among patients with STEMI, 56% received reperfusion therapy, and only 13.6% of those receiving thrombolytics had door-to-needle time <30 min. Three-quarters (75.3%) of patients undergoing primary PCI had door-to-balloon time <90 min. Overall, 67.3% of the patients complied with 80% of the measures (58.8% STEMI vs. 87.1% NSTEMI, p<0,001). Factors independently associated with better compliance (80% of applicable measures) were later date of presentation (semester), likely reflecting ongoing teaching and training (OR=1.19, 95% CI 1.10-1.28, p<0.001), male gender (OR=1.33, 95% CI 1.00-1.76, p<0.046), Killip I/II on admission (OR=1.95, 95% CI 1.36-2.80, p<0.001) and diagnosis of NSTEMI (OR=5.0, 95% CI 3.51-7.11, p<0.001). Conclusion: Compliance with AHA/ACC AMI performance measures remains below target in Brazil, but is improving. Continuing education, reduction of system delays, and prioritizing high-risk groups are needed to optimize AMI systems of care and improve patient outcomes.

Assunto

Assistência ao Paciente, Síndrome Coronariana Aguda, Medicina, Infarto do miocárdio, Indicadores de qualidade em assistência a saúde

Palavras-chave

medidas de qualidade, síndrome coronariana aguda, Infarto agudo do miocárdio, sistemas de cuidados

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