Complexidade estrutural nos sistemas Inga ingoides - Cecidomyiidae
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Renê Goncalves da Silva Carneiro
Lubia Maria Guedes Garcia
Dênis Coelho de Oliveira
Fernando Henrique Aguiar Vale
Lubia Maria Guedes Garcia
Dênis Coelho de Oliveira
Fernando Henrique Aguiar Vale
Resumo
Galhas são resultantes de interações envolvendo geralmente dois organismos, a planta hospedeira
e o galhador, com níveis de complexidade estrutural variados, definidos como simples,
intermediário ou complexo. Tais níveis têm como determinantes o hábito alimentar do galhador e
as respostas dos sistemas de tecidos vegetais. Pressupomos que a origem-destino dos tecidos das
galhas, os atributos vasculares, a citologia do tecido nutritivo, e a presença de um terceiro
organismo no sistema pode influenciar fortemente as respostas da planta hospedeira e
consequentemente o nível de complexidade das galhas. Galhas globoides, lenticulares e
fusiformes induzidas por Cecidomyiidae em Inga ingoides (Rich.) Willd. (Fabaceae:
Caesalpinioideae) foram usadas como modelo de estudo para testar esta hipótese, e verificar a
amplitude dos níveis de complexidade estrutural de cada morfotipo sob as restrições
morfogenéticas de uma mesma planta hospedeira. Na perspectiva da dinâmica do
desenvolvimento das galhas, percebemos que o aporte hídrico e a manutenção da pressão de
turgor necessários para a expansão celular, os novos padrões de alongamento e a dinâmica das
fibrilas de celulose-hemiceluloses são peculiares a cada morfotipo ora estudado. Nas galhas
fusiformes intralaminares, o padrão de diferenciação vascular no sentido ápice-base é
interrompido levando a maior proporção de tecido vascular e maior diâmetro dos vasos na galha
e nas regiões abaixo dela, enquanto as galhas globóides e lenticulares extralaminares, análogas a
órgãos adventícios, não apresentam grande investimento em tecidos vasculares e o diâmetro dos
vasos é menor quando comparado às outras regiões do órgão hospedeiro. Em termos
nutricionais, as galhas globóides, caracterizadas como galhas de ambrosia, apresentam o fungo
como intermediador de processos de morte celular facilitando o acesso do galhador aos
nutrientes acumulados no citoplasma e aos xiloglucanos na parede celular. Galhas fusiformes e
lenticulares apresentam apenas dois organismos associados e um perfil citológico distinto nas
células nutritivas, sendo de morte e manutenção da maquinaria celular. Nas galhas fusiformes, os
processos de morte celular para liberação dos nutrientes ocorrem sem intermediação fúngica,
enquanto que nas galhas lenticulares, os aspectos citológicos indicam a manutenção do
metabolismo celular sob estímulo do galhador. Concluímos que não somente o hábito alimentar
do galhador influencia a complexidade estrutural dos morfotipos de galhas em I. ingoides, mas
também a origem-destino dos tecidos e a presença peculiar de um terceiro ocupante na galha. O
impacto destes fatores determina a complexidade estrutural e define mecanismos compensatórios
vasculares peculiares a cada morfotipo de galhas.
Abstract
Galls generally result from interactions involving two organisms, the host plant and the gall
inducing organism, and may be simple, intermediate or complex in terms of structural
complexity. These levels of structural complexity are commonly related to the gall inducer
feeding habit and by the responses of plant tissue systems. We assume that the origin-fate of the
gall tissues, the vascular attributes, the cytology of the nutritive tissue, and the presence of a third
organism can strongly influence the responses of the host plant, and consequently the level of
gall structural complexity. The globoid, lenticular and fusiform galls induced by Cecidomyiidae
on Inga ingoides (Rich.) Willd. (Fabaceae: Caesalpinioideae) were used as study model to test
this hypothesis, and to verify the amplitude of the levels of structural complexity of each gall
morphotype under the same host plant morphogenetical constraints. From the perspective of gall
developmental dynamics, the water supply and maintenance of the turgor pressure necessary for
cell expansion, the cell elongation patterns, and the dynamics of cellulose fibrils-hemicelluloses
are peculiar to each gall morphotype studied here. In the fusiform intralaminar galls, the pattern
of vascular differentiation in the apex-base direction is interrupted, and greater proportion of
vascular tissues and larger diameter of the vessels in the gall and in the leaflet portions below it
develop. Contrastingly, the globoid and lenticular extralaminar galls, analogous to adventitious
organs, do not have a large investment in vascular tissues and the diameter of the vessels is
smaller when compared to the vessels in host leaflet portions above and below the gall. In
nutritional terms, the globoid ambrosia galls count on the fungus to intermediate cell death
processes, facilitating the access of the gall inducer to the nutrients accumulated in the cytoplasm
and cell wall xyloglucans. The fusiform and the lenticular galls have only two organisms and
distinct cytological profiles in their nutritive tissues. In the fusiform galls, the processes of
nutritive cell death release nutrients without fungal intermediation, whereas in the lenticular
galls, the cytological aspects indicate the maintenance of cell metabolism under the gall inducer
stimuli. We conclude that not only the feeding habits influence the structural complexity of gall
morphotypes on I. ingoides, but also the origin-fate of the tissues and the peculiar presence of a
third organism. The impact of these factors determines the structural complexity and defines
vascular compensatory mechanisms peculiar to each gall morphotype
Assunto
Galhas (botânica), Biologia celular, Ambrosia, Histoquímica, Mosquitos de galhas, Sistema vascular de plantas
Palavras-chave
Anatomia de galhas, Histoquímica, Citologia, Galhas de ambrosia, Imunocitoquímica de parede celular, Morte celular, Sistema vascular
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