O cinema como ponte semântica : as experiências sociais nos filmes sobre a aids

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tipo

Dissertação de mestrado

Título alternativo

Cinema as a semantic bridge : social experiences in films about AIDS

Membros da banca

Vanessa Veiga de Oliveira
Mariana Souto de Melo Silva

Resumo

Com o objetivo de compreender o lugar do cinema nas discursividades produzidas sobre a aids, esta dissertação procura observar as semânticas presentes nos filmes que retratam a doença na última década. A questão central é analisar como estes meios realçam padrões que evidenciam experiências sociais de desrespeito ou reconhecimento. Para nos aproximarmos das respostas para esta indagação, nos voltamos às teorias do reconhecimento (Honneth, 2003; Butler, 2015; Petherbridge, 2017; Lage, 2020); considerando o cinema como ponte semântica (Simim, 2015; Maia, 2018) e supondo que as peças de ficção produzidas sobre o tema são capazes de influenciar as práticas sociais (Turner, 1997; Sontag, 2003; Hall, 2016) e acelerar ou retroceder a formação das lutas sociais de grupos vulnerabilizados. Entendemos que a população que vive com o HIV é suscetível à falta de reconhecimento; principalmente quando examinamos a perversidade dos discursos produzidos sobre a doença durante a década de 1980 e perpetuados até hoje no imaginário contemporâneo. Para articular a relação entre a aids e a vulnerabilidade nos voltamos aos fenômenos comunicacionais conhecidos como epidemia discursiva (Bessa, 1997) e terceira epidemia (Daniel & Parker, 2018); ideias que se concebem a partir do processo de metaforização e significação das doenças nos discursos sociais (Sontag, 2007). A partir desta discussão; que ainda nos ajuda a enumerar as semânticas comumente utilizadas para descrever a síndrome e os pacientes da aids, bem como o histórico das relações entre a doença e o cinema (Carvalho, 2008; Sousa, 2016); operacionalizamos duas vertententes da análise fílmica (Aumont & Marie, 2004) – em caráteres crítico e transcritivo – de fragmentos extraídos de cinco produções lançadas sobre o tema entre os anos de 2014 e 2023: “1985”, “Califórnia”, “Pride”, “Os primeiros soldados” e “Três tigres tristes”. Em seguida, os resultados da análise foram apresentados a partir de uma constelação fílmica (Souto, 2020): método comparatista do cinema que organiza o material observado através de subconjuntos temáticos. Esta prática nos permitiu confrontar panoramicamente as semânticas das produções selecionadas com os enunciados sobre a aids difundidos na memória e práticas sociais; resultando em inferências sobre as relações desta cinegrafia com padrões de reconhecimento ou de desacato, que vão em direção dos personagens aos espectadores e podem, no ponto final desse processo, catalisar ou retroceder a formação de lutas que reivindicam melhores condições de vida e de visibilidade.

Abstract

With the aim of understanding the place of cinema in the discourses produced about AIDS, this dissertation seeks to observe the semantics present in films that portray the disease in the last decade. The central question is to analyze how these devices highlight patterns that evidence social experiences of disrespect or recognition. To get closer to the answers to this question, we turn to theories of recognition (Honneth, 2003; Butler, 2015; Petherbridge, 2017; Lage, 2020); considering cinema as a semantic bridge (Simim, 2015; Maia, 2018) and assuming that the fictional pieces produced on the subject are capable of influencing social practices (Turner, 1997; Sontag, 2003; Hall, 2016) and accelerating or reversing the formation of social struggles of vulnerable groups. We understand that the population living with HIV is susceptible to a lack of recognition; especially when we examine the perversity of the discourses produced about the disease during the 1980s and perpetuated to this day in the contemporary imagination. To articulate the relationship between AIDS and vulnerability, we turn to the communicational phenomena known as discursive epidemic (Bessa, 1997) and third epidemic (Daniel & Parker, 2018); ideas that are conceived from the process of metaphorization and meaning of diseases in social discourses (Sontag, 2007). Based on this discussion; which also helps us to enumerate the semantics commonly used to describe the syndrome and AIDS patients, as well as the history of the relationships between the disease and cinema (Carvalho, 2008; Sousa, 2016); We operationalize two strands of film analysis (Aumont & Marie, 2004) – in critical and transcriptional terms – of fragments extracted from five productions released on the subject between 2014 and 2023. Next, the results of the analysis will be presented based on a film constellation (Souto, 2020): a comparative cinema method that organizes the observed material through thematic subsets. This practice allows us to panoramically compare the semantics of the selected productions with the statements about AIDS disseminated in memory and social practices; resulting in inferences about the relationships of this cinematography with patterns of recognition or contempt, which go from the characters to the spectators and can, at the end of this process, catalyze or set back the formation of struggles that demand better living conditions and visibility.

Assunto

Comunicação - Teses, Cinema - Teses, AIDS (Doença) - Teses

Palavras-chave

AIDS, Cinema, Constelação fílmica, Experiências sociais, Reconhecimento

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