"A gente não tem nada pronto, a gente tá em construção": a política linguística para estudantes migrantes e refugiados nas escolas municipais de Belo Horizonte

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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« ON N’A RIEN DE TOUT PRET, ON EST EN CONSTRUCTION » : LA POLITIQUE LINGUISTIQUE POUR LES ETUDIANTS MIGRANTS ET REFUGIES DANS LES ECOLES MUNICIPALES DE BELO HORIZONTE

Membros da banca

Nildiceia Aparecida Rocha
Sílvia Maria Martins Melo Pfeifer
Catherine Carras

Resumo

Esta tese de Doutorado tem como objetivo analisar a construção da política linguística para o acolhimento de estudantes migrantes e refugiados nas escolas municipais de Belo Horizonte, com vistas a contribuir para seu fortalecimento. Sua base teórica está fundamentada, principalmente, na Linguística Aplicada Indisciplinar (Moita Lopes, 2006) e nos estudos sobre políticas linguísticas (Shohamy, 2006). Esta pesquisa, de natureza qualitativa, se valeu de três principais instrumentos para a geração de registros, a saber: i. o discurso de dez profissionais que trabalham com a educação de migrantes e refugiados na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte e duas professoras pesquisadoras, a partir de cinco Encontros de Formação realizados durante o segundo semestre de 2022; ii) 25 respostas de gestores e coordenadores, a um questionário enviado às escolas com presença de estudantes migrantes e refugiados e; iii) meu diário como professora e pesquisadora, com relatos da minha primeira experiência como professora de Português como Língua de Acolhimento, durante o ano de 2017. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, autoetnográfica e interpretativista, pois seu interesse central está na interpretação dos significados atribuídos pelos sujeitos às suas experiências e suas ações. No cruzamento dos dados, identificamos as representações que emergiram, principalmente, das falas de professores e gestores que participaram da pesquisa, seja por meio dos Encontros de Formação ou nas respostas ao questionário, sobre a ideia concebida em relação a “políticas linguísticas”, “estudantes migrantes e refugiados” e “seus repertórios linguísticos”. Os dados apontaram, também, alguns desafios próprios da educação em contexto de migração. Sob a base desses dados, construímos categorias de análise (Bardin, 2011) para examinar como essas representações influenciam a formulação e a implementação das políticas linguísticas na RMEBH que, conforme resultados, apesar dos avanços, ainda encontra obstáculos a serem superados, como a falta de preparo dos professores para atuarem em contexto de migração e a carência de políticas linguísticas institucionais para o referido cenário. A análise revela que há uma tendência à invisibilização dos estudantes e da sua diversidade linguística e cultural, o que impacta diretamente a adaptação dos estudantes e o acesso ao saber. Com base nas reflexões contidas nesta pesquisa, ganha destaque a necessidade de formação voltada para professores, gestores e comunidade escolar, que contemple uma educação plurilíngue e intercultural. Nesse sentido, a valorização do bi/plurilinguismo no contexto escolar pode conferir maior visibilidade aos estudantes, consolidando um passo importante na construção da política linguística para migrantes e refugiados na cidade de Belo Horizonte.

Abstract

O Esta tese de Doutorado tem como objetivo analisar a construção da política linguística para o acolhimento de estudantes migrantes e refugiados nas escolas municipais de Belo Horizonte, com vistas a contribuir para seu fortalecimento. Sua base teórica está fundamentada, principalmente, na Linguística Aplicada Indisciplinar (Moita Lopes, 2006) e nos estudos sobre políticas linguísticas (Shohamy, 2006). Esta pesquisa, de natureza qualitativa, se valeu de três principais instrumentos para a geração de registros, a saber: i. o discurso de dez profissionais que trabalham com a educação de migrantes e refugiados na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte e duas professoras pesquisadoras, a partir de cinco Encontros de Formação realizados durante o segundo semestre de 2022; ii) 25 respostas de gestores e coordenadores, a um questionário enviado às escolas com presença de estudantes migrantes e refugiados e; iii) meu diário como professora e pesquisadora, com relatos da minha primeira experiência como professora de Português como Língua de Acolhimento, durante o ano de 2017. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, autoetnográfica e interpretativista, pois seu interesse central está na interpretação dos significados atribuídos pelos sujeitos às suas experiências e suas ações. No cruzamento dos dados, identificamos as representações que emergiram, principalmente, das falas de professores e gestores que participaram da pesquisa, seja por meio dos Encontros de Formação ou nas respostas ao questionário, sobre a ideia concebida em relação a “políticas linguísticas”, “estudantes migrantes e refugiados” e “seus repertórios linguísticos”. Os dados apontaram, também, alguns desafios próprios da educação em contexto de migração. Sob a base desses dados, construímos categorias de análise (Bardin, 2011) para examinar como essas representações influenciam a formulação e a implementação das políticas linguísticas na RMEBH que, conforme resultados, apesar dos avanços, ainda encontra obstáculos a serem superados, como a falta de preparo dos professores para atuarem em contexto de migração e a carência de políticas linguísticas institucionais para o referido cenário. A análise revela que há uma tendência à invisibilização dos estudantes e da sua diversidade linguística e cultural, o que impacta diretamente a adaptação dos estudantes e o acesso ao saber. Com base nas reflexões contidas nesta pesquisa, ganha destaque a necessidade de formação voltada para professores, gestores e comunidade escolar, que contemple uma educação plurilíngue e intercultural. Nesse sentido, a valorização do bi/plurilinguismo no contexto escolar pode conferir maior visibilidade aos estudantes, consolidando um passo importante na construção da política linguística para migrantes e refugiados na cidade de Belo Horizonte.

Assunto

Língua portuguesa - Estudo e ensino - Falantes estrangeiros - Belo Horizonte (MG), Política linguística - Belo Horizonte, Professores de português - Formação, Imigrantes - Condições sociais, Linguística aplicada

Palavras-chave

Políticas linguísticas, Migrantes e refugiados, Educação básica, Língua de escolarização, Bi/plurilinguismo

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