O animal biopolítico em Clarice Lispector e em Heliônia Ceres
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
The biopolitical animal in Clarice Lispector and in Heliônia Ceres
Primeiro orientador
Membros da banca
Cláudia Campos Soares
Roberto Sarmento Lima
Roberto Sarmento Lima
Resumo
A discussão sobre os limites entre animal e humano tem sido tema de reflexões diversas entre o pensamento ocidental, adentrando, consequentemente, o campo literário. A partir dos anos de 1960, contudo, o animal começa a surgir cada vez mais como um signo político em obras literárias, abrindo espaço para interpretações acerca do que significa ser legitimado como humano e ter direito à vida, aproximando-se do campo da biopolítica. Tendo em vista essa presença da animalidade em obras literárias e seus desdobramentos biopolíticos, este trabalho propõe um estudo comparativo dos efeitos do animal em contos dos livros Laços de família
(1960) e Olho de besouro (1998), de Clarice Lispector e de Heliônia Ceres, respectivamente, levando em conta a posição especial que o animal ocupa em seus textos. Outras obras suas e de diferentes escritores que também escreveram (sobre) o animal serão utilizadas a fim de enriquecer o estudo proposto. Os textos serão analisados, discutidos e comparados com base em críticos que dissertam sobre Clarice Lispector e Heliônia Ceres e tendo como foco as discussões já mencionadas referentes à animalidade e à biopolítica. Por meio deste estudo comparativo, é possível identificar como o animal surge, nas duas autoras, como elemento
desestabilizador da razão antropocêntrica e como representativo do conflito entre natureza e cultura, mesmo quando abordado de maneiras diferentes pelas autoras.
Abstract
The discussion about the limits between the animal and the human has been the subject of several reflections among the Western thought, stepping, consequently, into the literary field. From the 1960 onwards, however, the animal begins to emerge more and more as a political sign in literary works, making room for interpretations concerning what it means to be legitimate as human and have the right to live, approaching the field of biopolitics. Having in mind this presence of the animality in literary works and its biopolitical repercussions, this work proposes a comparative study on the effects of the animal in short stories present in the books Laços de família (1960) and Olho de besouro (1998), by Clarice Lispector and by Heliônia Ceres, respectively, considering the special position the animal occupies in their texts. Other works by them and by different authors who also wrote (about) the animal are going to
be used in order to enrich the proposed study. The texts are going to be analyzed, discussed and compared based on critics who write about Clarice Lispector and Heliônia Ceres and focusing on the mentioned discussions concerning the animality and the biopolitics. By means of this comparative study, it is possible to identify how the animal emerges, in both authors, as a destablishing element of the antropocentric reason and as a representative of the conflict between nature and culture, even when it is approached in different ways by the authors.
Assunto
Lispector, Clarice, 1920-1977 – Laços de família – Crítica e interpretação, Heliônia, 1927-1999 – Olho de besouro – Crítica e interpretação, Animais na literatura, Política e literatura, Biopolítica, Contos brasileiros – História e crítica
Palavras-chave
Animalidade, Biopolítica, Clarice Lispector, Heliônia Ceres