Da miragem à morada: a ideia de natureza confrontada pela crítica da vida cotidiana
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
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Rogério Palhares Zschaber de Araújo
João Bosco Moura Tonucci Filho
Heloisa Soares de Moura Costa
João Bosco Moura Tonucci Filho
Heloisa Soares de Moura Costa
Resumo
Partindo da caracterização de uma “ideologia moderna da natureza”, o objetivo inicial da pesquisa é vislumbrar possíveis transformações nas relações entre humanos e não-humanos, por meio da “crítica da vida cotidiana”. Com embasamento na tradição marxista, especialmente na teoria de Henri Lefebvre, descrevo uma “natureza-miragem” – ilusória, fragmentada, residual – forjada no imaginário ocidental e consolidada no contexto do “urbano-industrial”. No passo seguinte, reconheço um “horizonte de possibilidades” lefebvriano, em que se delineia um “urbano-utopia”. Pela retomada da prevalência do uso sobre o valor-de-troca, a superação de uma ética de dominação por práticas de “apropriação” e a recuperação do sentido do “habitar”, proponho a formulação de uma “natureza-morada”. Visando aprofundar as ideias emancipatórias alcançadas no nível da vida cotidiana, abordo a escala da vida doméstica, junto à epistemologia feminista. Em uma perspectiva econômica “de fundo” (Nancy Fraser) ou “de baixo” (Veronica Gago), é questionada a separação entre produção e reprodução social. Identificando experiências de laços comunais como um “contrapoder” ecofeminista (Silvia Federici), são desafiadas as limitações entre público e privado, Estado e mercado. Pela radicalização do “cuidado” como um âmbito de interdependência entre seres de um mundo “mais-que-humano” (María Puig de la Bella Casa), é vislumbrada a revisão do princípio de excepcionalidade humana e da própria ideia de “natureza”. Tomando, enfim, a conquista da narrativa como ferramenta de imaginação e disputa política (bell hooks), proponho a emergência de uma “imaginação feminista da morada”.
Abstract
Starting from the characterization of a “modern ideology of nature”, the initial objective of this research is to envision possible transformations in the relationships between humans and non- humans, through the “critique of everyday life”. Based on the Marxist tradition, especially on Henri Lefebvre's theory, I describe a “mirage-nature” – illusory, fragmented, residual – forged in the western imaginary and consolidated in the context of the “urban-industrial”. In the next step, I recognize a lefebvrian "horizon of possibilities", in which an "urban-utopia" is outlined. Understanding the prevalence of use over exchange value, the overcoming of an ethics of domination by practices of “appropriation” and the recovery of the meaning of “dwelling”, I propose the basis for a “nature-dwell”. Aiming to deepen the emancipatory ideas reached in the level of everyday life, I approach the scale of domestic life, together with feminist epistemology. With an economic perspective “from the background” (Nancy Fraser), or “from below” (Veronica Gago), the separation between production and social reproduction is questioned. Identifying experiences of communal bonds as an ecofeminist counterpower (Silvia Federici), the limitations between public and private, State and market are challenged. Through the radicalization of “care” as a field of interdependence between beings from a “more-than-human” world (María Puig de la Bella Casa), the revision of the principle of human exceptionality and the very idea of “nature” is envisioned. Finally, taking the conquest of narrative as a tool for imagination and political dispute (bell hooks), I propose the emergence of a “feminist imagination of dwelling”.
Assunto
Natureza, Vida urbana, Ecofeminismo, Arquitetura e filosofia
Palavras-chave
Natureza, Vida cotidiana, Urbano, Reprodução social, Doméstico, Ecofeminismo, Ética do cuidado, Imaginação política
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