Análise de duas medidas indiretas de adesão ao tratamento em pacientes com mieloma múltiplo em uso de imunomoduladores
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Maria Auxiliadora Parreiras Martins
Liliana Batista Vieira
Elisângela da Costa Lima
Liliana Batista Vieira
Elisângela da Costa Lima
Resumo
O Mieloma Múltiplo – MM – é um câncer incurável das células monoclonais do
plasma localizadas na medula óssea. No início dos anos 2000, a expectativa de vida
dos pacientes com MM aumentou cerca de cinco a dez anos com a introdução dos
imunomoduladores – IMID – (talidomida, lenalidomida, pomalidomida). No Brasil,
apesar de esses medicamentos serem aprovados para o tratamento do MM, apenas
a talidomida é disponibilizada de forma gratuita na rede pública, o que a confere
papel de destaque no tratamento dessa doença no país. O uso da talidomida por
longos períodos traz preocupações referentes à ocorrência de reações adversas, o
que pode influenciar a adesão à terapia medicamentosa. A não adesão ao
tratamento medicamentoso é, frequentemente, o principal obstáculo para o sucesso
da farmacoterapia em pacientes ambulatoriais. Tendo em vista tal cenário, o objetivo
do trabalho é calcular a frequência de adesão ao tratamento com IMIDs em
pacientes com MM e determinar os fatores associados. O estudo tem delineamento
transversal. No estudo foram incluídos pacientes com 18 anos ou mais, atendidos
nos serviços de saúde públicos e privados e em uso de IMID há pelo menos um mês
no período de janeiro de 2019 a março de 2020. Os pacientes que responderam ao
MAT correspondem àqueles que utilizavam um dos IMIDs no momento da realização
da entrevista. Já os pacientes incluídos na análise de registros de dispensação pelo
método PDC foram os que apresentaram, no mínimo, duas dispensações de
talidomida no período de janeiro a dezembro de 2019. A adesão ao tratamento foi
mensurada por medidas indiretas, a Medida de Adesão ao Tratamento – MAT, uma
escala de autorrelato, e pelo Proportion of Days Covered – PDC, um método
baseado em registros da dispensação. Foram realizadas análises univariada e
multivariada, empregando-se o método de regressão logística. A magnitude da
associação foi expressa pelo odds ratio (OR) com intervalo de confiança (IC) de
95%. A significância estatística foi considerada quando p<0.05. A análise estatística
foi realizada no software Statistical Package for Social Sciences® (SPSS®), versão
25.0. A maioria dos pacientes com MM dos ambulatórios investigados era idoso,
autodeclarara-se negro e recebia o tratamento em serviços de saúde públicos.
Quase 50% dos pacientes tiveram, pelo menos, uma internação durante o período
do estudo e mais da metade tinha até 11 anos de escolaridade e recebia até três
salários mínimos mensal. Os pacientes apresentaram altas taxas de adesão aos
IMIDs mensurada pelo MAT (97,6%) e a frequência da adesão obtida pelo método
PDC foi da ordem de 60% de pacientes aderentes. A talidomida foi o IMID mais
prescrito. A adesão à talidomida apresentou associação negativa com internação
nos últimos 12 meses e nível de escolaridade e associação positiva com renda. O
MAT não apresentou validade e confiabilidade satisfatória, necessitando novos
estudos que utilizem medidas mais acuradas para ampliação do conhecimento sobre
a magnitude do problema da não adesão aos IMIDs na prática clínica.
Abstract
Multiple Myeloma – MM – is an incurable cancer of plasma monoclonal cells located
in the bone marrow. In the early 2000s, patients' life expectancy increased by about
five to ten years with the introduction of immunomodulators – IMID – (thalidomide,
lenalidomide, pomalidomide). In Brazil, despite the fact that these medicines are
approved for MM treatment, only thalidomide is provided free of charge through the
public health system, which confers it a prominent role in the treatment of the disease
in the country. Thalidomide use for extended periods raises concerns about the
occurrence of adverse reactions, which may influence adherence to drug therapy.
Non-adherence to medications is, often, the main obstacle to the success of
pharmacotherapy in outpatients. This study aims to calculate the frequency of
adherence to treatment with IMIDs in patients with MM and to determine the
associated factors. The study has a cross-sectional design. The population consisted
of patients, aged 18 years or older, treated at public and private health services, who
had been using IMID for at least a month. Adherence to treatment was measured by
two indirect measures, the Treatment Adherence Measure – TAM, a self-report scale,
and the Proportion of Covered Days – PDC, a method based on dispensing
dispensation records. Univariate and multivariate analyses were performed using the
logistic regression method. The magnitude of association was expressed by the odds
ratio (OR) with a 95% confidence interval (CI). Statistical significance was considered
when p<0.05. Statistical analysis was performed by the Statistical Package for the
Social Sciences® (SPSS®) software, version 25.0. Most patients with MM in the
investigated outpatient clinics were elderly, declared themselves black, and received
treatment in public health services. Almost 50% of patients were, at least once,
hospitalized during the study period, and more than half had up to 11 years of
education and received up to three minimum wages. Patients presented high rates of
adherence to IMIDs measured by TAM (97.6%), and the frequency of adherence
obtained by the PDC method was around 60% of adherent patients. Thalidomide was
the most prescribed IMID. Adherence to thalidomide showed an inverse association
with hospitalization in the last 12 months and educational level, and a direct
association with income. TAM did not show validity and satisfactory reliability,
requiring further studies that use more accurate measures to expand knowledge
about the magnitude of the problem of non-adherence to IMIDs in clinical practice.
Assunto
Palavras-chave
Adesão, Medidas de adesão ao tratamento, Proporção de dias cobertos, Imunomoduladores, Mieloma múltiplo