Prevalência de valvopatia sugestiva de envolvimento reumático segundo as avaliações clínicas e doppler ecocardiográficas em alunos de uma escola pública de Belo Horizonte
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Autor(es)
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Zilda Maria Alves Meira
Paulo Augusto Moreira Camargos
Cleonice de Carvalho Coelho Mota
Maria da Gloria Cruvinel Mota
Paulo Augusto Moreira Camargos
Cleonice de Carvalho Coelho Mota
Maria da Gloria Cruvinel Mota
Resumo
Introdução: A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica, não supurativa, que ocorre como complicação tardia da infecção da orofaringe causada pelo estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield (EBHGA) em indivíduos geneticamente predispostos. Atinge principalmente crianças e adolescentes em idade escolar, na faixa de 5 a 15 anos, período em que há uma maior incidência de amigdalites estreptocócicas. A cardite reumática (CR) é a manifestação mais importante da doença, pois pode ocasionar dano valvar irreversível, muitas vezes incapacitante, evoluindo para a cardiopatia reumática crônica (CRC). A valva mais acometida é a mitral, seguida da aórtica. A ausência de sopro não afasta a possibilidade de envolvimento cardíaco. A cardite subclínica é definida como a presença de regurgitação das valvas mitral e ou aórtica observada ao Doppler ecocardiograma em paciente com quadro de febre reumática aguda (FRA) e ausculta cardíaca normal. Com o advento do Doppler ecocardiograma foi possível detectar disfunção valvar mesmo sem evidência clínica da mesma, assim como definir o grau da disfunção e a presença de alterações morfológicas, permitindo distinguir a regurgitação fisiológica da não fisiológica.Vários estudos de triagem em escolares indicam o uso do Doppler ecocardiograma para identificação da lesão valvar sugestiva de envolvimento reumático, em indivíduos aparentemente saudáveis, tornando possível diagnosticar casos de valvopatia reumática subclínica. Assim, a profilaxia secundária poderia ser introduzida, prevenindo a evolução das lesões valvares e suas implicações. Objetivos: Determinar a prevalência de valvopatia sugestiva de envolvimento reumático segundo as avaliações clínicas e Doppler ecocardiográficas em alunos de uma escola pública de Belo Horizonte. Quantificar o grau de envolvimento valvar encontrado nos escolares que apresentam ausculta cardíaca normal (valvopatias mitral e ou aórtica subclínicas) e naqueles com sopros de regurgitação valvar mitral e ou aórtica (valvopatia clinicamente definida). Identificar achados Doppler ecocardiográficos em escolares aparentemente saudáveis. Metodologia: Estudo transversal realizado com escolares entre 6 e 16 anos da Escola Municipal Presidente João Pessoa, localizada na região centro sul de Belo Horizonte, MG. Após autorização dos responsáveis, os escolares foram submetidos à anamnese e exame físico, com preenchimento de um protocolo de pesquisa, cujo objetivo foi estabelecer a existência de critérios prévios para o diagnóstico de FR, com ou sem alteração na ausculta cardíaca. Posteriormente, todos os escolares foram submetidos ao estudo Doppler ecocardiográfico com o emprego de um aparelho portátil, realizado por outro pesquisador, que desconhecia os achados clínicos. Os escolares que apresentaram regurgitação sugestiva de não fisiológica das valvas mitral e ou aórtica foram encaminhados ao Laboratório de Ecocardiografia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Belo Horizonte, para a realização de um novo estudo feito pelo mesmo pesquisador que realizou os exames de triagem. Neste serviço, os exames foram gravados em DVD e analisados por outros dois examinadores experientes, que não tinham conhecimento sobre os achados anteriores. Foi considerada lesão sugestiva de acometimento valvar reumático a presença de regurgitação mitral e/ou aórtica caracterizada como não fisiológica com ou sem alterações da morfologia segundo critérios já estabelecidos. Resultados: Dos 267 escolares avaliados, 28 (10,5%) apresentaram sopro à ausculta cardíaca. Destes, 26 foram caracterizados como inocente. Um escolar (0,4%) apresentou sopro regurgitativo compatível com o diagnóstico de comunicação interventricular e outro (0,4%) relatou história compatível com o diagnóstico de FRA, segundo os critérios de Jones, e presença de sopro regurgitativo mitral e aórtico. Através do estudo Doppler ecocardiográfico realizado na escola, com aparelho portátil, foram observados os seguintes achados: regurgitação mitral (RM) e regurgitação aórtica (RAo) de grau moderado compatíveis com o diagnóstico de valvopatia reumática em um escolar (0,4%); RM leve sugestiva de não fisiológica em 23 (8,6%); RAo leve sugestiva de não fisiológica em um (0,4%); comunicação interventricular perimembranosa de pequeno tamanho em um (0,4%); comunicação interatrial do tipo ostium secundum de pequeno tamanho em dois (0,8 %); forame oval patente em seis (2,4%); pseudo tendão em quatro (1,6 %) e prolapso da valva mitral com RM leve em um escolar (0,4%). Dos 16 escolares com regurgitação valvar suspeita (não fisiológica) que compareceram ao Hospital das Clínicas para confirmação diagnóstica, um apresentou RM e RAo de grau moderado, com alteração morfológica dessas valvas e alteração da mobilidade da valva mitral (valvopatia reumática definitiva); três RM isolada de grau leve não fisiológica, com espessamento dos folhetos da valva mitral (valvopatia reumática provável); um RM e RAo de grau leve não fisiológicas, com morfologia normal de ambas (valvopatia reumática possível) e em 11 RM fisiológica. Em nenhum deles foi evidenciada estenose valvar. Conclusão: Nos escolares com exame clínico normal observou-se regurgitação fisiológica das valvas tricúspide em 214 (80,1%) e mitral em 69(25,5%). Nenhum deles apresentou regurgitação aórtica fisiológica. Em apenas um escolar (0,4%) o diagnóstico de FR pôde ser classificado como definitivo (preenchimento dos critérios de Jones, ausculta de sopros de RM e RAo e disfunção de grau moderado das valvas mitral e aórtica, ao estudo Doppler ecocardiográfico). Em três escolares o diagnóstico de FR foi definido como provável (ausência de critérios de Jones, ausculta cardíaca normal e o exame Doppler ecocardiográfico evidenciou alteração morfológica da valva mitral e RM leve não fisiológica) e em um escolar o diagnóstico de FR foi definido como possível (ausência de critérios de Jones, ausculta cardíaca normal e o exame Doppler ecocardiográfico evidenciou RM e RAo leves não fisiológicas, sem alterações morfológicas dessas valvas). A prevalência de casos com alterações compatíveis com envolvimento reumático em relação a valva mitral foi cinco vezes maior, correspondendo a 18,7/1000 (IC 95%, 6,9/1000- 41,0/1000) utilizando o estudo Doppler ecocardiográfico e de 3,7/1000 segundo a avaliação clínica.
Abstract
Assunto
Febre Reumática/complicações, Ecocardiografia Doppler, Doenças das Valvas Cardíacas, Insuficiência da Valva Mitral, Dissertação Acadêmica, Febre Reumática/epidemiologia, Cardiopatia reumática/diagnóstico, Miocardite/diagnóstico, Programas de Rastreamento, Criança, Adolescente
Palavras-chave
Febre reumática, Doppler ecocardiograma, Cardiopatia reumática, Cardite subclínica, Dopplerecocardiograma portátil, Doppler ecocardiograma de triagem, Valvopatia reumática