Perfil das interações medicamentosas com a terapia antirretroviral em pessoas vivendo com HIV em um serviço de referência de Belo Horizonte - 2015-2016
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
Atualmente, a infecção pelo HIV é considerada uma condição crônica, com grande
aumento da sobrevida daqueles em tratamento adequado e com isto facilitando o
aparecimento de outras comorbidades com possível risco de ocorrer polifarmácia. As
interações medicamentosas devem ser consideradas como fator preocupante devido
á polifarmácia e ao perfil dessas interações, bem como suas consequências nas
pessoas vivendo com HIV (PVHIV). Os objetivos desse estudo foram verificar o perfil
dessas interações, avaliar sua prevalência com a terapia antirretroviral (TARV) e
classificá-las de acordo com o potencial para interações significativas ou não em
PVHIV, baseado no banco de dados da Universidade de Liverpool. Entre o período de
junho de 2015 a julho de 2016, PVHIV, cadastradas em um serviço de referência de
Belo Horizonte, foram investigadas quanto a presença de interações com a TARV e
outros medicamentos em uso. Foram estudados 304 pacientes e a prevalência de
interações medicamentosas encontrada foi de 50%. Mais da metade da população
tinha menos de 50 anos de idade (75%) e era do sexo masculino (66,4%); 37,8% deles
se autoreferiram como pardos. Aproximadamente 24% dos participantes estavam em
uso de cinco ou mais medicamentos. Pacientes com idade superior a 50 anos
apresentaram maior frequência de interações medicamentosas dos antirretrovirais
(ARV) com outros medicamentos, em comparação com os pacientes mais jovens (p
= 0,005). Não foi encontrada relação entre o número de interações medicamentosas
e a efetividade da TARV. Em análise univariada, ter idade acima de 50 anos se
associou ao aumento de interações medicamentosas com a TARV (OR = 1,028, IC
95% 1,008-1049, p = 0,003). Em análise multivariada utilizar maior número de
medicamentos (OR = 1,129, IC 95% = 1.111-1.147; p = 0,001) e utlizar esquema
estruturado com inibidor de protease (IP) (OR = 1,101, IC 95% = 1,004-1,209; p =
0,04) se associou ao aumento destas interações. Este foi o primeiro estudo a avaliar
o impacto das interações medicamentosas em PVHIV no Brasil. A maior frequência
de interações medicamentosas em pacientes acima de 50 anos sugere há relação
entre o envelhecimento da população e o risco da polifarmácia, levando a interações
clinicamente significativas, bem como possível impacto na efetividade da resposta
terapêutica. O risco dessas interações foi maior com esquema antirretroviral
estruturado com IP. Esse diagnóstico é fundamental para incorporação de medidas
preventivas e para o aumento da segurança medicamentosa para as PVHIV.
Abstract
HIV infection may be considered a chronic condition for people living with HIV (PLWH)
with access to antiretrovirals (ARVs) and this has effectively increased survival. In the
same token this has also facilitated the emergence of other comorbidities, increasing
the risk for drug interactions (DIs) and polypharmacy.The profile of these interactions,
as well as their consequences in PLWH are still not completely elucidated. The
objectives of this study included the description of the profile of these interactions, their
prevalenceand their classification accordingly to the potential for significant or nonsignificant DIs. From June 2015 to July 2016, PLWH, on follow-up in an Infectious
Diseases Referral Center in Belo Horizonte, Brazil have been investigated for the
presence of DIs. A total of 304 patients were included and the majority (75%) had less
than 50 years of age, were male (66.4%) and 37.8% were self-defined as brown
skinned. Approximately 24% were on five or more medications and half of them
presented with DIs. Patients older than 50 years had a higher frequency of ARV DIs
with other drugs when compared to younger patients (p = 0.002). No relationship was
found between the number of DIs and the effectiveness of ARV. As expected, the
higher the number of non-HIV medications used (OR = 1.129 95%CI 1.004-1.209, p =
0.04) was associated with an increase in DIs. The high prevalence of DIs found and
the data collected should be useful to establish measures of quaternary prevention
and to increase the medication security for PLWH.
Assunto
Interações de Medicamentos, HIV, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, Terapia Antirretroviral de Alta atividade, Polimedicação, Prevenção Quaternária
Palavras-chave
Interações medicamentosas, HIV/Aids, Terapia antirretroviral, Vírus da imunodeficiência humana, Polifarmácia, Prevenção quaternária