As práticas das psicólogas que atuam na atenção primária à saúde em diálogo com povos indígenas : tecendo reinvenções ético-políticas do cuidado
Carregando...
Arquivos
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Claudia Maria Filgueiras Penido
Isabela Saraiva de Queiroz
Catia Paranhos Martins
Paula Rita Bacellar Gonzaga
Edilaise Santos Vieira (Nita Tuxá)
Isabela Saraiva de Queiroz
Catia Paranhos Martins
Paula Rita Bacellar Gonzaga
Edilaise Santos Vieira (Nita Tuxá)
Resumo
O Subsistema de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas do Sistema Único de Saúde (SASI-SUS) é fruto da luta de indígenas em movimento pela atenção diferenciada. Psicólogas atuam no SASI-SUS, principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS) dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), como é o caso do DSEI Minas Gerais/Espírito Santo. Nessa atuação, há um imperativo de reinvenção dos saberes e práticas psicológicas, hegemonicamente respaldadas por lógicas eurocêntricas. Temos como objetivo geral analisar possíveis reinvenções ético-políticas das práticas de cuidado das psicólogas que atuam na APS em diálogo com povos indígenas. Realizamos uma pesquisa qualitativa participante, respaldada pelo feminismo negro e decolonial e estudos contracolonais, junto às psicólogas atuantes do DSEI MG/ES. Participamos de duas reuniões entre as psicólogas e demais trabalhadores do Núcleo Ampliado de Saúde Indígena (NASI), sendo realizada uma oficina; e entrevistamos as psicólogas remotamente. As análises foram balizadas pelas lentes da interseccionalidade e categorias centrais de produções de autoria indígenas, havendo um momento para a sua construção conjunta com as psicólogas entrevistadas. Como resultado da oficina, construímos uma cartilha ilustrada, apresentando uma linha do tempo do trabalho do NASI no DSEI MG/ES. A partir das entrevistas, descrevemos características das etnias com as quais as psicólogas atuam e seus territórios, destacando a pluralidade dos povos indígenas e os conflitos socioambientais que os atravessam. Enfatizamos a interdependência entre corpo-território-saúde. As trajetórias das psicólogas do DSEI MG/ES não contaram com formação prévia sobre saúde indígena e acessaram poucas oportunidades de Educação Permanente em Saúde. Mudanças curriculares nas graduações em psicologia são necessárias, ainda que o conhecimento também se produza na prática. O diálogo entre NASI e Equipe Multiprofissional de Saúde Indígena e a tecitura de rede intra e intersetorial mostrou-se imprescindível, havendo, porém, desafios para tais construções, incluindo estruturais. O trabalho coletivo envolve, também, os próprios sujeitos indígenas, que devem ser os protagonistas. É necessário garantir políticas de ações afirmativas, ao mesmo tempo em que o movimento de reflexividade deve se manter, o que pode potencializar os diálogos com os itinerários de cura tradicionais e lideranças comunitárias. Por fim, situamos a psicologia no campo de disputas que reproduzem epistemicídios pela colonialidade. As psicólogas entrevistadas apontaram limites de referenciais hegemônicos, que são revisitados. Apostamos que a clínica ampliada, a psicologia social comunitária e a psicologia social do racismo apresentam ferramentas que contribuem com práticas de cuidado emancipatórias, principalmente quando lançam mão da interseccionalidade e da contracolonialidade. O conceito de “saúde mental” também foi interpelado, sendo as compreensões de Bem-viver destacadas, por não dissociarem território, espiritualidade e saúde. Concluímos que há um processo de reinvenções ético-políticas da psicologia, quando do encontro com povos indígenas, apontando para a construção de uma ciência e profissão psicológica que não parta de um único referencial deser humano, saúde e cuidado, senão que inclua diversas epistemologias e cosmologias. A psicologia pode, pois, contribuir com a co-produção de Bem-viver junto aos povos indígenas, quando enfrenta as colonialidades que a constituem e radicaliza seu compromisso com a transformação social; e também (des)aprende e se reinventa nesse processo.
Abstract
Assunto
Psicologia - Teses, Índigenas - Teses, Cuidados primários de saúde - Teses, Psicologia social - Teses, Feminismo - Teses
Palavras-chave
Povos indígenas, Atenção primária à saúde, Psicologia social, Pesquisa qualitativa participante, Feminismo decolonial