(Re)existências na cidade a partir de insurgências quilombolas à trajetória do Kilombo Souza de Belo Horizonte
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
Esta pesquisa buscou compreender os processos de insurgências de territórios quilombolas em Belo Horizonte, a partir do estudo de caso do Kilombo da Família Souza, localizado, há cerca de 100 anos, no tradicional bairro de Santa Tereza. O objetivo foi identificar quais as estratégias de territorialização utilizadas para a transformação e para a ressignificação do espaço vivido em um espaço de (re)existência etnopolítica e quais os confrontos e/ou as sinergias empreendidas nesse processo. A pesquisa foi realizada a partir de um olhar geográfico cultural, utilizando uma abordagem qualitativa e participativa, incluindo entrevistas, mapeamento participativo e observação de práticas cotidianas. O estudo propõe, assim, uma nova leitura das territorialidades quilombolas, destacando a importância de reconhecer não apenas os aspectos materiais do território, mas também os elementos simbólicos e culturais que são fundamentais para a resistência e afirmação dessas comunidades no espaço urbano. Os resultados mostram que aspectos do cotidiano e suas espacialidades (o quintal, a comunidade, a rua, o lazer, o trabalho, as festividades) acabam por tomar dimensões políticas de modo a tornarem elementos essenciais às pautas de resistência nesse território. Foram identificadas três dimensões utilizadas como estratégia nesse processo. Uma dimensão simbólica cultural, representada pelas festividades e pelas religiosidades, tendo o quintal como o elemento convergente na manifestação dessas práticas. Uma dimensão política institucional, representada pela busca de diversificados aparatos legais de reconhecimento do território, que ultrapassam a esfera do local e o cerceiam com diferentes “camadas” de proteção e, por fim, uma dimensão baseada em formação de redes de apoio, que acabam por tornar a luta empreendida pelo Kilombo Souza em conjunto com os demais Quilombos, como um modelo para se pensar outras geo-grafias para a cidade de Belo Horizonte. As análises realizadas evidenciam que, apesar dos avanços no reconhecimento legal e da certificação das comunidades quilombolas, muitos desafios ainda se apresentam. O caso do Kilombo da Família Souza ilustra as tensões entre as práticas culturais e as imposições do modelo urbano hegemônico, especialmente no que se refere à especulação imobiliária e aos processos de expropriação de terras.
Abstract
Esta pesquisa buscou compreender os processos de insurgências de territórios quilombolas em
Belo Horizonte, a partir do estudo de caso do Kilombo da Família Souza, localizado, há cerca
de 100 anos, no tradicional bairro de Santa Tereza. O objetivo foi identificar quais as estratégias
de territorialização utilizadas para a transformação e para a ressignificação do espaço vivido
em um espaço de (re)existência etnopolítica e quais os confrontos e/ou as sinergias
empreendidas nesse processo. A pesquisa foi realizada a partir de um olhar geográfico cultural,
utilizando uma abordagem qualitativa e participativa, incluindo entrevistas, mapeamento
participativo e observação de práticas cotidianas. O estudo propõe, assim, uma nova leitura das
territorialidades quilombolas, destacando a importância de reconhecer não apenas os aspectos
materiais do território, mas também os elementos simbólicos e culturais que são fundamentais
para a resistência e afirmação dessas comunidades no espaço urbano. Os resultados mostram
que aspectos do cotidiano e suas espacialidades (o quintal, a comunidade, a rua, o lazer, o
trabalho, as festividades) acabam por tomar dimensões políticas de modo a tornarem elementos
essenciais às pautas de resistência nesse território. Foram identificadas três dimensões
utilizadas como estratégia nesse processo. Uma dimensão simbólica cultural, representada pelas
festividades e pelas religiosidades, tendo o quintal como o elemento convergente na
manifestação dessas práticas. Uma dimensão política institucional, representada pela busca de
diversificados aparatos legais de reconhecimento do território, que ultrapassam a esfera do local
e o cerceiam com diferentes “camadas” de proteção e, por fim, uma dimensão baseada em
formação de redes de apoio, que acabam por tornar a luta empreendida pelo Kilombo Souza em
conjunto com os demais Quilombos, como um modelo para se pensar outras geo-grafias para a
cidade de Belo Horizonte. As análises realizadas evidenciam que, apesar dos avanços no
reconhecimento legal e da certificação das comunidades quilombolas, muitos desafios ainda se
apresentam. O caso do Kilombo da Família Souza ilustra as tensões entre as práticas culturais
e as imposições do modelo urbano hegemônico, especialmente no que se refere à especulação
imobiliária e aos processos de expropriação de terras.
Assunto
Geografia cultural, Movimentos sociais, Quilombolas – Belo Horizonte (MG), Espaço urbano, Territorialidade humana
Palavras-chave
geografia cultural; movimentos sociais; populações tradicionais; urbano, Kilombo Souza.