Fatores relacionados ao desmame precoce em bebês nascidos a termo em uma maternidade pública
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Monalise Costa Batista Berbert
Amélia Augusta de Lima Friche
Amélia Augusta de Lima Friche
Resumo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) do Brasil
recomendam aleitamento materno exclusivo (AME) até o 6° mês e de forma
complementada até 2 anos. Entretanto, apesar de ser fisiológico, amamentar é um
processo complexo que é influenciado por vários fatores, sendo que atualmente o
AME alcança apenas 45,8% das crianças até 6 meses de vida. O desmame precoce
é comprometedor para o desenvolvimento infantil, tendo impacto também no
desenvolvimento motor oral. Diante disso, conhecer e entender os fatores que afetam
a continuidade do AM é importante para que se consiga pensar em estratégias para
auxiliar a mulher no processo de amamentação e evitar os problemas relacionados ao
desmame precoce. O objetivo deste estudo, foi, portanto, entender como os fatores
socioeconômicos, da gestação e do parto se relacionam com a situação da
alimentação no sexto mês de vida de recém-nascidos a termo. Trata-se de um estudo
observacional, longitudinal, descritivo, de abordagem quantitativa, constituído por 98
puérperas, mães de bebês termos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa do Hospital Metropolitano Odilon Behrens sob o parecer número 4.480.984.
A coleta de dados foi estruturada pela captação dos dados referentes à história clínica
e ao momento do parto - consultados nos prontuários dos bebês, seguida da aplicação
de dois questionários estruturados às puérperas, com questões referentes a dados
sociodemográficos, dados pré e pós gestacionais e da alimentação do bebê no 6°
mês. Foi realizada análise descritiva dos dados, por meio da distribuição de frequência
das variáveis categóricas, e análise inferencial utilizando o teste Qui-quadrado de
Pearson, sendo significativas associações com p≤0,05. A maioria das mães que
participaram do estudo tinha idade entre 21 e 35 anos (75,5%), eram solteiras (65,3%),
tinham ensino médio completo (73,5%), eram pardas (63,3%), tinham renda familiar
de dois salários mínimos ou mais (55,1%) e trabalhavam como autônoma ou em casa
(63,3%). Dentre as pesquisadas 83,7% referiram ter realizado 6 ou mais consultas de
pré-natal, 55,1% tiveram parto normal, 53,1% eram multíparas e 60,2% delas
apresentaram queixas sobre amamentação. Quanto aos bebês, 56,1% eram do sexo
masculino, 89,8% encontrava-se em AME no momento da alta hospitalar pós-parto,
83,7% não receberam AME até o 6° mês de vida, 64,3% não tinham mais contato com
o leite materno no 6° mês, 34,7% estavam em aleitamento artificial no 6° mês, 56,1%
já tinham iniciado a introdução alimentar ao 6° mês sendo que 41,8% iniciou a papa a
partir do 5° mês. Houve associação entre aleitamento materno exclusivo no 6º mês e
escolaridade materna, em que foi observado que mães com ensino médio mantinham
menos o AME, quando comparadas com mães com ensino superior. Na análise de
associação entre a oferta de papa até o 6º mês e dados sociodemográficos e pré/pós-natais, houve associação entre a período da oferta de papa e renda familiar.
Observou-se que as famílias com maior renda iniciaram a oferta de papa
posteriormente, quando comparadas com as famílias de menor renda. As demais
associações não apresentaram resultados com significância estatística. Diante disso,
é possível concluir que a obtenção de informações e o conhecimento em relação à
amamentação, bem como à introdução alimentar no período adequado, são
favoráveis à manutenção do leite materno por um período maior.
Abstract
The World Health Organization (WHO) and the Ministry of Health (MH) of Brazil
recommend exclusive breastfeeding (EBF) up to the 6th month and in a complementary
way up to 2 years. However, despite being physiological, breastfeeding is a complex
process that is influenced by several factors, and currently EBF reaches only 45,8% of
babies up to 6 months of age. Early weaning is compromising for child development.
In view of this, knowing and understanding the factors that affect the continuity of BF
is important so that one can think of ways to help women in the breastfeeding process
and avoid problems related to early weaning. Therefore, the objective of this study was
to understand how socioeconomic factors, pregnancy and childbirth are related to the
situation of feeding in the sixth month of life of full-term newborns. This is an
observational, longitudinal, descriptive study with a quantitative approach, consisting
of 98 postpartum women, mothers of full-term babies. The study was approved by the
Research Ethics Committee of the HMOB under report number 4.480.984. Data
collection was structured by capturing data referring to the clinical history and the
moment of delivery – consulted in the babies’ medical records, followed by the
application of two structured questionnaires to the mothers, with questions related to
sociodemographic data, pre and post gestational data and the baby food in the 6th
month. A descriptive analysis of the data was performed, through the frequency
distribution of categorical variables, using Pearson’s chi-square test, with significant
associations with p≤0,05. Most of the mothers who participated in the study were aged
between 21 and 35 years old (75,5%), single (65,3%), had finished high school
(73,5%), mixed race (63,3%), had a family income of two minimum wages or more
(55,1 %) and worked as self-employed or at home (63,3%). 83,7% of the women
reported having had 6 or more prenatal consultations, 55,1% had a normal delivery,
53,1% were multiparous and 60,2% had complaints about breastfeeding. As for the
babies, 56,1% were male, 89,8% were on EBF at the time of postpartum hospital
discharge, 83,7% had not received EBF until the 6th month of life, 64,3% had no more
contact with breast milk in the 6th month, 34,7% were on artificial feeding in the 6th
month, 56,1% had already started the introduction of food in the 6th month and 41,8%
started porridge at the 5th month. There was an association between exclusive
breastfeeding in the 6th month and maternal education, in which it was observed that
mothers with secondary education maintained EBF less, when compared to mothers
with higher education. In the analysis of the association between the offer of porridge
up to the 6th month and sociodemographic and pre/postnatal data, there was an
association between the period of offering porridge and family income. It was observed
that families with higher income started offering porridge later, when compared to
families with lower income. The other associations did not show statistically significant
results. In view of this, it is possible to conclude that access to information and
knowledge regarding breastfeeding, as well as the introduction of food in the
appropriate period, are favorable to the maintenance of breast milk for a longer period.
Assunto
Desmame, Aleitamento materno, Nutrição da Criança, Fatores Sociodemográficos, Maternidades., Hospitais Públicos, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Desmame, Aleitamento materno, Nutrição da criança, Fatores sociodemográficos