Estudo comparativo da abordagem da dor no paciente pediátrico portador de Doença Falciforme atendido no Hospital das Clínicas da UFMG

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Leocir Pessini
Benigna Maria de Oliveira
Rosangela Carrusca Alvim

Resumo

As crises dolorosas da doença falciforme são freqüentes, por vezes dramáticas e recentemente têm sido associadas a uma mortalidade precoce. Representam o problema mais comum e debilitante encontrado em crianças e adolescentes com doenças falciforme. Geralmente são intensas persistem por longos períodos e representam a causa mais freqüente de hospitalização nesses pacientes. A dor aguda é uma experiência altamente complexa, dinâmica e subjetiva sendo útil apenas para orientar frente a uma situação ameaçadora além de tentar limitar a exposição à lesão adicional. Entretanto, a dor aguda não tratada, recorrente, ou crônica relacionada a doença ou ao cuidado médico pode ter conseqüências fisiológicas e psicológicas significantes e por toda a vida. Como em todas as outras condições médicas, o primeiro passo no processo de tratamento deve ser o diagnóstico acurado do problema. Logo, a avaliação da dor representa a base para todo o tratamento adequado da mesma. Recentemente, a hidroxyureia e o transplante de medula têm sido descritos como terapias eficazes em modificar o curso da doença em pacientes selecionados, porém a base para o tratamento das crises de vaso-oclusão continua sendo o uso de terapias não-farmacológicas como terapias cognitivas e terapias físicas associadas ao tratamento farmacológico, cuja base fundamental são os analgésicos opióides associados aos analgésicos comuns. Com o objetivo de comparar o tratamento não sistematizado da dor em pacientes pediátricos portadores da doença falciforme com o tratamento feito utilizando um protocolo específico no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, foi realizado um estudo dividido em duas partes: a primeira parte, um levantamento retrospectivo por meio de busca dos prontuários médicos desde janeiro de 1988 a março de 2001, avaliando-se a presença de registro sobre a avaliação da dor, a intensidade da dor, assim como o tipo de tratamento empregados; a segunda parte, um estudo prospectivo onde durante 18 meses aplicou-se um protocolo específico de avaliação (aplicação de escalas de dor) e tratamento sistemático da dor. No estudo retrospectivo, foi observado que não havia uma avaliação sistemática da dor e na maioria dos casos em que alguma avaliação foi realizada, métodos incorretos como a impressão subjetiva do profissional de saúde, foram empregados. Nesses casos avaliados houve uma tendência do profissional em qualificar a dor, na maioria das vezes (80%), como intensa, diferentemente dos casos do estudo prospectivo que com o uso de escalas apropriadas (escala facial e escala visual analógica), apenas 22% dos episódios foram considerados como de dor intensa. Apesar de em ambos os períodos estudados não ter havido diferença na freqüência do uso de opióides, o tipo de opióide ou da associação de opióides foi diferente entre os dois estudos. Observou-se que, em apenas 4 episódios de dor (11,8%) do estudo retrospectivo, o tratamento ter sido feito com drogas adequadas e coerentemente à avaliação realizada. E no estudo prospectivo em 95% dos episódios usou-se adequadamente os epióides e coerentemente à avaliação da dor realizada. É importante ressaltar o impacto que um protocolo específico de avaliação e tratamento da dor pode levar na mudança de comportamento frente a uma doença que pode ser considerada uma doença dos excuídos trazendo conforto e dignidade a esses pacientes.

Abstract

Assunto

Medicina    , Anemia falciforme, Dor aguda, Criança, Pacientes

Palavras-chave

Ciências da Saúde, Saúde da Criança e do Adolescente

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