Avaliação clínico-laboratorial e resposta terapêutica dos pacientes com orbitopatia de Graves
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Maria Marta Sarquis Soares
Milena Maria Moreira Guimarães
Milena Maria Moreira Guimarães
Resumo
INTRODUÇÃO: A orbitopatia associada à tireoide (OT) é uma doença autoimune e inflamatória da órbita, que gera significativa redução de qualidade de vida, mesmo em suas formas leves. Tabagismo ativo, disfunção tireoidiana, radioiodoterapia e hipercolesterolemia são seus fatores de risco conhecidos. Intervenção terapêutica específica é necessária quando a OT é caracterizada como ativa e moderada a grave, que acomete não mais que 6% dos pacientes. A terapêutica considerada padrão é o uso de corticoterapia, eficaz em 70% dos pacientes. Objetivo geral: caracterização epidemiológica, clínica e laboratorial de pacientes com OT moderada a grave ativa, submetidos à pulsoterapia com metilprednisolona. Objetivos específicos: avaliação da resposta terapêutica à pulsoterapia, bem como seus efeitos colaterais; avaliação de fatores possivelmente associados à resposta terapêutica da pulsoterapia e avaliação da resposta terapêutica de pacientes com OT e hipertireoidismo, submetidos a radioiodoterapia durante a pulsoterapia.
METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de coorte, retrospectivo. Os dados foram obtidos a partir da análise prontuário. Incluiram-se pacientes com OT forma moderada a grave ativa, atendidos no serviço de Endocrinologia do HC UFMG e em clínica privada, no período de 2006 a 2021. Pacientes incluídos foram tratados com pulsoterapia de metilprednisolona (4,5 g). Foram analisados dados epidemiológicos, função tireoidiana, positividade de autoanticorpos, comorbidades, grau de atividade da OT (CAS). Pacientes que melhoraram o CAS após tratamento (CAS inferior a 3) foram considerados respondedores (R). Não-respondedores (NR): pacientes que mantiveram CAS maior ou igual a 3 ao final da pulsoterapia e aqueles que demandaram uso de metilprednisolona de urgência/descompressão de órbita de urgência durante ou após término da pulsoterapia, independentemente do CAS final. Compararam-se tais grupos quanto às diversas variáveis clínico-laboratoriais, para avaliação de possíveis preditores de resposta terapêutica. Os resultados deste trabalho são apresentados no formato de artigo.
RESULTADOS: Incluiram-se 64 pacientes, 62 portadores de doença de doença de Graves e 2 portadores de tireoidite de Hashimoto, com mediana de idade igual a 48 anos. Vinte e cinco por cento dos pacientes eram tabagista ativos e 56% estavam em eutireoidismo no momento da atividade ocular. Quarenta e sete (73,4%) pacientes foram classificados como R. Os grupos R e NR não se diferiram em relação ao gênero, histórico tabágico, CAS pré-tratamento, positividade de TRAb e anti-TPO, função tireoidiana no momento da atividade ocular. Em relação ao tratamento do hipertireoidismo, 76,6% dos pacientes da amostra total foram submetidos a radiodoterapia. Realizar radiodoterapia durante a pulsoterapia discriminou pacientes R de NR, uma vez que 93,7% do primeiro grupo foram classificados como R, em contraste com 57,5% do segundo grupo (p=0.018).
CONCLUSÃO: A pulsoterapia foi eficaz, na maioria dos pacientes, no controle da atividade inflamatória da OT, resultado semelhante à literatura atual. Não foram identificados preditores de resposta ao glicocorticoide, exceto pelo momento de realização de radioiodoterapia. Sobre a controversa segurança de se realizar radiodoterapia em pacientes com OT ativa, este estudo levanta a hipótese de que a realização desta terapia não somente é segura, bem como pode estar relacionada à melhora da atividade ocular, quando realizada concomitantemente ao esquema da pulsoterapia com metilprednisolona.
Abstract
Assunto
Oftalmopatia de Graves, Iodo, Pulsoterapia, Fatores de Risco, Qualidade de Vida
Palavras-chave
Oftalmopatia de Graves, Iodo, Pulsoterapia