Estudo da hidronímia dos principais afluentes do rio São Francisco

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Membros da banca

Roselles Magalhães Felício
Maria do Socorro Vieira Coelho

Resumo

Desde os tempos antigos, os cursos d’água têm desempenhado um papel fundamental como rotas de navegação, migração e assentamento, além de fornecerem recursos essenciais para o sustento e o desenvolvimento humano. Nesse processo de convivência e adaptação, foram estabelecidos os topônimos, que servem como referências dessas rotas, refletindo a interação entre o ser humano e o ambiente, bem como a construção das identidades culturais locais. Diante dessa importância, este estudo teve como objetivo sistematizar, descrever e analisar os nomes dos 46 principais afluentes do rio São Francisco, investigando os fatores que motivaram a constituição desses topônimos. Para tanto, adotou-se uma abordagem teórica baseada nas ciências do léxico, que examinam a relação entre língua, cultura e sociedade, com base nas contribuições de Sapir (1969), Saussure (2006), Biderman (1987, 2006, 2014) e Isquerdo (1997, 2014). No campo da toponímia, o estudo aprofundou-se nas teorias de Dauzat (1926), pioneiro dos estudos toponomásticos, e Dick (1990, 1990a), referência no Brasil pelos modelos taxonômicos, além da perspectiva diacrônica de Seabra (2004), que analisou a evolução histórica dos nomes de lugares. A pesquisa confirmou a hipótese de que os topônimos refletem processos de nomeação relacionados às rotas migratórias históricas e ao contexto de colonização do Brasil. Os dados linguísticos foram analisados para compreender as motivações, os contextos culturais e a relação com as identidades indígena, africana e de outros imigrantes. Além disso, realizou-se a classificação taxonômica dos topônimos, com a quantificação dos dados e sua apresentação em gráficos, quadros e tabelas. A análise revelou que os topônimos atuam como marcas históricas, projetadas pela consciência humana no ambiente, perdurando e se expandindo ao longo do tempo. Observou-se também que os topônimos funcionam como uma memória coletiva, preservando as vivências e identidades humanas, mesmo diante das transformações no espaço geográfico.

Abstract

Since ancient times, watercourses have played a pivotal role as routes for navigation, migration, and settlement, in addition to providing essential resources for human sustenance and development. Throughout this process of coexistence and adaptation, toponyms have been established, serving as references for these routes and reflecting the interaction between humans and their environment, as well as the construction of local cultural identities. Given their significance, this study aimed to systematize, describe, and analyze the names of the 46 main tributaries of the São Francisco River, investigating the factors that motivated the creation of these toponyms. A theoretical approach rooted in lexical studies was adopted, examining the relationship between language, culture, and society based on contributions from Sapir (1969), Saussure (2006), Biderman (1987, 2006, 2014), and Isquerdo (1997, 2014). In the field of toponymy, the study delved into the theories of Dauzat (1926), a pioneer in toponomastic studies, and Dick (1990, 1990a), a Brazilian authority known for her taxonomic models, alongside Seabra’s (2004) diachronic perspective, which analyzed the historical evolution of place names. The research confirmed the hypothesis that toponyms reflect naming processes tied to historical migratory routes and Brazil’s colonization context. Linguistic data were analyzed to understand the motivations, cultural contexts, and their relationship with Indigenous, African, and other immigrant identities. Furthermore, the toponyms were classified taxonomically, with data quantified and presented through graphs, charts, and tables. The analysis revealed that toponyms act as historical markers, projected by human consciousness onto the environment, persisting and expanding over time. It was also observed that toponyms function as collective memory, preserving human experiences and identities despite transformations in geographic space.

Assunto

Língua portuguesa – Variação, Língua portuguesa – Regionalismo – São Francisco, Rio, Bacia, Toponímia, Onomástica, Lexicologia

Palavras-chave

Léxico, Hidronímia, Onomástica, Rio São Francisco, Toponímia

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