O lugar da cultura na ação do comando brasileiro no Haiti segundo os enquadramentos nos proferimentos oficiais e no jornal Folha de São Paulo
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
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Vera Regina Veiga Franca
Elisabete Sanches Rocha
Elisabete Sanches Rocha
Resumo
Esta dissertação investiga qual o lugar da cultura na atuação do comando brasileiro na Missão de Paz da ONU no Haiti (MINUSTAH) frente ao campo político e ao campo midiático. A análise da assunção brasileira neste proeminente assunto de política externa é feita sob a abordagem dos Estudos Culturais. Desta forma, a centralidade da cultura na vida social trazida por este debate teórico permite ver o processo tido como eminentemente político à luz de sua dimensão cultural. Sob o entendimento da conveniência da cultura em que a cultura é avaliada como um recurso a ser gerenciado, seja para desenvolvimento econômico, para a cidadania, para a amenização de conflitos políticos etc. buscou-se compreender a cultura como um recurso acionado publicamente pelo Estado e pelos media, seja para estreitar estrategicamente os vínculos identitários entre o Brasil e o Haiti, seja para conformar uma atitude adequada e concernente aos ditames do cenário internacional e da própria ONU. Especificamente, o corpus de análise foi definido em dois eixos: um jornal impresso de grande circulação nacional, neste caso a Folha de S. Paulo (representando a visibilidade midiática do tema); e proferimentos oficiais de autoridades governamentais brasileiras, do Presidente Luis Inácio Lula da Silva e do Ministro Celso Amorim, dispostos no site do Ministério das Relações Exteriores (representando a voz oficial do Estado brasileiro). Utilizou-se como desenho teórico-metodológico a análise de conteúdo conjugada com a dos enquadramentos, organizando-se o período recortado dos 4 anos e 2 meses da missão segundo três estágios operacionais. São eles: 1. Chegada dos capacetes azuis da ONU no Haiti e estabilização; 2. Preparo para a eleição democrática no país; 3. Situação pós-eleição e desenvolvimento de outras dimensões da missão projetos infra-estruturais, desenvolvimento do país e ajudas frente aos desastres naturais. Assim, aventaram-se cinco categorias de análise que serviram para filtrar todo o material e identificar o lugar da cultura nos enquadramentos sobre a MINUSTAH. Consideraram-se inclusive as diferenciações trazidas em cada fase por influenciarem na análise final, dado o fortalecimento ou o enfraquecimento no decorrer dos estágios de uma dada categoria e não outra, trazendo o peso e o lugar da dimensão cultural no processo. As cinco categorias aventadas foram: Cultura como recurso na estratégia de vinculação identitária; cultura como recurso de legitimação no Brasil; cultura como recurso da política para empreender uma cooperação internacional, altiva e adequada às novas orientações do cenário global; cultura como recurso de uma construção pacífica e solidária; cultura como recurso de conquista da legitimidade haitiana. Verifica-se que a cultura foi acionada como um recurso político central neste processo, predominando a cultura como recurso da política para empreender uma cooperação internacional, altiva e adequada às novas orientações do cenário global.
Abstract
Assunto
Comunicação e cultura, Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti, Brasil Relações exteriores Haiti, Comunicação, Comunicação de massa, Movimentos de paz
Palavras-chave
Comunicação e cultura, Cultura como recurso, MINUSTAH, Relações internacionai