Relação entre a qualidade de sono autodeclarada e o tratamento de pacientes em um centro de terapia intensiva (CTI) coronariano: desde a internação até após a alta
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Marco Túlio de Mello
Juliana de Melo Ocarino
Renato de Carvalho Guerreiro
Juliana de Melo Ocarino
Renato de Carvalho Guerreiro
Resumo
OBJETIVOS: 1) investigar a qualidade de sono referida pelo paciente coronariano no centro de terapia intensiva (CTI), na ocasião da internação, após a realização do tratamento, e depois de sua alta 2) Identificar se houve mudança na percepção da qualidade de sono do paciente e em que momento ela foi percebida.
MÉTODO: Caracteriza-se como um estudo exploratório prospectivo de abordagem quantitativa que incluiu pacientes hospitalizados no CTI coronariano do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte (SCBH) por Síndrome Coronariana Aguda -SCA (Infarto agudo do miocárdio (IAM) com e sem supra de ST, Angina Instável) acima de 18 anos, de ambos os sexos que foram convidados e aceitaram participar desse estudo. Foram aplicados questionário para coleta de variáveis sociodemográficas e clínicas do paciente, além de questionários de controle das variáveis de confusão (avaliação de dor, ansiedade e estado mental), e avaliação da qualidade do sono. Para análise de dados foi feita uma análise descritiva, em que os resultados foram apresentados como médias e respectivos desvios padrão ou mediana e intervalo interquartil para caracterização da amostra.
RESULTADOS: Um total de 30 voluntários com média de idade de 60,46 anos (DP=9,50), havendo predomínio de participantes do sexo masculino (56,7%) participaram do estudo, e em sua maioria, apresentavam ao menos uma comorbidade, sendo hipertensão (84,6%) a mais observada. A análise estatística levou em consideração um nível de significância de p < 0,05. Houve diferença estatística quando comparados dados dos momentos da fase I (admissão-pré tratamento) x fase II (pós tratamento), e das fases I (pré tratamento) x III (pós internação) com relação a insônia, ansiedade e qualidade do sono. Foi encontrado que 60% dos pacientes referiam boa qualidade do sono quando essa pergunta era feita diretamente a eles, mas de acordo com o escore obtido, 80% apresentavam sono de má qualidade.
CONCLUSÃO: O trabalho mostrou que a qualidade de sono dos pacientes foi pior na fase aguda da doença (fase I- admissão), e melhor nas fases II (pós tratamento) e fase III (pós alta hospitalar), assim como a ansiedade e a insônia foram pior na fase I (admissão) e melhoraram na fase III (pós alta hospitalar). Quanto ao autorrelato da qualidade de sono dos pacientes, o trabalho mostrou que a percepção do sono foi pior na fase I (admissão) com melhora nas fases II (pós tratamento) e fase III (pós alta hospitalar). É importante que sejam criadas ações multidisciplinares e integradas para agrupar o cuidado e reduzir a perturbação tanto ambiental quanto provocada pela equipe, como meio de promoção do sono adequado no CTI, além de conscientizar os profissionais do setor sobre a influência do sono na reabilitação do organismo, acompanhada de práticas que promovam a não interrupção desse processo.
Abstract
OBJECTIVES: 1) to investigate the sleep quality reported by coronary patients in the
intensive care unit (ICU) at the time of admission, after treatment, and following
discharge; 2) to identify whether there was a change in the patient's perception of
sleep quality and when it was perceived.
METHOD: This was a prospective exploratory study with a quantitative approach. It
included patients hospitalized in the coronary ICU of the Santa Casa Hospital in Belo
Horizonte due to Acute Coronary Syndrome (Acute Myocardial Infarction [AMI] with
and without ST-segment elevation, and Unstable Angina), aged over 18 years, of
both sexes, who were invited and agreed to participate in the study. Questionnaires
were used to collect sociodemographic and clinical variables, as well as instruments
to control for confounding variables (pain, anxiety, and mental state assessment),
and to assess sleep quality. Descriptive analysis was conducted, with results
presented as means and standard deviations or medians and interquartile ranges for
sample characterization.
RESULTS: A total of 30 volunteers with an average age of 60.46 years (SD = 9.50),
the majority of whom were male (56.7%), participated in the study. Most participants
had at least one comorbidity, with hypertension (84.6%) being the most commonly
observed. Statistical analysis considered a significance level of p < 0.05. A
statistically significant difference was found when comparing data from phase I
(admission–pre-treatment) to phase II (post-treatment), and from phase I (pretreatment) to phase III (post-hospitalization), regarding insomnia, anxiety, and sleep
quality. It was found that 60% of patients reported having good sleep quality when
asked directly, but according to the obtained scores, 80% actually had poor sleep
quality.
CONCLUSION: The study showed that patients' sleep quality was worse during the
acute phase of the illness (Phase I – admission), and improved in Phases II (posttreatment) and III (post-hospital discharge). Similarly, anxiety and insomnia were
worse in Phase I (admission) and improved in Phase III (post-discharge). Regarding
patients' self-reports of sleep quality, the study showed that their perception of sleep
was worse in Phase I (admission), with improvement in Phases II (post-treatment)
and III (post-discharge). It is important to develop multidisciplinary and integrated
actions to consolidate care and reduce disturbances, both environmental and those
caused by the healthcare team, as a means of promoting proper sleep in the ICU.
Furthermore, it is essential to raise awareness among healthcare professionals about
the influence of sleep on the body's recovery, accompanied by practices that prevent
the interruption of this process.
Assunto
Síndrome coronariana aguda, Pacientes internados, Qualidade do sono, Unidades de terapia intensiva
Palavras-chave
Restrição de sono, Síndrome coronariana aguda (SCA), Qualidade de sono
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