Uma análise de situações argumentativas ao longo do 9° ano do ensino fundamental: aprendendo a avaliar o conhecimento em aulas de ciências
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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An analysis of argumentative situations throughout the 9th year of elementary school: learning to assess knowledge in science classes
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Resumo
Esta pesquisa de doutorado buscou investigar como estudantes do 9° ano do Ensino
Fundamental de uma escola pública constroem práticas de avaliação do conhecimento enquanto
se engajam em situações argumentativas em aulas de Ciências. Por meio da revisão de literatura
realizada, ficou evidente a importância das práticas epistêmicas de avaliação para a ciência
escolar (e.g. análise dos méritos de afirmações, evidências ou modelos científicos, avaliação de
linhas de raciocínio científico ou de outros tipos de raciocínio, ponderação entre diferentes
interpretações para dados etc.). O estudo, que faz parte de um projeto mais amplo, foi realizado
ao longo do ano letivo de 2020 que, em virtude da pandemia do COVID-19, se estendeu até os
primeiros meses de 2021. Ao longo do ano, foram desenvolvidas atividades relacionadas a
conteúdos sobre Corpo Humano, Genética e Evolução, sendo também discutidos aspectos
relacionados à pandemia, de acordo com o conhecimento produzido até aquele momento.
Partindo do referencial da Pragma-dialética em Argumentação, selecionamos aulas nas quais
identificamos situações de desacordo, isto é, em que emergiam diferentes pontos de vista cuja
argumentação não necessariamente se dava em moldes canônicos da argumentação cientifica.
Por meio dessa seleção, identificamos eventos com maior potencial analítico para
caracterização das práticas de avaliação do conhecimento entre os estudantes. Com base na
perspectiva das Etnografia em Educação, buscamos analisar os eventos em nível macroscópico,
situando os eventos ao longo do ano letivo. Para isso, construímos quadros de aulas e mapas de
eventos. Tais eventos foram transcritos em unidades de mensagem e organizados em unidades
interacionais para que fossem analisados em nível microscópico. Os resultados indicam que os
estudantes participaram de situações argumentativas se engajando como protagonistas ou
antagonistas, majoritariamente de forma explícita, partir de oportunidades de discordância em
diferentes contextos instrucionais. Essas características do engajamento dos estudantes foram
interpretadas com base na mediação do professor, que favorecia de forma recorrente a
participação ativa dos estudantes nas interações em sala e a explicitação de discordâncias.
Baseados no referencial de práticas epistêmicas, as análises também indicaram que os
estudantes se engajaram em práticas de avaliação ao: avaliarem os méritos de afirmações e de
evidências, ponderarem diferentes linhas de raciocínio, proporem interpretações alternativas a
um mesmo dado, além de analisarem estratégias argumentativas. O desenvolvimento dessas
práticas se deu por meio da recorrência de certas práticas, reiteradas pelas atividades e pela
forma como o professor orquestrava as interações; a complexificação de práticas, mais
elaboradas à medida que os estudantes se engajavam nas situações argumentativas ao longo do
ano; e a emergência de práticas, como observado nos últimos eventos do ano que retratavam
novas formas de se engajarem em práticas de avaliação. Tais processos nos deram indícios de
aprendizagem de outros domínios do conhecimento científico, nem sempre explorados nas
aulas de Ciências. Discutimos implicações desses resultados para a pesquisa na área de
Educação em Ciências, bem como para a prática pedagógica.
Abstract
Assunto
Educação, Ciência - Estudo e ensino, Ensino fundamental, Etnografia - Educação
Palavras-chave
Práticas epistêmicas de avaliação, Argumentação, Etnografia em educação, Ensino de Ciências