Associação do comprimento de telômeros em uma amostra de idosas brasileiras deprimidas
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é um transtorno multi-fatorial e
importante causa de morbidade e incapacidade. No Brasil sua prevalência é
alta, sendo entre idosos igual a 34,9%. Na população geral, a prevalência de
sintomas depressivos em mulheres é duas vezes maior do que em homens e a
probabilidade de TDM é cerca de 30% maior em pessoas com 60 a 79 anos. O
risco relativo para morrer de pessoas com depressão também é maior. Dentre
as explicações propostas para o aumento de mortalidade associada a
depressão, a desregulação de diversos sistemas associados ao estresse e que
ocasionariam um envelhecimento acelerado seriam uma importante causa. O
processo de envelhecimento celular é controlado pelos telômeros, que
protegem o genoma contra mecanismos de reparo anormais do DNA. Há uma
via comum entre envelhecimento e o TDM. Estudos com animais sugerem uma
relação entre a integridade do telômero e comportamentos depressivos. Há
vasta literatura corroborando a associação entre o comprimento dos telômeros
e sintomas depressivos em adultos, mas os achados são controversos quando
considerada somente a população idosa. Este estudo se propõe a avaliar se há
associação entre redução de telômero em idosos do sexo feminino com
depressão quando comparados com idosos sem diagnóstico psiquiátrico,
controlando outros fatores associados à sua redução. Os pacientes e idosos
controles são provenientes de encaminhamentos externos (postos de saúde,
outros ambulatórios do Hospital das Clínicas da UFMG) e do Projeto Mais Vida.
Foram triados pela equipe 498 idosos dos quais 269 foram excluídos por
preencherem algum dos critérios de exclusão do projeto. 229 indivíduos
encaminhados para as avaliações psiquiátrica e neuropsicológica. Ao final,
participaram 65 sujeitos (37 deprimidos e 28 controles). Neste trabalho foram
utilizados os dados da primeira avaliação (tempo zero). Todos os sujeitos foram
avaliados clinicamente por psiquiatras e neuropsicólogos com o auxílio da
ferramenta MINI-Plus. Para avaliação da gravidade dos sintomas depressivos
utilizou-se a HDRS-21. Foram coletados também dados demográficos,
presença de comorbidades clínicas e os medicamentos utilizados pelos
participantes. O plasma foi obtido a partir de sangue total colhido em tubo com
EDTA e armazenado a -80°C até as análises. O comprimento relativo dotelômero foi medido usando PCR em tempo real. Em nossa amostra não
encontramos associação entre TDM e encurtamento dos telômeros em idosos.
Também não foi encontrada diferença quando estratificamos o grupo de idoso
com TDM em “Depressão de Início Precoce” e “Depressão de Início Tardio”. A
luz de tais resultados consideramos que possa ter ocorrido mortalidade
diferenciada entre os portadores de TDM, que os pacientes da amostra tenham
uma telomerase mais ativa, que a exposição a outras fontes de dano ao
telômero ao longo da vida superaram os efeitos do TDM. Também é importante
ressaltar que há variações intra- e inter- laboratórios e que o tipo de ensaio
usado influencia no achado do tamanho do telômero. Concluímos questionando
a validade se o comprimento do telômero é realmente um marcador de
envelhecimento celular útil em idosos e sugerimos o estudo das outras funções
do telomerase. Ressaltamos a carência de estudos acerca da avaliação do
comprimento de telômeros em idosos com TDM tanto na literatura em geral, e
principalmente no contexto nacional.
Abstract
Assunto
Transtorno Depressivo Maior, Idoso, Telômero, Envelhecimento, Prevalência, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Transtorno Depressivo Maior, Idoso, Telômero, Envelhecimento