Interações entre invertebrados planctônicos de lagoas impactadas por peixes não-nativos (médio rio Doce – MG): uma abordagem experimental e paleolimnológica
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
Atualmente, diversas lagoas do médio rio Doce (MG) apresentam teias tróficas
completamente alteradas por peixes piscívoros não-nativos. Em tais comunidades, a
ictiofauna planctívora nativa se tornou escassa e populações do invertebrado predador
Chaoborus (Diptera) cresceram excessivamente (“liberação ecológica”). Como
consequência, pequenos cladóceros possivelmente foram suprimidos ou mesmo extintos
o que pode ter estimulado o aumento da biomassa de microalgas. Esta tese teve como
propósito geral estudar a ecologia das larvas de Chaoborus de duas lagoas do médio rio
Doce (lagoas Carioca e Jacaré). Buscou detalhar como os caoborídeos locais interagem
entre si e com suas presas zooplanctônicas. Para tanto, foram adotadas diferentes
abordagens de pesquisa: experimentos in situ, descrição da dieta das larvas através da
análise do conteúdo dos seus papos, monitoramento mensal das populações larvais,
biometria das larvas, avaliação do registro fóssil, observação visual de organismos vivos
e testes de predação ex situ. De acordo com nossos experimentos in situ (mesocosmos),
as larvas de Chaoborus não exercem um forte controle “top-down” sobre as populações
de copépodes e rotíferos dominantes na lagoa Carioca. Localmente, as larvas das três
espécies simpátricas de Chaoborus são onívoras consumindo uma grande variedade de
presas ao longo do desenvolvimento. Indivíduos heteroespecíficos de mesmo instar
apresentaram características morfométricas distintas e dietas com baixa sobreposição o
que pode, teoricamente, estar contribuindo para a coexistência dos diferentes táxons nessa
comunidade. A análise do registro fóssil apontou um declínio significativo no número de
carapaças de Bosmina nos estratos sedimentares correspondentes ao período após a
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invasão dos peixes piscívoros não-nativos. Assim, de fato, eles podem ter afetado
negativamente não somente suas presas diretas (peixes nativos planctívoros) como
também organismos de outros níveis tróficos (cladóceros herbívoros). Adicionalmente,
observações visuais dos organismos da lagoa Jacaré revelaram que uma reposta
comportamental anti-predação (acinesia) não explica completamente o baixo consumo de
ostrácodes da espécie Physocypria schubarti pelas larvas locais de Chaoborus. Testes de
predação ex situ também apontaram que elevadas densidades desse ostrácode na coluna
d’água afetam negativamente a performance desse predador invertebrado sobre neonatas
do cladócero Ceriodaphnia silvestrii. De modo geral, nossos dados demonstraram o quão
complexa e variável podem ser as interações estabelecidas entre invertebrados
planctônicos de água doce mesmo em comunidades pobres e fortemente impactadas por
peixes piscívoros não-nativos como as de lagoas do médio rio Doce.
Abstract
Currently, the trophic webs of several middle Doce River lakes (MG) are strongly
impacted by non-native piscivorous fish. In such communities, the native planktivorous
ichthyofauna became scarce and the predatory Chaoborus larvae (Diptera) may have
formed dense populations (“ecological release”). As a result, small-sized cladocerans
were possibly suppressed or even became extinct, which may have stimulated the growth
of phytoplankton biomass. This research had as general objective to study the ecology of
Chaoborus larvae from two middle Doce River lakes (Lakes Carioca and Jacaré).
Specifically, it sought to investigate how the local Chaoborus larvae interact with each
other and with their zooplanktonic prey. For this, we used different research approaches:
in situ experiments (mesocosms), larval diet description based on the crop analysis,
traditional population monitoring techniques, larval biometry, paleolimnological
evaluation of sediments, visual observations of live zooplankters, and laboratory
predation experiments. According to our mesocosm experiments in Lake Carioca, the
Chaoborus larvae does not strongly control (top-down) the dominant rotifers and
cyclopoid copepods. Locally, the larvae of the three sympatric Chaoborus species are
omnivorous ingesting a wide variety of prey items throughout their development. There,
heterospecific individuals of the same instar exhibit distinct morphometric characteristics
and relatively low diet overlap which, in theory, may be contributing to their coexistence.
The microfossil analysis of invertebrates indicated a significant numerical decline of
cladoceran caparaces (genus Bosmina) in the sediment samples corresponding to the
period after the invasion of non-native piscivorous fish. Thus, in fact, they may have
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negatively affected not only their direct prey species (native planktivorous fish) but also
the organisms of other trophic levels (herbivorous cladocerans). Additionally, our visual
observations of live zooplankters from Lake Jacaré showed that an anti-predation
behavioral reaction (akinesis) does not fully explain the low consumption of Physocypria
schubarti ostracods by local Chaoborus larvae. Laboratory predation experiments also
suggested that high densities of this ostracod species in the water column negatively affect
the predatory performance of Chaoborus larvae on Ceriodaphinia silvestrii neonates. In
general, our data demonstrated how complex and variable can be the ecological
interactions established between freshwater planktonic invertebrates even in poor
communities highly impacted by non-native piscivorous fish such as those from the
middle Doce River lakes.
Assunto
Ecologia, Peixes, Tanques, Microalgas, Zooplâncton
Palavras-chave
Chaoborus, Cascata trófica, Controle top-down, Mesocosmos e predação intra-zooplanctônica.
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