Avaliação de desempenho de olanzapina e risperidona em pacientes com esquizofrenia no Sistema Único de Saúde: estudo de efetividade em uma coorte de dezesseis anos no Brasil.
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Micheline Rosa Silveira
Marcelo Cunio Machado Fonseca
Ivan Ricardo Zimmermann
Kathiaja Miranda Souza
Marcelo Cunio Machado Fonseca
Ivan Ricardo Zimmermann
Kathiaja Miranda Souza
Resumo
Introdução: Os antipsicóticos têm se destacado no tratamento dos pacientes com esquizofrenia e alguns destes medicamentos são fornecidos pelo SUS. O desafio de compreender a eficácia, a efetividade e a segurança destes fármacos continua em evidência. Objetivo: Avaliar a efetividade e os seus fatores associados da olanzapina e da risperidona no tratamento dos pacientes com esquizofrenia, por meio de uma coorte de 16 anos de acompanhamento e de âmbito nacional. Métodos: Foram integradas e pareadas três bases de dados do SUS: Sistemas de Informação Ambulatorial, Hospitalar e de Mortalidade. Posteriormente, os pacientes foram pareados (1:1) por internação psiquiátrica, ano de recebimento do antipsicótico, sexo e idade; de acordo com os medicamentos de entrada na coorte, olanzapina ou risperidona. Foram analisadas as curvas de probabilidade cumulativa de descontinuação do tratamento, geradas pelo estimador de Kaplan-Meier, e avaliados os fatores associados com internação psiquiátrica e óbito, pelo modelo de riscos proporcionais de Cox. Na sequência, foram realizadas análises multivariada e de sensibilidade. Resultados: Foram incluídos 3416 pares de pacientes, sendo 1708 no grupo olanzapina e 1708 no risperidona. Olanzapina apresentou tempo maior até descontinuação do tratamento (p = 0,021). Consequentemente, risperidona apresentou risco maior para a descontinuação do tratamento (p = 0,021), inclusive na análise multivariada (p = 0,017). Considerando o evento internação psiquiátrica, o risco também foi maior com risperidona (p = 0,006). Entre os pacientes persistentes por 24 meses, não houve diferenças estatisticamente significativas entre olanzapina e risperidona para o risco de descontinuação do tratamento (p = 0,06). Conclusão: Olanzapina demonstrou efetividade superior a risperidona, considerando toda a população e entre os pacientes que apresentaram internação psiquiátrica como evento. Estes achados não se sustentaram em todas as análises. Possivelmente, os pacientes desta coorte estejam em acompanhamento ambulatorial e sejam mais estáveis. Os estudos de mundo real oriundos de grandes bases de dados colaboram com os estudos experimentais na consolidação das evidências.
Abstract
Introduction: Antipsychotics have stood out in the treatment of patients with
schizophrenia and some of these drugs are provided by SUS. The challenge of
understanding the efficacy, effectiveness and safety of these drugs remains in
evidence. Objective: To evaluate the real-world effectiveness and its associated
factors of olanzapine and risperidone in the treatment of patients with schizophrenia,
through a cohort of 16 years of follow-up and nationwide. Methods: Three SUS
databases were integrated and paired: Outpatient, Hospital and Mortality Information
Systems. Subsequently, the patients were paired (1:1) for psychiatric hospitalization,
year of receipt of the antipsychotic, sex and age; according to the cohort entry
medications, olanzapine or risperidone. The cumulative probability curves of treatment
discontinuation, generated by the Kaplan-Meier estimator, were analyzed and the
factors associated with psychiatric hospitalization or death were evaluated using Cox's
proportional hazards model. Subsequently, multivariate and sensitivity analyzes were
performed. Results: 3416 pairs of patients were included, 1708 in the olanzapine
group and 1708 in risperidone. Olanzapine had a longer time until discontinuation of
treatment (p = 0.021). Consequently, risperidone was at higher risk for treatment
discontinuation of treatment (p = 0.021), including in the multivariate analysis (p =
0.017). Considering the psychiatric hospitalization event, the risk was also greater with
risperidone (p = 0.006). Among patients persisting for 24 months, there were no
statistically significant differences between olanzapine and risperidone for the risk of
discontinuation of treatment (p = 0.06). Conclusions: Olanzapine was shown to be
more real world effective than risperidone, considering the entire population and
among patients who had psychiatric hospitalization as an event. These findings were
not supported in all analyzes. Possibly, patients in this cohort are being followed up on
an outpatient basis and are more stable. Real-world studies from large databases
collaborate with experimental studies in consolidating evidence.
Assunto
Palavras-chave
Antipsicóticos, Base de dados, Efetividade, Esquizofrenia, Olanzapina, Risperidona