Ao toque da vista, ao alcance da imagem : arqueologia de fotografias históricas da Antártica
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Melisa Anabella Salerno
Rui Gomes Coelho
Sarah de Barros Viana
Luiz Cláudio Pereira Symanski
Rui Gomes Coelho
Sarah de Barros Viana
Luiz Cláudio Pereira Symanski
Resumo
Essa pesquisa propõe a análise experimental de fotografias históricas antárticas, engajando a arqueologia como dispositivo de observação em difração ao realismo agencial de Karen Barad e à filosofia da fotografia de Vilem Flusser. Tais imagens se fizeram mais comuns com as expedições científico-exploratórias, a partir de 1890, tornando-se as propositoras populares de um continente de acesso restrito, que se mantém basicamente virtualizado à parte majoritária da população mundial. Da perspectiva arqueológica, há nos coletivos de fotografias vestígios de ocupações humanas e evidências de configurações que nos permitem compreender atividades ou funções exercidas em contextos específicos. O quadro teórico permite propor, entretanto, que o interesse arqueológico irradia do estado da matéria (“a fotografia”) à configuração da observação (“o fazer a imagem”), emergindo um novo objeto de análise, a imagem-fenômeno. Proponho que em tais coletivos, cada fotografia conforme um setor a ser escavado através de metodologias específicas. Cada imagem-fenômeno pode ser observada e descrita em sua superfície, como varredura de elementos figurativos e não figurativos que sugerem locais de interesse arqueológico, e escavada em dois sentidos: em profundidade (fotoquadrículas) e em extensão (fototículas). A escavação em profundidade pode ser compreendida, no sentido estrito do termo, como um atravessamento, camada por camada, que resulta na caracterização físico-química ou, no sentido abstrato do termo, na caracterização iconográfica da imagem. A escavação em extensão remete à teoria flusseriana e permite evidenciar programas engajados no fenômeno em que a imagem emergiu. Como meu objeto de pesquisa é acessado por suas matrizes digitais, desenvolvo, nesse momento, apenas a escavação em extensão de algumas imagens. Inicio com a coleção fotográfica do capitão Scott na expedição antártica britânica Terra Nova (1910-1913), composta por exercícios fotográficos realizados com instruções recebidas por Ponting, o primeiro fotógrafo profissional a atuar na Antártica. A emergência de tais imagens se faz possível pela superposição com outros fenômenos, como as fotografias da expedição antártica britânica Discovery (1901-1904), e os programas amalgamados por ambas. A superfície evidencia, portanto, camadas programáticas, que incluem o programa técnico do aparelho, o programa institucional da expedição, programas editoriais, etc. A superposição entre superfície e programas compõe uma última camada: o sistema no qual tais imagens circulam e vivem. Nesse sentido, além de evidenciarem a história de nossas intra-ações com o continente, tais imagens agem e são agenciadas, com a sua instrumentalização e circulação. Enfim, é observado um modelo proposto e agenciado com a imagem, que pode ser confrontado pela diversidade objetiva, abafada porém existente, em sua própria constituição.
Abstract
Assunto
Antropologia - Teses, Fotografias - Teses, Antártida - Teses, Arqueologia - Teses
Palavras-chave
Arqueologia das imagens gráficas, Arqueologia histórica