Síndrome de Segawa: aprimoramento do fenótipo e proposta de gestão de casos
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Segawa syndrome: improvement of phenotype and case management proposal
Primeiro orientador
Membros da banca
Maria Raquel Santos Carvalho
Fabrício de Araújo Moreira
Raquel Tavares Boy da Silva
Luiz Carlos Santana da Silva
Keyla Christy Christine Mendes Sampaio
Joel Alves Lamounier
Fabrício de Araújo Moreira
Raquel Tavares Boy da Silva
Luiz Carlos Santana da Silva
Keyla Christy Christine Mendes Sampaio
Joel Alves Lamounier
Resumo
Introdução: A ultrarrara síndrome de Segawa, ou distonia dopa-responsiva (DRD) causada
por variantes em heterozigose no gene da GTP ciclohidrolase 1 (DYT/PARK-GCH1 AD),
apresenta manifestações motoras conhecidas e sintomas não motores (SNM) menos
estudados.
Objetivos: Ampliar o conhecimento das manifestações clínico-laboratoriais dessa síndrome,
contribuindo para definir sua penetrância incompleta e a relevância do uso de levodopa/outros
psicofármacos em seu fenótipo. Propor uma tecnologia de gestão de casos para indivíduos
acometidos.
Métodos: 1) Familiares com o diagnóstico clínico e/ou genético da variante IVS5+3insT em
heterozigose no gene da GTP ciclohidrolase 1 (n = 16-23) e grupo controle intrafamiliar (n =
12-21); 2) Revisão histórica dos SNM na DYT/PARK-GCH1 AD; 3) Investigação de SNM,
por formulários validados, e medicamentos afins em indivíduos com a variante; 4) Dosagens
séricas de aminoácidos (e seus influxos cerebrais estimados), serotonina e melatonina diurno-
noturna, considerando o uso de levodopa/outros psicofármacos, interfaciadas com avaliações
de SNM do mestrado afim; 5) Investigação do transtorno misto de ansiedade-depressão e da
síndrome de pernas inquietas (SPI), por formulários validados; 6) Gestão de casos de
indivíduos com DYT/PARK-GCH1 AD, mediante ferramentas sistematizadas, incluindo
gestantes com SPI.
Resultados: Sintomas depressivos se destacaram na revisão e tese. Considerados como SNM,
aumentaram a penetrância estimada da DYT/PARK-GCH1 AD de 58,80 para 88,20% nessa
família. Em indivíduos com a variante, o influxo cerebral estimado médio da fenilalanina foi
maior (p = 0,015) e, se usuários de levodopa, o nível médio de triptofano foi menor (p =
0,046). O uso de levodopa correlacionou-se com níveis mais baixos de melatonina noturna,
comparados aos dos demais indivíduos com a variante (p = 0,031), sendo capaz de alterar
outras correlações estudadas entre pares de variáveis. Não houve associação clara entre
indivíduos com a DYT/PARK-GCH1 AD e transtorno misto de ansiedade-depressão ou SPI,
possivelmente por fatores confundidores. Duas primíparas com DRD e SPI em uso de
levodopa tiveram bebês com perímetro cefálico no percentil 5,59, com recuperação no
primeiro mês, evoluindo bem e amamentados. A gestão de casos dos demais indivíduos,
nomeada "Gestão de Vidas Raras" (GVR), reduziu os sintomas motores da DRD (apenas um
caso manteve resposta pobre) e da SPI (em 50% dos reavaliados no primeiro monitoramento e
em 100% no segundo; com gravidade média 44,87% menor no quarto monitoramento
comparado ao início). A GVR também reduziu sintomas depressivos (em 53,85% dos
indivíduos e 17,20% do escore médio), estados de anergia/abulia/apatia (em
38,38/31,55/81,75%) e o percentual de indivíduos com escala de impulsividade alterada
(33,33 para 15,38%), comparativamente à avaliação inicial.
Conclusões: Sintomas depressivos determinaram aumento da penetrância incompleta. O uso
de levodopa interferiu nas avaliações clínicas (como SPI e SNM) e laboratoriais propostas. O
influxo cerebral aumentado de fenilalanina pode ser um marcador bioquímico diagnóstico nos
indivíduos com a variante. Nestes, associações como uso de levodopa e menor melatonina
sérica noturna devem ser aprofundadas, por possíveis benefícios como ingestão de melatonina
para melhor qualidade de vida. A gestão de casos se mostrou efetiva nesses indivíduos,
incluindo gestantes/nutrizes com SPI em uso de levodopa, e aplicável a outras doenças raras.
Abstract
Introduction: The ultra-rare Segawa syndrome, or dopa-responsive dystonia (DRD) caused by
heterozygous variants in the GTP cyclohydrolase 1 gene (AD DYT/PARK-GCH1), shows
known motor manifestations and non-motor symptoms (NMS) less studied.
Objectives: To expand the knowledge of the clinical and laboratory manifestations of this
syndrome, helping to define its incomplete penetrance and the relevance of levodopa/other
psychotropic drugs in its phenotype. Propose case management technology for affected
individuals.
Methods: 1) Relatives with the clinical and/or genetic diagnosis of the IVS5+3insT variant in
heterozygosity in the GTP cyclohydrolase 1 gene (n = 16-23) and intrafamilial control group
(n = 12-21); 2) Historical review of NMS in AD DYT/PARK-GCH1; 3) Investigation of
NMS, by validated forms, and related drugs in individuals with the variant; 4) Investigation of
serum levels of amino acids (and their estimated brain inflows), serotonin and
daytime/nighttime melatonins, considering the use of levodopa/other psychotropic drugs,
interfaced with related master's evaluations; 5) Investigation of mixed anxiety-depressive
disorder and restless legs syndrome (RLS), by validated forms; 6) Case management of
individuals with AD DYT/PARK-GCH1, through systematized tools, including pregnant
women with RLS.
Results: Depressive symptoms stood out in the review and thesis. Considered NMS, they
increased the estimated penetrance of AD DYT/PARK-GCH1 from 58.80 to 88.20% in this
family. In individuals with the genetic variant, the average estimated brain influx of
phenylalanine was higher (p = 0.015), and, if levodopa users, the mean level of tryptophan
was lower (p = 0.046). Levodopa use was correlated with lower nocturnal melatonin levels
compared to the other individuals with the variant (p = 0.031), being able to change other
studied correlations between pairs of variables. There was no clear association between
individuals with the AD DYT/PARK-GCH1 and mixed anxiety-depressive disorder or RLS,
possibly due to confounding factors. Two primiparous women with DRD and RLS using
levodopa had babies with head circumference at the 5.59th percentile, caught up in the first
month, with proper development, and breastfeeding. The case management of other
individuals, named "Management of Rare Lives" (MRL), reduced the motor symptoms of
DRD (only one case maintained poor response) and RLS (in 50% of those reevaluated in the
first monitoring and in 100% in the second one; with mean severity 44.87% lower in the
fourth monitoring compared to the beginning). Regarding the initial assessment, the MRL
also reduced depressive symptoms (in 53.85% of the individuals and 17.20% of the mean
score), anergy/abulia/apathy (in 38.38/31.55/81.75%), and the percentage of individuals with
altered impulsivity scale (33.33 to 15.38%).
Conclusions: Depressive symptoms increased incomplete penetrance. Levodopa use
influenced proposed laboratory and clinical evaluations (such as RLS and NMS). The
increased cerebral influx of phenylalanine may be a diagnostic biochemical marker in
individuals with the variant. In these, associations such as the use of levodopa and lower
nocturnal serum melatonin should be deeper investigated, by supposed benefits such as
melatonin intake for a better quality of life. Case management proved to be effective,
including in pregnant/nursing women with RLS using levodopa, and applicable to other rare
diseases.
Assunto
Distúrbios Distônicos, Transtornos Mentais, Administração de Caso, Gravidez, Síndrome das Pernas Inquietas, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Síndrome de Segawa autossômica dominante, Distonia dopa-responsiva, Distúrbios distônicos, Transtornos mentais, Gestão de casos, Gestação, Síndrome das pernas inquietas
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